Caros leitores,

Após 4 anos de muitos trabalhos e publicações realizadas pelo Portal Biossistemas aqui no WordPress sentimos que já era hora de mudarmos nossa aparência, conquistarmos novos parceiros e inovarmos o jeito de divulgar a Engenharia de Biossistemas. Para isso tivemos que mudar nosso endereço para uma plataforma que nos permita crescer e com todo o suporte necessário.

Convidamos a todos para continuarem a falar de Engenharia de Biossistemas em nosso novo espaço:

Conheça a nova “cara” do Portal Biossistemas.

Acesse: www.usp.br/portalbiossistemas

Te aguardamos lá!

Tecnologia utilizada na exploração de Marte pode ajudar os agricultores brasileiros

Pesquisadores brasileiros, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA)  instrumentação e da Universidade de São Paulo (USP) do campus de São Carlos, pretendem reproduzir a tecnologia desenvolvida pela NASA na exploração de Marte, em solos paulistas.

A intenção é criar um robô análogo ao Curiosity (“Jipe-robô da NASA”), que foi responsável por realizar as análises de solo e rochas do planeta Marte in loco.

“Ele poderá medir a quantidade de matéria orgânica do solo, sua umidade e fertilidade, bem como fazer análise nutricional das plantas e até detectar doenças”, explica a professora Débora Milori, pesquisadora do laboratório de óptica e lasers da Embrapa em entrevista para a Folha de São Paulo. “Se a NASA mandou um equipamento desses para Marte, não vejo porque a gente não conseguiria fazer trabalho de campo com ele aqui na Terra. Com certeza vai ser menos complexo, até porque não precisaremos protegê-lo do impacto do pouso.” Completa a professora.

O robô da NASA utiliza a técnica conhecida como espectroscopia de emissão com plasma induzido por laser (Libs na sigla em inglês) na verificação de elementos como ferro, carbono e alumínio das rochas marcianas. O protótipo construído pela EMBRAPA é o primeiro a utilizar está técnica no Brasil.

No robô, um laser pulsado é focalizado em amostras de folhas ou do solo. O local é aquecido e a temperatura chega aos 50.000 Kelvins (K). O efeito térmico provoca uma quebra das moléculas presentes no material e uma evaporação, formando assim um plasma, ou seja, uma densa nuvem gasosa de átomos, íons e elétrons. Depois de alguns microssegundos, o plasma esfria para temperaturas da ordem de 5 a 15.000 K e aparecem linhas de emissão de luz características de cada elemento químico presente na amostra. Essa luminosidade é captada por um conjunto de lentes instaladas no equipamento e focadas em um espectrômetro.

No espectrômetro a luz será detectada por um sistema optoeletrônico também presente em câmeras fotográficas digitais para captar as imagens. Conforme o espectro de luz emitido, é possível classificar no aparelho os elementos presentes na amostra, como fósforo, carbono e cobre, por exemplo. “As emissões produzidas pelos átomos e íons representam a impressão digital de cada elemento químico”, diz Débora.

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Fonte: Foto: Débora Milori / Infográfico: Ana Paula Campos / Ilustração: Alexandre Affonso – http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2014/01/072-073_Laser-Embrapa_215.p

 Em setembro de 2013, um pequeno protótipo foi montado e testado em laboratório. “Agora, estamos construindo um robô um pouco maior, robusto o suficiente para ir a campo em terreno acidentado”, explica Débora. O aparelho terá cerca de 1.5 metro de comprimento, 1 de largura e 0.8 de altura.

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Fonte: Foto: Débora Milori / Infográfico: Ana Paula Campos / Ilustração: Alexandre Affonso – http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2014/01/072-073_Laser-Embrapa_215.pdf

Uma versão mais sofisticada da técnica Libs é a com duplo pulso. Neste caso, existe um atraso entre os dois feixes de lasers de nanossegundos a microssegundos. A vantagem sobre o sistema de um pulso, mais utilizado pela comunidade científica, é a possibilidade de aumentar em várias vezes a intensidade do sinal, melhorando o limite de detecção da técnica para quantificação dos elementos. A Embrapa foi a primeira do país a empregar um sistema Libs com duplo pulso com a colaboração do físico Gustavo Nicolodelli.

A vantagem da utilização do Libs, é que não é necessária uma preparação prévia da amostra de solo a ser analisada. A ideia é que o jipe-robô que está sendo desenvolvido em parceria com os engenheiros Marcelo Becker e Daniel Magalhães, da USP de São Carlos, receba também um GPS e use o Libs para examinar tanto a qualidade do solo quanto as necessidades nutricionais de plantas, mapeando esses dados conforme viaja pelas fazendas.

As técnicas de detecção utilizando laser e espectrômetros capazes de analisar rapidamente o conteúdo atômico e molecular de diversos tipos de amostras têm ganhado cada vez mais espaço principalmente na agricultura. (ver publicação https://portalbiossistemas.wordpress.com/2014/07/08/scio-um-sensor-de-bolso-que-pode-mudar-nossa-visao-do-mundo/). A análise com laser se insere dentro do conceito de agricultura de precisão, que utiliza cada vez mais instrumentos e recursos da tecnologia da informação como computadores, GPS e redes sem fio para implementar melhorias no âmbito da produção agrícola. 

Referências:

http://www.folhabaiana.com/noticias/robos-e-drones-chegam-ao-campo/

http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2014/01/072-073_Laser-Embrapa_215.pdf

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/12/1386059-jipe-robo-investiga-composicao-do-solo-no-interior-paulista.shtml

Desafios da nova biotecnologia

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Ilustração

O estudo da biotecnologia compreende o desenvolvimento e técnicas voltadas à adaptação ou ao aquecimento de características dos organismos vegetais e animais, visando ao aumento da produção. Ao longo de várias décadas, seu progresso vem proporcionando benefícios socioeconômicos e ambientais nas regiões agrícolas. A seleção de sementes, os enxertos realizados em plantas, o cruzamento induzido de diferentes animais de criação, a associação de culturas são algumas das técnicas agrícolas que fazem parte da biotecnologia. É possível cultivar plantas de clima temperado, como a soja, o trigo e a uva, em regiões de clima tropical, acelerar o ritmo de crescimento das plantas e a engorda dos animais; aumentar o teor de proteínas, vitaminas e sais minerais em algumas frutas, verduras, legumes e cereais; aumentar o intervalo de tempo entre o amadurecimento e a deterioração das frutas, entre inovações que beneficiam os produtores agrícolas, os comerciantes e os consumidores.

Por volta de 1990, entretanto, uma parte da biotecnologia chamada pesquisa genômica passou a lidar com um novo campo que gerou e continua gerando muita controvérsia: a produção de organismos geneticamente modificados (OGMs), os chamados transgênicos. No caso das plantas, estas se tornam resistentes à ação e pragas ou de herbicidas fabricados por grandes empresas multinacionais, o que leva o agricultor a utilizar somente uma marca de produto e a ficar totalmente dependente de uma única empresa. Outras modificações genéticas mais antigas, como o melhoramento das sementes ou o aumento na proporção de nutrientes dos alimentos, nunca chegaram a ser criticadas da mesma maneira.

No Brasil, o setor agrícola tem grande importância na economia, logo, o país ocupa a segunda colocação em área plantada com variedades transgênicas no mundo (40,3 milhões de hectares), atrás apenas dos Estados Unidos, o qual possui uma área de 70,2 milhões de hectares. Só o Mato Grosso, maior produtor de algodão e soja do Brasil, contribui para pouco menos de 25% dessa área (em torno de 11 milhões de hectares), superando Canadá (10,8 milhões de há) e China (4,2 milhões de ha). Dados recolhidos da Consultoria Céleres e do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA).

Do ponto de vista econômico, os benefícios da adoção de transgênicos na produção rural vão desde a redução de custos, por conta da diminuição das perdas, até ganhos por melhoria da eficiência operacional e maior flexibilidade no manejo.

Esta nova tecnologia possui muitos aspectos positivos e negativos, o que têm gerado grandes discussões. Entre as vantagens, pode-se citar o balanceamento nutricional possível nos alimentos, a capacidade de reduzir e evitar riscos de certas doenças do alimento, reduzir drasticamente o uso de agrotóxicos e, se possível, eliminar a utilização dos mesmos. Com isso, a planta fica mais resistente a processos naturais como seca ou geadas. Isso garante estabilidade nos preços e custos de produção. Quanto aos aspectos negativos, a falta de variabilidade genética leva a uma maior vulnerabilidade do cultivo quanto à invasão de pestes, podendo gerar super pragas. Outro ponto a se preocupar são as sementes estéreis, resultando num possível monopólio comercial. Ainda não se sabe sobre efeitos adversos das proteínas modificadas em seres humanos, entre outros aspectos que fazem os transgênicos serem tão polêmicos.

Engenharia de Biossistemas

Engenharia de Biossistemas

É importante salientar, entretanto, que não se pode generalizar esse tipo de estudo. O cultivo de plantas transgênicas é pesquisado e liberado caso a caso. Saber que atualmente o algodão ou o milho transgênico não oferecem riscos ao meio ambiente e à saúde das pessoas são significa que outros tipos de OGMs sejam igualmente seguros. Outro exemplo é o salmão transgênico, animal geneticamente modificado aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) para consumo humano. Além disso, cabe ao engenheiro de biossistemas desenvolver técnicas de pesquisa mais refinadas e projetar sistemas que favoreçam produção sustentável, contribuindo na otimização da produção de alimentos, materiais e energia, tendo em vista o equilíbrio econômico, ambiental e social.

Referências
http://www.portalmaquinasagricolas.com.br/mato-grosso-se-destaca-na-adocao-de-biotecnologia-agricola/
http://transgeniaemvegetais.blogspot.com.br/2010/08/vantagens-e-desvantagens-de.html/

Deise Nascimento, primeira Engenheira de Biossistemas do Brasil

Hoje o Portal Biossistemas traz uma entrevista com a primeira Engenheira de Biossistemas do Brasil, ou melhor, da América Latina, Deise Nascimento. Deise ingressou na Faculdade de Engenharia de Alimentos e Zootecnia (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP) no ano de 2009, formando-se em 2013 e atualmente encontra-se empregada na Monsanto, empresa de agricultura sustentável.

Em area com Operador analisando oportunidade de melhorias.

Em área com operador, analisando oportunidades de melhorias. Foto: acervo pessoal.

Nessa entrevista buscamos questioná-la sobre como foi a sua graduação, que caminhos trilhou, o que ela poderia sugerir para os futuros Engenheiros de Biossistemas, dentre outros. Boa leitura!

Portal Biossistemas: Por que você escolheu o curso de Engenharia de Biossistemas?

Deise: Não posso dizer que sempre foi meu sonho, logo que o curso nem existia no Brasil, porém desde o colegial sonhava em fazer engenharia. Folheando o guia da FUVEST o nome Biossistemas me chamou muito a atenção, pesquisei a respeito do curso e a palavra na qual tive a certeza que era isso que eu queria foi: INOVAÇÃO.

Portal: Hoje, depois de formada, sente que escolheu o curso certo? Por que?

Deise: Com certeza, estou muito feliz com a minha formação, com o meu trabalho e à cada desafio que enfrento tenho mais certeza que não deveria ter sido diferente.

Portal: Qual foi o maior aprendizado que tirou desses anos de graduação na FZEA?

Deise: Foram muitos aprendizados que eu nem conseguiria descrever todos, mas hoje acredito que o maior aprendizado começou desde a saída da casa dos meus pais para a própria FZEA, pois me fez desenvolver algumas competências como a agilidade, para se adaptar rapidamente as grandes mudanças que estariam por vir, assim consegui entender que estava numa Universidade e que muitos desafios me esperavam.

Portal: Durante a graduação você fez iniciação científica, intercâmbios ou participou de atividades extracurriculares? Como essas experiências ajudaram na sua formação e em suas atividades hoje?

Deise fazendo análises no laboratório durante seu período de estágio. Foto: acervo pessoal.

Deise: Durante a graduação fiz iniciação científica, monitoria de Álgebra Linear e participei da empresa júnior (Biossistec Jr.). Essas atividades me ajudaram muito. Como não havia trabalhado antes, estas foram as bases do meu curriculum e um dos assuntos da minha entrevista. Essas atividades me fizeram ser mais responsável e comprometida.

Portal: Quais as dicas que daria para que os graduandos para que possam aproveitar tudo que a faculdade pode oferecer?

Deise: Por ser de São Paulo capital a primeira impressão que tive da FZEA é que iria odiar. Uma fazenda, nossa! (risos). Lembro-me que sempre comentava que iria voltar para capital, achava que não iria me adaptar. Engano meu, no final eu já nem queria voltar para capital. Adorei meus 5 anos na faculdade, aproveitei ao máximo, briguei, chorei, me matei de estudar, morei em república, curti, aprendi… Enfim, fui feliz e não me arrependo de nada que fiz. Eu diria para se envolverem e aproveitarem todas as oportunidades que surgirem, pois o tempo é muito curto para ficar reclamando.

Portal: Quais disciplinas de nossa grade você considera ter dado um maior suporte para o desempenho de seu trabalho atual?

Deise: No contexto geral todas as disciplinas geram bases, não tem como falar assim: uso cálculo IV em tal projeto. No final da faculdade eu tinha a impressão que não sabia nada, mas a faculdade te dá a base de tudo para conseguir solucionar os problemas, isso só descobri depois que comecei a trabalhar.

Deise já contratada fazendo palestra para safristas.

Deise já contratada pela Monsanto e fazendo palestra para safristas. Foto: acervo pessoal.

Portal: Conte-nos um pouco de como anda sua vida profissional atualmente.

Deise: Minha vida profissional anda muito bem, como falei anteriormente eu amo meu trabalho e estou muito satisfeita. Ainda estou na fase de aprendizado, porém já desenvolvo projetos e também viajo bastante à trabalho. Recentemente fui escolhida para dar um depoimento ao grupo de estagiários desse ano, como ex-estagiária que fui contratada por este mesmo programa de estágio. Foi muito gratificante pra mim, pois exatamente há um ano atrás era eu que estava sentada dando início ao meu estágio, então sabia descrever bem o que estavam sentindo.

Portal: Em sua ocupação atual, trabalha diretamente com Engenharia de Biossistemas?

Deise: Meu cargo na empresa é Engenheira de Produção, porém minha atuação é voltada para melhorias de processos, com foco em otimização e inovações o que pra mim é diretamente Engenharia de Biossistemas. Sem falar que essas melhorias de processos e para produção de sementes que é uma vida.

Portal: Quais são seus planos para o futuro (a médio e longo prazo)?

Deise: Meus planos é continuar no trabalho em que estou e poder contribuir ainda mais com os conhecimentos do curso Engenharia de Biossistemas para sucesso da empresa, mas à longo prazo eu diria que pretendo continuar na empresa, porém fazendo parte do time de melhorias de processos.

Portal: Pretende fazer uma pós-graduação ou mesmo iniciar outro curso? Com base em sua experiência de mercado, qual o grau de importância de uma especialização?

Deise: Por enquanto não pretendo fazer pós e nem outro curso. Pela minha pouca experiência de mercado acredito que a especialização deve estar bem alinhada com o plano de carreira, depende muito do cargo que a pessoa pretende seguir.

Portal: Como você avalia a recepção do mercado por este novo perfil de profissional?

Deise: No meu caso a recepção foi maravilhosa, no final do período de estágio minha gestora já sabia explicar o que era o curso e sentia o maior orgulho da estagiária dela estudar Engenharia de Biossistemas. Ela gostou tanto que o estagiário dela deste ano também é Engenheiro de Biossistemas. As empresas terceiras depois que eu explicava o curso sempre se mostraram bem empolgadas.

Portal: Quais oportunidades você identifica que o mercado oferece para este profissional?

Deise: A tendência das empresas, de qualquer ramo, é que sempre busquem por inovações, para mim essa é uma grande oportunidade para os Engenheiros de Biossistemas.

Portal: Em sua opinião, que iniciativas os estudantes de graduação podem adotar para uma maior divulgação do curso?

Deise: Eu acho que o curso já está sendo muito bem divulgado, porém acredito que visitas em empresas sejam importantes, pois geram um primeiro contato para a empresa conhecer melhor este profissional.

Portal: Se lhe pedissem um conselho sobre as coisas mais importantes para o currículo (um curso de línguas, intercâmbio,cursos técnicos ou de especialização, atividades extracurriculares etc), o que apontaria como principal?

Evento do fechamento de safra.

Evento do fechamento de safra. Foto: acervo pessoal.

Deise: Sem sombra de dúvida curso de línguas e intercâmbio como principais seguido dos outros. Como falei é dentro da faculdade que vamos elaborar nosso primeiro curriculum, então essas atividades são essenciais.

Portal: O que diria pra os futuros engenheiros de Biossistemas e para os que pensam em prestar o vestibular para Engenharia de Biossistemas?

Deise: Gostaria de dizer que vale muito a pena. Estou e sou muito feliz com a minha profissão, sinto orgulho de ser uma Engenheira de Biossistemas adoro falar sobre o curso, ensinei muitos pessoas a explicarem o que é, desde o estágio até hoje as pessoas sempre gostam muito do curso e sempre se interessam muito, sinto um grande interesse tanto pelas pessoas da própria empresa que trabalho como por empresas terceiras que também tenho contato.

Assim encerramos nossa entrevista, para os futuros Engenheiros de Biossistemas e para quem pretende prestar o vestibular para o curso, essa entrevista nos proporciona animo para continuarmos nessa caminhada. O Portal Biossistemas agradece a colaboração de Deise Nascimento.

Aconteceu na FZEA: Diálogos Biossistemáticos

Texto por: Lisiane Brichi e Matheus H. Paes.

Aconteceu na FZEA no último dia 26/08 mais uma edição dos Diálogos Biossistemáticos, contando com a presença dos professores convidados Murilo M. Baesso e Rubens A. Tabile para discussão do tema “Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento”.

Abertura dos diálogos. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

O evento teve início com rápidas apresentações pessoais de ambos os professores, seguidas de uma introdução ao tema do encontro. Em um breve histórico apresentado foi exposto que o sensoriamento remoto surgiu para fins militares, assim como grande parte das tecnologias às quais temos acesso hoje, principalmente com o caso mais popular – a crise dos mísseis em Cuba (1962), no período da guerra fria. Com o acesso a essa tecnologia pela sociedade seu uso teve uma grande expansão, sendo a mesma aplicável para monitoramento de desmatamentos em tempo real, rotas de fenômenos climáticos extremos – o que possibilita a remoção de pessoas de áreas de risco em tempo hábil – estratégias de ocupação de determinado local, localização de pessoas e veículos, dentre outros.

Na agricultura, seus usos mais frequêntes tem sido associados à Agricultura de Precisão (AP), de modo a indicar áreas com deficiências nutricionais, doenças e pragas, estresse hídrico e distinção de características do solo (pela reflectância das plantas ou vegetação de cobertura), além de se conseguir fazer levantamentos topográficos.

Contamos hoje com certa facilidade para executar o sensoriamento remoto. Algumas empresas enxergaram essa tendência no mercado e oferecem serviços de monitoramento/imagens aéreas. Mesmo através do Google é possível dar uma espiada em como está a propriedade ou adquirir imagens de alta resolução por satélite.

As dificuldades existentes

Para o professor Rubens A. Tabile, apesar de todo o avanço tecnológico, novos paradigmas no campo e de crédito rural com taxas convidativas para aquisição de sistemas sofisticados, a maior dificuldade ainda consiste em gerir todo o volume de dados gerados pelos sistemas e analisá-los corretamente em sua variabilidade, pois grande parte dos produtores não domina a tecnologia que o mercado oferece e ainda carecemos de especialistas para suporte nas propriedades rurais. Assim sendo, problemas a mais são gerados ao produtor, pois perde-se tempo tentando compreender o funcionamento do sistema e até o dinheiro investido – caso não se tenha sucesso na empreitada.

Muito se fala à respeito do conservadorismo dos pequenos e médios produtores rurais na adoção de novas técnicas e ferramentas. Um equívoco, pois estes no papel de empreendedores da terra assumem riscos moderados, procuram se informar sobre as tendências e experimentam tecnologias. Entretanto, por vezes este é um grande conhecedor de sua propriedade e da natureza, sabendo onde existe variabilidade da produção em sua área, do comportamento de seus animais apenas pelos barulhos emitidos, da infestação de pragas por talhão, sem que para isso seja necessário o uso de sensores ou de imagens para lhe dar essa informação, conforme destacou o professor Fabrício Rossi em sua fala.

"Convivemos com a cultura de supor que um recurso novo ou a mais poderá ser a solução para um problema", afirma o professor Rubens Nunes. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

“Convivemos com a cultura de supor que um recurso novo ou a mais poderá ser a solução para um problema”, afirma o professor Rubens Nunes. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

Para o professor Rubens Nunes (doutor em Economia), também presente nos Diálogos, deve-se, sobretudo entender qual o negócio – em outras palavras, onde interferir no processo. Se o produtor, com suas técnicas e conhecimentos, persiste na atividade há tanto tempo, é porque entende que os processos e a oferta de uma nova tecnologia (por vezes que faça algo que não podemos, substitua ou facilitem o trabalho humano) podem ser a solução para um problema marginal apenas, não sendo observados ganhos ou mudanças efetivas. Entretanto, o que ainda não percebemos é que o “agricultor tem aversão aos riscos, e por esta razão é necessário ter a dominância plena da tecnologia vendida”, com as palavras do professor.

Explorando novos caminhos

Na abertura de sua fala o professor Celso E. L. Oliveira exemplificou o caso da caneta da NASA, história a qual supõe que a agência espacial americana investiu milhões de dólares para desenvolver uma caneta que funcionasse no ambiente de gravidade zero. Simplificando a operação, os astronaltas Russos escreviam à lápis. O professor levantou também a seguinte questão: o Brasil precisa hoje de lápis ou de caneta?

Uma vez que os pequenos e médios produtores possuem conhecimento de sua propriedade, não seria mais interessante ensiná-los o porquê da variabilidade espacial em sua propriedade, ensinando-os a fazer manualmente os mapas de produtividade para gerar informações mais simples de se entender? Será que a transição direta entre as anotações de lápis e papél, com os conhecimentos empíricos adquiridos ao longo de anos de observação, para sistemas de aquisição de dados sofisticados é o caminho? Poderia haver ações de preparo visando o uso de novos sistemas?

Um exemplo muito interessante para o exposto é o da ação conjunta no monitoramento e combate ao psilídeo (praga que ataca o citrus) no Estado de São Paulo. Através da contagem do número deste inseto em armadilhas instaladas nas propriedades, define-se a necessidade de pulverização de pesticidas ou não, pela taxa de invasão do inseto. Em se fazendo necessário o controle, os produtores da região são avisados através de um sistema simples, em um site da internet. O monitoramento e coordenação das atividades ficam sob a responsabilidade de um único agente, a Fundecitrus.

"Drones são a bola da vez", afirma o professor Rubens A. Tabile. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.).

“Drones são a bola da vez”, afirma o professor Rubens Tabile. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.).

É certo que as tecnologias mudam com o tempo. Acredita-se que a atual onda de difusão de Vants, Drones e Quadcópteros (termos diferentes para dizer uma mesma coisa) seja apenas moda e que daqui alguns anos esta seja substituída outros meios, mais práticos e robustos. Os preços desses equipamentos oferecidos no mercado devem cair e a variedade de aplicações aumentará. Porém, de certo o que não muda nem se barateia é a inteligência aplicada à construção dessas tecnologias. Como o próprio professor Murilo M. Baesso disse, “Tecnologia agrícola existe para todos, mas nem sempre é adequada”.

 E você leitor, para onde acha que vai o georreferenciamento na agricultura? Queremos sua opinião!

Integração Lavoura-pecuária-floresta e os Engenheiros de Biossistemas

Integração lavoura-pecuária-floresta

Leonardo Magalhães – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2014/15). Orientado pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

Nos últimos anos o Brasil vem recebendo cada vez mais destaque como produtor mundial de alimentos.  Além de liderar a produção em diversos setores, a agricultura brasileira destaca-se também por seus aspectos sustentáveis e ambientais. Ainda que sejam necessários avanços em diversos aspectos, em relação a outros países o Brasil destoa em seu aumento de produção ao mesmo tempo em que avança na proteção ambiental.
Em artigo publicado no site da revista Carta Capital, o economista e ex-ministro Delfim Neto destaca sobre o progresso da agropecuária brasileira: “É importante mostrar que esse imenso progresso tem sido feito com respeito às terras indígenas (584 reservas, que ocupam cerca de 14% do território nacional) e à conservação do meio ambiente (1.098 unidades, ocupando em torno de 17% do território). Quando se descontam algumas coincidências entre os dois conjuntos, chega-se a 247 milhões de hectares, ou seja, 29% do território nacional, sem levar em conta a legislação ambiental que atinge a atividade agrícola privada! Numa imperdível entrevista na Agroanalysis, o doutor Evaristo Miranda, da Embrapa, referiu-se ao registro da International Union for Conservation of Nature (IUCN), segundo o qual “os 11 países com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados existentes no mundo – China, EUA, Rússia etc. (tirando o Brasil) – dedicam apenas 9%, em média, dos seus territórios às áreas protegidas”.

Outro ponto a se destacar nesse processo de produção com conservação brasileiro, é o avanço da utilização da Integração Lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Essa estratégia, desenvolvida pela EMBRAPA e por diversos setores de pesquisa, procura recuperar antigas áreas devastadas de florestas sem perder a motivação e a produção econômica. E como funciona? A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) promove a recuperação de áreas de pastagens degradadas agregando, na mesma propriedade, diferentes sistemas produtivos, como os de grãos, fibras, carne, leite e agroenergia (Fonte: Ministério da Agricultura).
A integração também reduz o uso de agroquímicos, a abertura de novas áreas para fins agropecuários e o passivo ambiental. Possibilita, ao mesmo tempo, o aumento da biodiversidade e do controle dos processos erosivos com a manutenção da cobertura do solo.  Aliada a práticas conservacionistas, como o plantio direto, se constitui em uma alternativa econômica e sustentável para elevar a produtividade de áreas degradadas. No Brasil, segundo dados da Embrapa, 80% da área de pastagem está abaixo de sua produtividade ideal. “O que não pode mais é diminuir a produtividade ou produzir ignorando as consequências para o ambiente”, adverte Luiz Carlos Balbino, pesquisador da unidade de Cerrados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “O Brasil está conseguindo mudar sua imagem com isso. Você desmata e acaba esgotando o solo, deixando a terra improdutiva. O mais importante é que o Brasil tem uma poupança de área para usar sem desmatar”.

O sistema tem sido adotado em todo o Brasil, com maior representatividade nas regiões Centro-Oeste e Sul. Para fomentar a prática, a Embrapa fornece assistência técnica em parceria com entidades locais, como parte da Rede de Fomento da integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Aproximadamente 1,6 a 2 milhões de hectares já utilizam os diferentes formatos da estratégia. Até 2020, o governo pretende que a integração seja adotada em 4 milhões de hectares.

Cabe a profissionais, como os Engenheiros de Biossistemas, desenvolver inovações e aplica-las a esse tipo de produção. Produzir alimentos aliado a outros produtos (como madeira, energia, borracha etc.) necessita utilizar-se de equipamentos multiuso, afinal o produtor precisa manejar os diferentes tipos de produção utilizando-se da menor quantidade de equipamentos possível não apenas para reduzir custos como para otimizar a produção, uma das aplicações por exemplo são dos chamados VANT’s que podem servir ao produtor tanto para monitorar as florestas quanto para observação e controle das lavouras (Conheça mais aqui). Outro ponto necessário a esse tipo de produção são softwares de gestão e análise, para que o produtor consiga controlar as especificidades de cada tipo de produção (como exemplo os softwares de manejo florestal). O Engenheiro de Biossistemas em sua formação possui a capacidade de desenvolver esses equipamentos e softwares além de outras inovações necessárias.

E aí, gostaram do tema? Gostariam de saber mais sobre isso? Leiam abaixo, comentem e voltem sempre ao nosso blog.

SAIBA MAIS: Artigo Delfim Neto na Carta Capital
Conheça as pesquisas da Embrapa sobre esse tema
Site do Ministério da Agricultura sobre a integração Lavoura-pecuária-floresta
Integração aumenta produtividade 

Espaço do leitor:

Folha artificial

A notícia a seguir foi enviada pelo leitor Rodolfo Galo, ela trata do desenvolvimento de uma folha artificial que transforma gás carbônico em oxigênio. Desenvolvida no Royal College of Art em Londres, essa folha pode ajudar a melhorar a qualidade do ar em diversas partes do planeta e contribuir também na exploração espacial. Leia a notícia completa aqui.

SCiO, um sensor de bolso que pode mudar nossa visão do mundo

Keylla Guiguer – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2013/14). Orientada pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

The handheld Scio scanner can detect the molecular makeup of certain objects Foto: http://time.com/87205/scio-scanner/

The handheld Scio scanner can detect the molecular makeup of certain objects
Foto: http://time.com/87205/scio-scanner/

Já pensou em ter em mãos um dispositivo que indique os valores nutricionais de um queijo? Ou que seja capaz de checar se há agrotóxicos em uma maçã? Ou que pode estimar a quantidade de álcool em sua cerveja? Pois o SCiO, um sensor molecular que entrou recentemente em campanha no Kickstarter (um site de financiamento coletivo, que busca apoiar projetos inovadores em geral voltados para tecnologia) quer levar estas e várias outras informações para a tela do seu smartphone.

“Imagine se houvesse uma maneira de saber qual melancia é a mais doce, quando o abacate vai amadurecer, quantas calorias, carboidratos ou proteínas estão em um shake, ou como suas plantas estão crescendo”, diz o co-fundador da Consumer Physics, Damian Goldring. “Imagine se houvesse uma maneira de saber a composição química de tudo o que você entre em contato.”

Mágica? Engenhosidade soa melhor. O que a Consumer Physics – empresa por trás do projeto – fez, foi criar um espectrômetro infravermelho portátil (o sensor pesa 20 gramas e mede 73 x 25 x 16,5 mm), isto é, um pequeno dispositivo que permite a análise da composição de materiais de diversos tipos a partir da medição do espectro da luz incidente.

Para descobrir a composição molecular de qualquer coisa, os cientistas têm um grande aliado: o espectrômetro. Este dispositivo mede com precisão o comprimento das ondas de luz refletidas pelo objeto estudado. Dado que cada molécula reage à luz de forma diferente, é possível estimar a composição do objeto apenas analisando seu espectro.

Em geral, espectrômetros têm o tamanho de um laptop e custam muito caro. Mas uma equipe de cientistas e engenheiros de instituições líderes, como MIT (Massachusetts Institute Technology) e Harvard criaram esta versão em miniatura de um espectrômetro, denominado SCiO.

O SCiO funciona assim: com sua fonte de luz ele ilumina o objeto a ser analisado, a luz refletida é então coletada pelo espectrômetro que envia as informações via Bluetooth para seu smartphone, os dados são enviados para a nuvem, e retornam uma análise “dentro de segundos” para seu smartphone, mostrando a composição do objeto analisado. O objeto será analisado de acordo com informações contidas em um banco de dados de assinaturas espectrais cadastradas, exibindo as informações de uma maneira fácil de entender. Por sua vez, as informações fornecidas pelos usuários em todo o mundo poderão ajudar a completar o banco de dados de assinatura espectral. Esta tecnologia tem sido padrão da indústria há décadas no controle de qualidade de óleos, esgotos ou produtos químicos. Mas o SCiO é o primeiro espectrômetro portátil para os consumidores, e oferece muito mais versatilidade de aplicação. O produto foi testado em demonstrações ao vivo com alta precisão.

O dispositivo é compatível com iOS e Android 4.3 ou superior e requer um aplicativo específico para funcionar. O smartphone necessita ter também, Bluetooth 4.0 LE para se comunicar com o SCiO. A bateria do dispositivo pode ser recarregada por microUSB e promete autonomia de até uma semana.

“A primeira aplicação é para os consumidores interessados em saber o valor nutricional do que estão comendo”, disse à CNN, Dror Sharon, CEO de Consumer Physics. “Muitas vezes eu encontro pessoas que não sabem o que está no queijo, frutas e legumes e têm dificuldade em discernir o que devem comer”.

“Eu acho que isso pode capacitar as pessoas que querem mudar sua alimentação, seja por razões médicas ou treinamento, e pode ser educativo em nos ensinar a fazer as melhores escolhas nutricionais”, disse Dror Sharon.

Os usos não acabam com a comida. Aplicativos estão disponíveis para analises médicas ou na aferição da saúde de plantas domesticas. SCiO poderá ser também uma ferramenta de proteção para “clubbers” interessados em verificar se a sua bebida foi alterada, ou pacientes que desejam saber se suas pílulas possuem composição como anunciado.

Ainda não dá para saber se os dados são de todo confiáveis, mas muita gente está disposta a arriscar: a campanha, que tem meta de US$ 200 mil, arrecadou mais de US$ 1 milhão no Kickstarter .

Por que é legal? Porque o SCiO dá informações “mastigadas” e quase em tempo real sobre vários tipos de materiais.

Por que é inovador? A invenção precisa apenas de um pequeno espectrômetro e de um smartphone para funcionar.

Por que é vanguarda? O SCiO coloca nas mãos de qualquer pessoa informações que, via de regra, exigem equipamentos mais sofisticados ou mesmo análises em laboratório.

Vale o investimento? Para quem vê utilidade neste tipo de análise, com certeza: o SCiO custa a partir de US$ 199 mais US$ 15 de frete para quem estiver fora dos Estados Unidos. O envio começará em janeiro de 2015.

E você, o que acha dessa nova invenção, como ela poderia ser utilizada por nós engenheiros de Biossistemas, em diferentes áreas?

Referências:

http://time.com/87205/scio-scanner/

http://edition.cnn.com/2014/05/02/tech/innovation/molecular-sensor-fits-in-your-hand/