Algas para produção de Biodiesel no Brasil.


Quando Rudolf Christian Karl Diesel inventou o motor a combustão em 1897, desenhou-o para funcionar com óleos vegetais, como o de amendoim. A história demonstra, portanto, que o interesse pela utilização do biodiesel não é novo. Entretanto, à época, por ser mais barato e mais fácil de produzir, o óleo feito a partir do petróleo ganhou o mercado e foi “batizado” com o sobrenome de Diesel. Com o aumento excessivo do preço do barril de petróleo e a preocupação crescente com os riscos ambientais questiona-se essa opção feita no passado, e retorna-se ao plano inicial de Diesel.

Pesquisas recentes indicam que a produção de biodiesel a partir de microalgas poderá mudar radicalmente o mercado de combustíveis. Enquanto a soja produz de 0,2 a 0,4 toneladas de óleo por hectare, o pinhão manso produz de 1 a 6 toneladas de óleo por hectare e o dendê, de 3 a 6 toneladas de óleo por hectare, as algas, segundo pesquisas mais otimistas, em um hectare podem produzir 237 mil litros de biocombustível.

Sendo possível cultivá-las em água salgada ou doce e em ambiente que disponha de calor e luz abundantes, é inegável que o Brasil possui condições ideais para a produção de microalgas, em especial na Região Nordeste. De cultivo simples, as microalgas podem ser produzidas em tanques abertos com profundidade de pouco mais de 10 cm e alimentadas, por exemplo, com dejetos de suinocultura e águas residuais de esgotos. Além disso, sua produção não requer uso de adubos químicos; sua massa pode ser duplicada várias vezes por dia; a colheita pode ser diária; o cultivo pode ser realizado em zonas áridas e ensolaradas, inclusive em regiões desérticas; trata-se de uma matéria-prima não alimentícia e sustentável; e seu cultivo em tanques com água do mar minimiza o uso de terra fértil e água doce potável. Sem dúvida, um achado.

Petrobrás

Atenta a essa importante fonte de energia a Petrobrás começa a investir em pesquisas para a produção em larga escala. O Centro de Pesquisas (Cenpes) da empresa, em parceria com as universidades federais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, realiza pesquisas para produzir biodiesel a partir de micro-algas, que vivem nas águas salinizadas do litoral do Norte e na água proveniente de produção de petróleo do Pólo Industrial de Guamaré.

Método de produção

O processo de produção de biodiesel a partir de micro-algas é realizado com a coleta de uma amostra de água salinizada em um tubo de ensaio. O tubo é fechado e levado ao laboratório, onde é colocado em uma estufa com temperatura e iluminação adequadas para manter as algas vivas. Em seguida, ocorre o isolamento e identificação das espécies, geralmente por meio de mapeamento genético. É um trabalho cuidadoso, pois muitas algas contêm toxinas que as tornam impróprias para a produção do combustível.

Depois de isoladas, as diferentes espécies de micro-algas são levadas a um tanque cheio de nutrientes para que se reproduzam. As melhores serão as que se reproduzirem mais rapidamente e tiverem maior teor de óleo. Após quatro dias, vão à secagem. Depois de secas, são embaladas para evitar seu contacto com a luz e o oxigênio do ar.

Na última etapa do processo, as micro-algas secas são colocadas em um reator, que realiza dois processos distintos: a extração do óleo que será utilizado na fabricação do combustível e a transformação deste óleo em biodiesel, por meio de reações químicas. Normalmente o resultado fica em torno de 10% a 20% do total de matéria-prima utilizada. Ou seja, para produzir um litro de biodiesel, são necessários cerca de cinco quilos de micro-algas.

Segundo Leonardo Bacellar, oceanógrafo e pesquisador da Petrobrás, “o futuro dessa novíssima fonte de bicombustível é tão promissor quanto imprevisível. É preciso conhecer melhor o potencial das micro-algas e buscar o melhor caminho para explorá-lo. A pesquisa e o desenvolvimento são de médio e longo prazo. Esse novo trabalho está em ebulição. Há um cenário pouco conhecido, dentro do qual temos que buscar o nosso melhor caminho”, disse Bacellar.

Método de produção de biodiesel a partir de algas.

Veja também: A biologia sintética na produção de bioenergia

Fontes: www.portaldoagronegocio.com.br

http://www.biodieselbr.com/

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Sobre Leonardo Magalhães
Engenheiro de Biossistemas, interessa-se por futebol, música, literatura e inovações tecnológicas. "Toda invenção é resultado de um pouco de teimosia." Santos Dumont.

One Response to Algas para produção de Biodiesel no Brasil.

  1. maristela menegat says:

    Olá , tudo bem, conforme te falei anteriormente estamos fazendo a disciplina de Elaboração e Análise de Projetos II que possui como principal foco a montagem de um projeto de viabilidade econômica de um determinado produto com financiamento pelo BNDES.

    Nosso grupo, em pesquisas realizadas, observou que o mercado de algas está em crescimento e optamos por fazer um projeto neste sentido. O projeto de destina exclusivamente a produção de algas para posterior venda a usinas de biodiesel, industria farmacêutica, entre outros. A idéia é instalar a empresa de produção de algas juntamente a uma usina de etanol, até para utilizar o CO2 como matéria prima.
    Desta forma, gostaríamos de ver com você se poderia nos auxiliar com algumas informações que são fundamentais para a execução de nosso projeto. Lembrando que não precisamos de dados exatos, apenas estimações, até porque se trata de um trabalho acadêmico e não buscamos a exatidão.

    *possível preço de venda das algas (por quilo, toneladas?)
    *se possível, o processo de produção de algas
    *quais as máquinas e equipamentos necessários para a produção
    *qual a estrutura necessária para a produção de algas?
    *qual o processo de condução do CO2 até os tanques de produção de algas?
    *qual a melhor localização sugerida este projeto (cidade, estado)?
    *quais as liberações via órgãos públicos necessárias para a implantação deste projeto, já que é um projeto que trabalha com o meio ambiente.

    Por fazermos parte de um grupo de estudos com fins acadêmicos, em nenhum momento o nome da empresa ou da pessoa que nos passou estas informações será divulgado, tanto que a penalidade frente a ocorrência desta situação é a reprovação. Da mesma forma, tendo a necessidade de um oficio que comprove os fins acadêmicos destas informações, poderá ser disponibilizado a qualquer momento pelo professor desta disciplina.

    Certos de vossa compreensão e ajuda, desde já agradecemos!

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