Deise Nascimento, primeira Engenheira de Biossistemas do Brasil

Hoje o Portal Biossistemas traz uma entrevista com a primeira Engenheira de Biossistemas do Brasil, ou melhor, da América Latina, Deise Nascimento. Deise ingressou na Faculdade de Engenharia de Alimentos e Zootecnia (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP) no ano de 2009, formando-se em 2013 e atualmente encontra-se empregada na Monsanto, empresa de agricultura sustentável.

Em area com Operador analisando oportunidade de melhorias.

Em área com operador, analisando oportunidades de melhorias. Foto: acervo pessoal.

Nessa entrevista buscamos questioná-la sobre como foi a sua graduação, que caminhos trilhou, o que ela poderia sugerir para os futuros Engenheiros de Biossistemas, dentre outros. Boa leitura!

Portal Biossistemas: Por que você escolheu o curso de Engenharia de Biossistemas?

Deise: Não posso dizer que sempre foi meu sonho, logo que o curso nem existia no Brasil, porém desde o colegial sonhava em fazer engenharia. Folheando o guia da FUVEST o nome Biossistemas me chamou muito a atenção, pesquisei a respeito do curso e a palavra na qual tive a certeza que era isso que eu queria foi: INOVAÇÃO.

Portal: Hoje, depois de formada, sente que escolheu o curso certo? Por que?

Deise: Com certeza, estou muito feliz com a minha formação, com o meu trabalho e à cada desafio que enfrento tenho mais certeza que não deveria ter sido diferente.

Portal: Qual foi o maior aprendizado que tirou desses anos de graduação na FZEA?

Deise: Foram muitos aprendizados que eu nem conseguiria descrever todos, mas hoje acredito que o maior aprendizado começou desde a saída da casa dos meus pais para a própria FZEA, pois me fez desenvolver algumas competências como a agilidade, para se adaptar rapidamente as grandes mudanças que estariam por vir, assim consegui entender que estava numa Universidade e que muitos desafios me esperavam.

Portal: Durante a graduação você fez iniciação científica, intercâmbios ou participou de atividades extracurriculares? Como essas experiências ajudaram na sua formação e em suas atividades hoje?

Deise fazendo análises no laboratório durante seu período de estágio. Foto: acervo pessoal.

Deise: Durante a graduação fiz iniciação científica, monitoria de Álgebra Linear e participei da empresa júnior (Biossistec Jr.). Essas atividades me ajudaram muito. Como não havia trabalhado antes, estas foram as bases do meu curriculum e um dos assuntos da minha entrevista. Essas atividades me fizeram ser mais responsável e comprometida.

Portal: Quais as dicas que daria para que os graduandos para que possam aproveitar tudo que a faculdade pode oferecer?

Deise: Por ser de São Paulo capital a primeira impressão que tive da FZEA é que iria odiar. Uma fazenda, nossa! (risos). Lembro-me que sempre comentava que iria voltar para capital, achava que não iria me adaptar. Engano meu, no final eu já nem queria voltar para capital. Adorei meus 5 anos na faculdade, aproveitei ao máximo, briguei, chorei, me matei de estudar, morei em república, curti, aprendi… Enfim, fui feliz e não me arrependo de nada que fiz. Eu diria para se envolverem e aproveitarem todas as oportunidades que surgirem, pois o tempo é muito curto para ficar reclamando.

Portal: Quais disciplinas de nossa grade você considera ter dado um maior suporte para o desempenho de seu trabalho atual?

Deise: No contexto geral todas as disciplinas geram bases, não tem como falar assim: uso cálculo IV em tal projeto. No final da faculdade eu tinha a impressão que não sabia nada, mas a faculdade te dá a base de tudo para conseguir solucionar os problemas, isso só descobri depois que comecei a trabalhar.

Deise já contratada fazendo palestra para safristas.

Deise já contratada pela Monsanto e fazendo palestra para safristas. Foto: acervo pessoal.

Portal: Conte-nos um pouco de como anda sua vida profissional atualmente.

Deise: Minha vida profissional anda muito bem, como falei anteriormente eu amo meu trabalho e estou muito satisfeita. Ainda estou na fase de aprendizado, porém já desenvolvo projetos e também viajo bastante à trabalho. Recentemente fui escolhida para dar um depoimento ao grupo de estagiários desse ano, como ex-estagiária que fui contratada por este mesmo programa de estágio. Foi muito gratificante pra mim, pois exatamente há um ano atrás era eu que estava sentada dando início ao meu estágio, então sabia descrever bem o que estavam sentindo.

Portal: Em sua ocupação atual, trabalha diretamente com Engenharia de Biossistemas?

Deise: Meu cargo na empresa é Engenheira de Produção, porém minha atuação é voltada para melhorias de processos, com foco em otimização e inovações o que pra mim é diretamente Engenharia de Biossistemas. Sem falar que essas melhorias de processos e para produção de sementes que é uma vida.

Portal: Quais são seus planos para o futuro (a médio e longo prazo)?

Deise: Meus planos é continuar no trabalho em que estou e poder contribuir ainda mais com os conhecimentos do curso Engenharia de Biossistemas para sucesso da empresa, mas à longo prazo eu diria que pretendo continuar na empresa, porém fazendo parte do time de melhorias de processos.

Portal: Pretende fazer uma pós-graduação ou mesmo iniciar outro curso? Com base em sua experiência de mercado, qual o grau de importância de uma especialização?

Deise: Por enquanto não pretendo fazer pós e nem outro curso. Pela minha pouca experiência de mercado acredito que a especialização deve estar bem alinhada com o plano de carreira, depende muito do cargo que a pessoa pretende seguir.

Portal: Como você avalia a recepção do mercado por este novo perfil de profissional?

Deise: No meu caso a recepção foi maravilhosa, no final do período de estágio minha gestora já sabia explicar o que era o curso e sentia o maior orgulho da estagiária dela estudar Engenharia de Biossistemas. Ela gostou tanto que o estagiário dela deste ano também é Engenheiro de Biossistemas. As empresas terceiras depois que eu explicava o curso sempre se mostraram bem empolgadas.

Portal: Quais oportunidades você identifica que o mercado oferece para este profissional?

Deise: A tendência das empresas, de qualquer ramo, é que sempre busquem por inovações, para mim essa é uma grande oportunidade para os Engenheiros de Biossistemas.

Portal: Em sua opinião, que iniciativas os estudantes de graduação podem adotar para uma maior divulgação do curso?

Deise: Eu acho que o curso já está sendo muito bem divulgado, porém acredito que visitas em empresas sejam importantes, pois geram um primeiro contato para a empresa conhecer melhor este profissional.

Portal: Se lhe pedissem um conselho sobre as coisas mais importantes para o currículo (um curso de línguas, intercâmbio,cursos técnicos ou de especialização, atividades extracurriculares etc), o que apontaria como principal?

Evento do fechamento de safra.

Evento do fechamento de safra. Foto: acervo pessoal.

Deise: Sem sombra de dúvida curso de línguas e intercâmbio como principais seguido dos outros. Como falei é dentro da faculdade que vamos elaborar nosso primeiro curriculum, então essas atividades são essenciais.

Portal: O que diria pra os futuros engenheiros de Biossistemas e para os que pensam em prestar o vestibular para Engenharia de Biossistemas?

Deise: Gostaria de dizer que vale muito a pena. Estou e sou muito feliz com a minha profissão, sinto orgulho de ser uma Engenheira de Biossistemas adoro falar sobre o curso, ensinei muitos pessoas a explicarem o que é, desde o estágio até hoje as pessoas sempre gostam muito do curso e sempre se interessam muito, sinto um grande interesse tanto pelas pessoas da própria empresa que trabalho como por empresas terceiras que também tenho contato.

Assim encerramos nossa entrevista, para os futuros Engenheiros de Biossistemas e para quem pretende prestar o vestibular para o curso, essa entrevista nos proporciona animo para continuarmos nessa caminhada. O Portal Biossistemas agradece a colaboração de Deise Nascimento.

Anúncios

O Futuro da Produção de Alimentos

Nessa publicação o Portal Biossistemas aborda um assunto de extrema importância para a humanidade, a produção de alimentos. Atualmente, esse tema tem gerado grande preocupação sobre como se atingir uma maior produtividade, e dessa forma tem ocasionado um aumento no número de estudos em automação e tecnologias de precisão, as quais tem se mostrado imprescindíveis para a agricultura do futuro. Procuram-se soluções que permitirão à agricultura avançar em diversificação, agregação de valor, produtividade, segurança e qualidade.

Diversas economias do mundo esperam que a produção de alimentos aumente em torno de 20%. No entanto, no Brasil a proposta da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 40% até 2050. Para se conseguir alcançar tal meta são necessários diversos fatores, entre os quais cita-se a incorporação de tecnologias pelo setor produtivo, sistemas de produção forte, sinergia em transferência de tecnologia, atuação em rede e parcerias com empresas privadas.

De acordo com o diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Embrapa, Ladislau Martin Neto, “É preciso investir em automação, agricultura de precisão, bem como em mão de obra especializada, ferramentas imprescindíveis para a agricultura do futuro”, Neto ainda diz que não acredita que o país enfrentará os desafios de crescer para conseguir um aumento de 20% na demanda mundial por alimentos. Dessa forma será possível viabilizar e aumentar a competitividade, a sustentabilidade e a certificação para criar oportunidades na agricultura dos trópicos.

Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre) - São Carlos/SP

Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre) – São Carlos/SP

Em 2009 a Embrapa criou a Rede de Agricultura de Precisão, que envolve 20 centros de Pesquisa da empresa, juntamente com mais 50 parceiros (empresas, instituições de pesquisa, universidades e produtores rurais). Essa Rede desenvolve trabalhos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Em setembro de 2013, a Embrapa inaugurou, em São Carlos, o Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre). Local utilizado para pesquisar e desenvolver equipamentos, sensores, componentes mecânicos e eletrônica embarcada.

Nos dias 12 a 16 de maio ocorreu a III Convenção da Rede de Agricultura de Precisão, que reuniu representantes de 20 centros de pesquisa da Embrapa e cinco institutos públicos e privados. Martin Neto afirma que “O trabalho conjunto entre a iniciativa privada e a instituição de pesquisa é o que aconteceu no mundo e alavancou o desenvolvimento”. Para ele “tão importante quanto o desenvolvimento do melhoramento genético é a geração de ferramentas tecnológicas para o produtor utilizar”. Quanto ao emprego da agricultura de precisão “A Embrapa tem que apostar no futuro e investir, desenvolver tecnologias e pesquisas que possam ser utilizadas pelo setor produtivo, porque é ele quem decide o que vai ser apropriado”.

Dessa forma, é possível identificar uma área onde os(as) Engenheiro(as) de Biossistemas pode(m) atuar, observando-se que esses profissionais são extremamente capacitados nas diversas áreas relacionadas à produção de alimentos.

Mais informações em:

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/1709791/automacao-e-tecnologias-de-precisao-sao-imprescindiveis-para-a-agricultura-do-futuro

 

Empreendedorismo na Engenharia de Biossistemas

“Para o empreendedor, o ser é mais importante que o saber.” (O segredo de Luísa, Fernando Dolabela). Dessa forma começamos um assunto que é de extrema importância, empreendedorismo, o qual se tornou o melhor meio para gerar novos empregos e para se conseguir um emprego.

ImageNessa publicação a equipe do Portal Biossistemas traz uma entrevista com o professor doutor Celso da Costa Carrer, o qual tem experiência como empresário e gestor de vários empreendimentos na área do agronegócio. Atualmente é professor associado, na área de especialização de Empreendedorismo, pelo Departamento de Engenharia de Biossistemas. 

O Empreendedor hoje pode ser definido como o “motor da economia”, uma pessoa responsável por mudanças.  Filion (1991) dizia que “Um empreendedor é a pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões”.

De acordo com o prof. Celso Carrer a melhor forma de empreender envolve estratégia para a mitigação de riscos do negócio. Sendo preciso que o candidato a empreender passe por duas principais fases, segundo referenciais teóricos: conceitual e racional. Na primeira ele identifica ou cria uma oportunidade, na segunda ele estrutura um plano de negócios (o Engenheiro de Biossistemas aprende a fazer o plano de negócios). Em cada etapa existe uma demanda específica em termos de formação para empreender.

Ainda existe uma fase chamada pré-conceitual e que envolve características diferentes das outras duas fases. Se na fase conceitual a pergunta que o empreendedor responde é sobre “o que fazer” e na fase racional é sobre o “como fazer”, na fase pré-conceitual ele precisa responder afirmativamente a pergunta “fazer ou não fazer”. Para se conseguir responder é necessário buscar conhecimento aprofundado sobre o mercado em que se pretende ingressar, fazendo assim uma análise e verificando se o negócio é viável ou não, após isso se estrutura um plano, o qual tem como objetivo simular o funcionamento da empresa antes da decisão de constituí-la. A partir dessas respostas, diminui-se os riscos de uma decisão de “fazer” quando o desejável seria “não empreender”.

Uma boa tática para o empreendedor é utilizar a inovação como diferencial competitivo, assim como que seu empreendimento fiquei alocado em uma incubadora, de preferência de natureza universitária. As incubadoras de empresas são espaços que permitem o aprimoramento do perfil empreendedor através de contínua assistência de especialistas em negócios, além de proporcionar oportunidades de geração de spin-offs no ambiente científico/tecnológico.

E o Engenheiro de Biossistemas tem potencial para ser um empreendedor? O professor Carrer diz que sempre acreditou que o Engenheiro de Biossistemas deveria possuir em um dos seus principais eixos de formação uma visão elaborada, para saber transformar conhecimento em sua área de especialização, para atendimento de demandas inovadoras no mercado em que atuará.  A formação tecnicista recebida durante os 5 anos de faculdade pode abrir um potencial enorme para que sejam produzidas soluções de mercado para diversas áreas do agronegócio. Há também implícito a inovação recebida, que precisa ser complementada com uma visão de negócios.

E mesmo para o profissional formado que não venha a abrir o seu próprio negócio é de extrema importância que tenha um comportamento empreendedor bem desenvolvido, visto que as empresas hoje estão recrutando esse tipo de profissional, pois essa postura faz toda a diferença para que o colaborador tenha sucesso em sua futura carreira, sendo o foco de seleção das empresas. O professor diz que em sua opinião este aprendizado deveria vir permeado durante todo o programa de disciplinas do curso da Engenharia de Biossistemas, além de disciplinas aplicadas mais no final do período.

Vendo a grande importância do empreendedorismo, o governo gera alguns incentivos para quem quer começar um negócio, que passam hoje pela priorização de políticas que objetivam a adoção da inovação pelos empreendedores. Ficou constatado através dos resultados alcançados nos centros econômicos, historicamente mais dinâmicos que o surgimento de empreendimentos inovadores apresentam maiores chances de sobrevivência e sucesso para seus projetos. Tais empreendimentos são de grande base tecnológica, conhecimento e mão de obra especializada, gerando assim maior chance de competição para empresas que iniciam suas atividades.

Existem vários programas que financiam a inovação para empresas nascentes que podem ser encontrados nos Editais das principais financiadoras tais como a FAPESP (PIPE), CNPq (RHAE), FINEP e BNDES (FUNTEC). Cada um destes programas possui um objetivo de incentivo à geração de empresas inovadoras, e para quem tenha foco na inovação, podem injetar recursos não reembolsáveis. E esse auxílio público tem como proposição gerar investimentos/empregos/renda/consumo.

Outro foco dos programas de incentivo à inovação é diminuir os riscos originados de uma competição desigual de mercado, em função das grandes diferenças de escala entre empresas já consolidadas e as nascentes.

Uma recomendação que o professor Celso Carrer propõe é que cada uma das linhas de apoio existentes sejam cuidadosamente analisadas nos Editais das páginas financiadoras, para que os Engenheiros de Biossistemas pratiquem a ação de capturar oportunidades. Independentemente da intenção (empreender ou não), este é um exercício que pode abrir portas importantes no mercado de trabalho para os futuros engenheiros.