Tecnologia utilizada na exploração de Marte pode ajudar os agricultores brasileiros

Pesquisadores brasileiros, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA)  instrumentação e da Universidade de São Paulo (USP) do campus de São Carlos, pretendem reproduzir a tecnologia desenvolvida pela NASA na exploração de Marte, em solos paulistas.

A intenção é criar um robô análogo ao Curiosity (“Jipe-robô da NASA”), que foi responsável por realizar as análises de solo e rochas do planeta Marte in loco.

“Ele poderá medir a quantidade de matéria orgânica do solo, sua umidade e fertilidade, bem como fazer análise nutricional das plantas e até detectar doenças”, explica a professora Débora Milori, pesquisadora do laboratório de óptica e lasers da Embrapa em entrevista para a Folha de São Paulo. “Se a NASA mandou um equipamento desses para Marte, não vejo porque a gente não conseguiria fazer trabalho de campo com ele aqui na Terra. Com certeza vai ser menos complexo, até porque não precisaremos protegê-lo do impacto do pouso.” Completa a professora.

O robô da NASA utiliza a técnica conhecida como espectroscopia de emissão com plasma induzido por laser (Libs na sigla em inglês) na verificação de elementos como ferro, carbono e alumínio das rochas marcianas. O protótipo construído pela EMBRAPA é o primeiro a utilizar está técnica no Brasil.

No robô, um laser pulsado é focalizado em amostras de folhas ou do solo. O local é aquecido e a temperatura chega aos 50.000 Kelvins (K). O efeito térmico provoca uma quebra das moléculas presentes no material e uma evaporação, formando assim um plasma, ou seja, uma densa nuvem gasosa de átomos, íons e elétrons. Depois de alguns microssegundos, o plasma esfria para temperaturas da ordem de 5 a 15.000 K e aparecem linhas de emissão de luz características de cada elemento químico presente na amostra. Essa luminosidade é captada por um conjunto de lentes instaladas no equipamento e focadas em um espectrômetro.

No espectrômetro a luz será detectada por um sistema optoeletrônico também presente em câmeras fotográficas digitais para captar as imagens. Conforme o espectro de luz emitido, é possível classificar no aparelho os elementos presentes na amostra, como fósforo, carbono e cobre, por exemplo. “As emissões produzidas pelos átomos e íons representam a impressão digital de cada elemento químico”, diz Débora.

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Fonte: Foto: Débora Milori / Infográfico: Ana Paula Campos / Ilustração: Alexandre Affonso – http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2014/01/072-073_Laser-Embrapa_215.p

 Em setembro de 2013, um pequeno protótipo foi montado e testado em laboratório. “Agora, estamos construindo um robô um pouco maior, robusto o suficiente para ir a campo em terreno acidentado”, explica Débora. O aparelho terá cerca de 1.5 metro de comprimento, 1 de largura e 0.8 de altura.

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Fonte: Foto: Débora Milori / Infográfico: Ana Paula Campos / Ilustração: Alexandre Affonso – http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2014/01/072-073_Laser-Embrapa_215.pdf

Uma versão mais sofisticada da técnica Libs é a com duplo pulso. Neste caso, existe um atraso entre os dois feixes de lasers de nanossegundos a microssegundos. A vantagem sobre o sistema de um pulso, mais utilizado pela comunidade científica, é a possibilidade de aumentar em várias vezes a intensidade do sinal, melhorando o limite de detecção da técnica para quantificação dos elementos. A Embrapa foi a primeira do país a empregar um sistema Libs com duplo pulso com a colaboração do físico Gustavo Nicolodelli.

A vantagem da utilização do Libs, é que não é necessária uma preparação prévia da amostra de solo a ser analisada. A ideia é que o jipe-robô que está sendo desenvolvido em parceria com os engenheiros Marcelo Becker e Daniel Magalhães, da USP de São Carlos, receba também um GPS e use o Libs para examinar tanto a qualidade do solo quanto as necessidades nutricionais de plantas, mapeando esses dados conforme viaja pelas fazendas.

As técnicas de detecção utilizando laser e espectrômetros capazes de analisar rapidamente o conteúdo atômico e molecular de diversos tipos de amostras têm ganhado cada vez mais espaço principalmente na agricultura. (ver publicação https://portalbiossistemas.wordpress.com/2014/07/08/scio-um-sensor-de-bolso-que-pode-mudar-nossa-visao-do-mundo/). A análise com laser se insere dentro do conceito de agricultura de precisão, que utiliza cada vez mais instrumentos e recursos da tecnologia da informação como computadores, GPS e redes sem fio para implementar melhorias no âmbito da produção agrícola. 

Referências:

http://www.folhabaiana.com/noticias/robos-e-drones-chegam-ao-campo/

http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2014/01/072-073_Laser-Embrapa_215.pdf

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/12/1386059-jipe-robo-investiga-composicao-do-solo-no-interior-paulista.shtml

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SCiO, um sensor de bolso que pode mudar nossa visão do mundo

Keylla Guiguer – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2013/14). Orientada pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

The handheld Scio scanner can detect the molecular makeup of certain objects Foto: http://time.com/87205/scio-scanner/

The handheld Scio scanner can detect the molecular makeup of certain objects
Foto: http://time.com/87205/scio-scanner/

Já pensou em ter em mãos um dispositivo que indique os valores nutricionais de um queijo? Ou que seja capaz de checar se há agrotóxicos em uma maçã? Ou que pode estimar a quantidade de álcool em sua cerveja? Pois o SCiO, um sensor molecular que entrou recentemente em campanha no Kickstarter (um site de financiamento coletivo, que busca apoiar projetos inovadores em geral voltados para tecnologia) quer levar estas e várias outras informações para a tela do seu smartphone.

“Imagine se houvesse uma maneira de saber qual melancia é a mais doce, quando o abacate vai amadurecer, quantas calorias, carboidratos ou proteínas estão em um shake, ou como suas plantas estão crescendo”, diz o co-fundador da Consumer Physics, Damian Goldring. “Imagine se houvesse uma maneira de saber a composição química de tudo o que você entre em contato.”

Mágica? Engenhosidade soa melhor. O que a Consumer Physics – empresa por trás do projeto – fez, foi criar um espectrômetro infravermelho portátil (o sensor pesa 20 gramas e mede 73 x 25 x 16,5 mm), isto é, um pequeno dispositivo que permite a análise da composição de materiais de diversos tipos a partir da medição do espectro da luz incidente.

Para descobrir a composição molecular de qualquer coisa, os cientistas têm um grande aliado: o espectrômetro. Este dispositivo mede com precisão o comprimento das ondas de luz refletidas pelo objeto estudado. Dado que cada molécula reage à luz de forma diferente, é possível estimar a composição do objeto apenas analisando seu espectro.

Em geral, espectrômetros têm o tamanho de um laptop e custam muito caro. Mas uma equipe de cientistas e engenheiros de instituições líderes, como MIT (Massachusetts Institute Technology) e Harvard criaram esta versão em miniatura de um espectrômetro, denominado SCiO.

O SCiO funciona assim: com sua fonte de luz ele ilumina o objeto a ser analisado, a luz refletida é então coletada pelo espectrômetro que envia as informações via Bluetooth para seu smartphone, os dados são enviados para a nuvem, e retornam uma análise “dentro de segundos” para seu smartphone, mostrando a composição do objeto analisado. O objeto será analisado de acordo com informações contidas em um banco de dados de assinaturas espectrais cadastradas, exibindo as informações de uma maneira fácil de entender. Por sua vez, as informações fornecidas pelos usuários em todo o mundo poderão ajudar a completar o banco de dados de assinatura espectral. Esta tecnologia tem sido padrão da indústria há décadas no controle de qualidade de óleos, esgotos ou produtos químicos. Mas o SCiO é o primeiro espectrômetro portátil para os consumidores, e oferece muito mais versatilidade de aplicação. O produto foi testado em demonstrações ao vivo com alta precisão.

O dispositivo é compatível com iOS e Android 4.3 ou superior e requer um aplicativo específico para funcionar. O smartphone necessita ter também, Bluetooth 4.0 LE para se comunicar com o SCiO. A bateria do dispositivo pode ser recarregada por microUSB e promete autonomia de até uma semana.

“A primeira aplicação é para os consumidores interessados em saber o valor nutricional do que estão comendo”, disse à CNN, Dror Sharon, CEO de Consumer Physics. “Muitas vezes eu encontro pessoas que não sabem o que está no queijo, frutas e legumes e têm dificuldade em discernir o que devem comer”.

“Eu acho que isso pode capacitar as pessoas que querem mudar sua alimentação, seja por razões médicas ou treinamento, e pode ser educativo em nos ensinar a fazer as melhores escolhas nutricionais”, disse Dror Sharon.

Os usos não acabam com a comida. Aplicativos estão disponíveis para analises médicas ou na aferição da saúde de plantas domesticas. SCiO poderá ser também uma ferramenta de proteção para “clubbers” interessados em verificar se a sua bebida foi alterada, ou pacientes que desejam saber se suas pílulas possuem composição como anunciado.

Ainda não dá para saber se os dados são de todo confiáveis, mas muita gente está disposta a arriscar: a campanha, que tem meta de US$ 200 mil, arrecadou mais de US$ 1 milhão no Kickstarter .

Por que é legal? Porque o SCiO dá informações “mastigadas” e quase em tempo real sobre vários tipos de materiais.

Por que é inovador? A invenção precisa apenas de um pequeno espectrômetro e de um smartphone para funcionar.

Por que é vanguarda? O SCiO coloca nas mãos de qualquer pessoa informações que, via de regra, exigem equipamentos mais sofisticados ou mesmo análises em laboratório.

Vale o investimento? Para quem vê utilidade neste tipo de análise, com certeza: o SCiO custa a partir de US$ 199 mais US$ 15 de frete para quem estiver fora dos Estados Unidos. O envio começará em janeiro de 2015.

E você, o que acha dessa nova invenção, como ela poderia ser utilizada por nós engenheiros de Biossistemas, em diferentes áreas?

Referências:

http://time.com/87205/scio-scanner/

http://edition.cnn.com/2014/05/02/tech/innovation/molecular-sensor-fits-in-your-hand/

As mudanças na utilização do solo e suas consequências na agropecuária brasileira

Keylla Guiguer – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2013/14). Orientada pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

Artigo publicado na revista Nature Climate Change analisa mudanças no padrão brasileiro de uso do solo nos últimos 20 anos e ressalta "comoditização" da agricultura (foto:Margi Moss/Projeto Brasil das Águas)

Artigo publicado na revista Nature Climate Change analisa mudanças no padrão brasileiro de uso do solo nos últimos 20 anos e ressalta “comoditização” da agricultura (foto:Margi Moss/Projeto Brasil das Águas)

A agropecuária brasileira vem sofrendo profundas mudanças nas últimas 2 décadas, principalmente em sua relação com o solo, consequência das novas políticas ambientais e da “comoditização” da produção rural brasileira. Estamos mais sustentáveis, produtivos, porém as terras continuam na mão de poucos e os pequenos agricultores têm trocado o campo pela cidade.

Todos estes dados foram mostrados no artigo “Pervasive transition of the Brazilian land-use system” de David Montenegro Lapola, professor do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro e autor principal do artigo que foi destaque na capa da edição de janeiro da revista Nature climate change. O artigo também teve a participação de outros 15 pesquisadores, todos eles brasileiros. As conclusões foram frutos da análise de mais de cem estudos publicados nos últimos 20 anos.

A boa notícia é que segundo os autores, ocorreu nos últimos 10 anos uma dissociação entre expansão agrícola e desmatamento no país, a questão desmatamento é associada ao efeito-estufa que resultou em queda nas emissões totais de gases. Esse fenômeno, segundo os autores, pode ser atribuído tanto a políticas públicas dedicadas à conservação da mata como à “profissionalização” do setor agropecuário, cada vez mais voltado ao mercado externo.

O fato de que a agropecuária brasileira está se tornando cada vez mais intensiva (em insumos e maquinário) e voltada para o mercado internacional parece estar atuando para reduzir a correlação entre a expansão espacial da agropecuária e o desmatamento.

A intensificação porém não resulta apenas da livre operação das forças de mercado, isto é, apenas da expansão da demanda internacional por commodities agrícolas, carne e soja, especialmente. Resulta também da política pública brasileira, especificamente, a criação de áreas protegidas, o monitoramento e punição do desmatamento ilegal, inclusive com restrições à tomada de crédito. Nos últimos dez anos, não só as barreiras legais ao desmatamento foram ampliadas, mas também o aparato institucional necessário para fazer com que as leis ambientais sejam cumpridas.

“Os dados mostram, em 1995, um pico de expansão na agricultura coincidindo com um pico de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Isso volta a ocorrer entre os anos de 2004 e 2005, quando também houve pico de crescimento do rebanho bovino do Brasil. Após esse período, porém, a expansão agropecuária se desacoplou do desmatamento, que vem caindo em todos os biomas brasileiros”, disse Lapola à Agência FAPESP.

 “As culturas que mais cresceram são as voltadas ao mercado externo, como soja, milho, cana-de-açúcar e carne. É o que chamamos no artigo de “comoditização” da agropecuária brasileira. De olho no mercado estrangeiro, o setor passou a se preocupar mais com os passivos ambientais incorporados em seus produtos. O mercado europeu, principalmente, é muito exigente em relação a essas questões”, avaliou David Montenegro Lapola, professor do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro e autor principal do artigo.

Os avanços das culturas de soja e cana sobre áreas antes usadas como pastagens têm mudado o padrão de uso do solo e surtem efeito positivo no clima local. Em regiões de Cerrado no norte de São Paulo, por exemplo, foi registrada uma redução na temperatura de 0,9° C.“A maior cobertura vegetal aumenta a evapotranspiração, libera mais água para a atmosfera e acaba resfriando o clima localmente. Mas a temperatura ainda não voltou ao que era antes de ocorrer o desmatamento para dar lugar ao pasto. Nessa época, o aquecimento local foi de 1,6° C”, disse Lapola.

A notícia ruim fica por conta do aumento do exôdo rural nas últimas décadas como efeito da “comoditização” e intensificação da agropecuária brasileira.

A intensificação e a orientação exportadora se consubstanciam em um modelo produtivo de larga escala, ou seja, latifúndios monocultores, cujo estabelecimento resulta no êxodo rural de pequenos e médios produtores.

Um dos impactos é a redução do número de minifúndios (i.e., estabelecimentos agropecuários de pequeno porte) em um número absoluto de 470.000. Esta magnitude é relevante tanto por conta do número de pequenos produtores cujas condições de vida foram potencialmente modificadas como pelo fato de que tais produtores são responsáveis por proporção dominante da produção das cultu ras que constituem os itens básicos da dieta brasileira (arroz, feijão, milho, mandioca).

Em locais onde a produção de commodities predomina, onde atualmente apenas 15% da população brasileira vive na zona rural. “Essa migração causou mudança desordenada de uso do solo nas cidades. O resultado foi o aumento no número de favelas e outros tipos de moradias precárias”, afirmou Lapola.

Novo paradigma

No artigo, os autores defendem o estabelecimento no Brasil de um sistema inovador de uso do solo apropriado para regiões tropicais. “O país pode se tornar a maior extensão de florestas protegidas e, ao mesmo tempo, ser uma peça-chave na produção agrícola mundial”, defendeu Lapola.

Entre as recomendações para que esse ideal seja alcançado os pesquisadores destacam a adoção de práticas de manejo já há muito tempo recomendadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), como o plantio na palha, além do fortalecimento do Código Florestal (que estabelece limites de uso da propriedade) e a adoção de medidas complementares para assegurar que a legislação ambiental seja cumprida.

Os autores também apontam a necessidade de políticas públicas – entre elas a reforma agrária – que favoreçam um modelo de agricultura mais eficiente e sustentável. “Até mesmo alguns grandes proprietários não têm, atualmente, segurança sobre a posse da terra. Por esse motivo, muitas vezes, colocam meia dúzia de cabeças de gado no terreno apenas para mostrar que está ocupado. Mas, se pretendemos de fato fechar as fronteiras do desmatamento, precisamos aumentar a produtividade nas áreas já disponíveis para a agropecuária”, concluiu Lapola.

A pergunta a ser respondida é: Será que é possível orientar a produção agropecuária brasileira de maneira produtiva, sustentável e ao mesmo tempo mais inclusiva?

Referências:

http://agencia.fapesp.br/18569#.UvDWomMyXx0.facebook

http://www.nature.com/nclimate/journal/v4/n1/full/nclimate2056.html

USP de Pirassununga forma 1° Turma de Engenharia de Biossistemas

Por José Arthur Z. de Paula e Keylla Guiguer – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2013/14). Orientada pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

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Plantio da árvore: Ipê Rosa da I turma de Engenharia de Biossistemas

No dia 8 de fevereiro de 2014, aconteceu a cerimônia de colação de grau dos alunos das primeiras turmas dos cursos de Engenharia de Biossistemas e Medicina Veterinária da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), localizada no campus da USP de Pirassununga. Ambas as turmas ingressaram na FZEA no ano de 2009, ano de implementação de ambos os cursos. A solenidade ocorreu no Centro de Convenções Prof. Fausto Victorelli, localizado também em Pirassununga-SP.

O curso de Engenharia de Biossistemas localizado na FZEA é oferecido em período integral, com duração mínima de 10 semestres, carga horária de 4275 horas e tem 60 novas vagas por ano. Foi o primeiro da América Latina, mas hoje já é oferecido também na Universidade Federal de Campina Grande, no campus de Sumé na Paraíba e mais recentemente na Unesp – Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita Filho” – Campus de Tupã, iniciado em março deste ano. Também é oferecida pela Universidade Federal de São João Del Rei em Minas Gerais, com o nome de Biossistemas.

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Formatura da I Turma de Engenharia de Biossistemas

O Engenheiro de Biossistemas vivenciou nestes cinco anos de caminhada ao longo da vida universitária experiências indescritíveis para serem colocadas apenas em palavras, porém, sem dúvida, memoráveis para o resto da vida de cada colega que assim a viveu. A resposta para todas as perguntas dos familiares e amigos, de porque a escolha da Engenharia de Biossistemas não é facilmente respondida em alguns simples meses após o inicio do curso em 2009 e ainda não se faz após o ingresso no mercado de trabalho. A combinação perfeita entre tecnologia e agronegócio ainda não foi totalmente difundida entre as empresas e até mesmo nos meios acadêmicos, se tornando um dos principais aspectos da missão deste portal e dos alunos do curso.

A formatura de um aluno de graduação possui diversos pontos de vista que variam entre àqueles amigos que querem apenas mais uma festa para curtir com a turma toda; a família, que fica emocionada com o evento e empolgada com o fato de o filho estar se formando na universidade; os professores, que enxergam o acontecimento como mais um ciclo que está terminando e os próprios formandos que percebem que uma nova etapa esta só começando, que todos os problemas enfrentados foram vencidos, superados ou então serão recordados para que não se repitam. As vitórias foram inúmeras e diversificadas, resultando em um crescimento pessoal com experiências acadêmicas e profissionais levadas ao extremo que carregarão seu peso e sua importância para o resto de nossas vidas.

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O brinde

A primeira turma de Engenharia de Biossistemas da América Latina se formou com louvor, com direito a musica temática: “We Are The Champions”, sugerida pelo Diretor em exercício da Faculdade. Foi feita assim história baseando-se em vivências diversas, experiências incríveis de tristeza, ódio e acima de tudo satisfações e felicidades, fechando apenas um período de muitos que ainda estão por vir, de cabeças e pluralidades que compõem a imagem da Engenharia de Biossistemas.

E a formatura da primeira turma de Engenharia de Biossistemas trouxe também boas notícias aos demais alunos do curso, pois no mês de abril alunos, professores e funcionários da FZEA, receberam com muita alegria a notícia do reconhecimento do Curso de Engenharia de Biossistemas.

Abaixo, na íntegra, é reproduzida a nota do Diretor da FZEA Prof. Dr. Paulo José do Amaral Sobral, para toda a comunidade da FZEA-USP:

Parecer CEE 02/2014 – Reconhecimento – Engenharia de Biossistemas

Senhores docentes e alunos de graduação da FZEA:

O Diretor da FZEA, Prof. Dr. Paulo José do Amaral Sobral, tem a satisfação de comunicar o Reconhecimento do nosso Curso de Engenharia de Biossistemas, agradecendo e parabenizando toda a Comunidade desta Unidade, principalmente a equipe que trabalhou para que esta conquista fosse alcançada.

O Portal Biossistemas deseja sucesso a todos os formandos da I turma de Engenharia de Biossistemas da América Latina!

Plantio orientado por dados, vem aí a nova revolução agrícola

Keylla Guiguer – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2013/14). Orientada pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

Uma nova revolução agrícola está prestes a acontecer e a Engenharia de Biossistemas parece ter papel fundamental nesta mudança. Segundo especialistas das principais indústrias de agronegócios do mundo, a nova revolução virá da capacidade de armazenamento de dados pelas novas maquinas agrícolas e posterior processamento por computadores e softwares potentes que orientarão aos agricultores para aumentar a produtividades de culturas como milho e soja.

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Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo

Multinacionais como a Monsanto e DuPont  estão trabalhando para lançar a nova tecnologia, descrita como “plantio orientado por dados”, para agricultores em todos os EUA que conhecem, de anos de experiência, que pequenos ajustes na profundidade de semeio ou a distância entre linhas podem fazer uma grande diferença na época da colheita. No entanto, os agricultores têm se mostrado relutantes em difundir este conhecimento.

De acordo com uma matéria publicada em fevereiro deste ano pelo The Wall Street Journal, o medo dos agricultures é de que as informações e dados passados as grandes companhias passem a ser comercializadas para concorrentes, ou que até mesmo essa grande quantidade de informação fortaleça ainda mais as grandes empresas do agronegócio, principais entusiastas da nova tecnologia.

A matéria mostra ainda que muitos tratores e colheitadeiras já são guiados por sistemas de posicionamento global via satélite (GPS) e plantam sementes em linhas cada vez mais retas, enquanto os agricultores, dispensados da tarefa de dirigir as máquinas, monitoram o trabalho em tablets, hoje comuns nas cabines de tratores. Essas máquinas também coletam dados do solo e das lavouras, mas a informação não vem sendo utilizada em todo o seu potencial.

A ideia é acelerar, simplificar e combinar todas essas informações com seus registros altamente detalhados de padrões climáticos históricos, topografia e desempenho das culturas. Algoritmos e especialistas analisam todos esses dados e podem dar instruções diretamente aos agricultores e as máquinas. Os defensores dizem que o impulso pode ser tão importante quanto o desenvolvimento de tratores mecanizados na primeira metade do século 20 e do aumento de sementes geneticamente modificadas na década de 1990. Maior empresa de sementes do mundo, a Monsanto, estima que o  plantio baseado em dados poderia aumentar a produção agrícola em todo o mundo em cerca de US$ 20 bilhões por ano, ou cerca de um terço do valor da safra do ano passado de milho dos EUA.

A tecnologia funciona da seguinte maneira:

Primeiro, os agricultores enviam as empresas dados detalhados sobre sua plantação, como limites da área, histórico de rendimento, condições do solo entre outros. Estes, por sua vez, são processados nas empresas, cruzando os dados enviados pelo agricultor com os da própria empresa, que também detém informações sobre o clima e outros fatores, gerando desta forma um arquivo. Este arquivo pode ser enviado os produtores, que de sua posse, podem fazer um upload para suas máquinas, que agora irão realizar seu trabalho baseado nestas informações. Deste modo, as empresas, se tornam capazes de aconselhar os agricultores na gestão de suas plantações.

Desde 2010, a Monsanto vem testando um serviço de plantio guiado pela tecnologia chamado FieldScripts. Ela está começando este ano a oferecê-lo nos Estados de Illinois, Iowa, Minnesota e Indiana, quatro dos maiores produtores de milho dos EUA.

Muitos agricultores que utilizaram o plantio guiado por dados estão entusiasmados com os resultados. David Nelson, um fazendeiro de Fort Dodge, Iowa, que começou a testar o sistema FieldScripts cerca de três anos atrás, diz que o sistema reconheceu nutrientes no solo em área previamente usada em confinamento de gado.

A conclusão foi baseada em mapas de fertilidade e amostras de solo recolhidas pelo Sr. Nelson, de 39 anos. O sistema da Monsanto informou que o solo permitiria cultivar linhas mais densas do milho, e FieldScripts ajudou o Sr. Nelson aumentar sua colheita de milho no ano de 2013.

“Eu vejo isso como outro potencial de transformação da empresa”, diz Robert Fraley, diretor de tecnologia da Monsanto, sediada em St. Louis. Ele ajudou a desenvolver primeiras sementes geneticamente modificadas da Monsanto no início de 1980.

Algumas entidades, no entanto, desconfiam destes projetos. A American Farm Bureau Federation, uma associação comercial de produtores dos EUA, alertou seus membros de que as empresas de agronegócios promovendo os novos serviços de plantio têm interesse em convencer os agricultores a plantar mais e orientá-los a comprar sementes, pesticidas e equipamentos.

Uma razão para essa desconfiança é o aumento dos preços de sementes observado à medida que a participação de mercado da Monsanto e da DuPont aumentou nos últimos 15 anos, principalmente por meio de aquisições. Essas duas empresas vendem cerca de 70% de todas as sementes de milho nos EUA. No ano passado, o agricultor americano pagou por sementes de milho cerca de US$ 292 por hectare, enquanto que em 2005, o valor foi de cerca de US$ 111, ajustados pela inflação, ou seja, um aumento de 166%, segundo a Universidade de Purdue.

Alguns agricultores estudam coletar eles próprios os seus dados para que possam decidir qual informação vender e a que preço. Outros produtores estão se juntando a firmas de tecnologia pequenas para tentar impedir que as multinacionais dominem o segmento de plantio orientado por dados.

A tecnologia parece promissora e promete realmente revolucionar o campo, mas os receios parecem mais do que justificáveis frente a já conhecida política das grandes empresas do ramo, que acabam por gerar uma competição desleal principalmente para os pequenos e médios agricultores. O fato é que os Engenheiros de Biossistemas estarão no meio dessa revolução, utilizando todo seu conhecimento em agricultura de precisão, mecanização agrícola, tecnologia da informação e informática agrícola. Comente, discuta, deixe sua opinião.

Referências:

http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Pesquisa-e-Tecnologia/noticia/2014/03/nova-revolucao-agricola-vira-da-tecnologia.html

http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424052702304450904579369283869192124

A identificação de domínios tecnológicos: o caso da Engenharia de Biossistemas

Keylla Guiguer – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2013/14). Orientada pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

SOCIOTECH

A equipe do Portal Biossistemas traz nesta publicação uma entrevista com os professores Carlos Viegas e Rubens Nunes, do SOCIOTECH (Laboratório de Sociologia e Economia da Ciência e Tecnologia nos Sistemas Agroindustriais). O laboratório foi criado junto ao departamento de Engenharia de Biossistemas da FZEA/USP com o objetivo de aprofundar e estimular as pesquisas e análises econômicas e sociológicas da tecnologia na área de Sistemas Agroindustriais, atividade esta desenvolvida em apenas alguns centros acadêmicos no país, como a Unicamp e a USP.

A primeira atividade do SOCIOTECH foi a organização do seminário “A identificação de domínios tecnológicos: o caso da Engenharia de Biossistemas”, em que forma apresentadas e discutidas as informações de um artigo sobre esse tema elaborado pelos professores. Durante a apresentação foram discutidos diferentes aspectos e conceitos de tecnologia e inovação, seja para a Engenharia de Biossistemas, como para outras áreas do conhecimento. Segundo o prof. Rubens, a definição correta de inovação é muito importante, principalmente em um âmbito político – “Fazer política com uma ideia intuitiva, ou senso comum de inovação, pode acarretar em uma má alocação de recursos a serem investidos”. O docente ainda destacou que a atividade do Engenheiro por si só já é inovadora e que a inovação não deve ser ensinada separada do próprio ensino da Engenharia. Ela será naturalmente fruto da atividade do Engenheiro que possuir uma base sólida de ensino. “Ensine engenharia, que implicitamente você estará ensinando inovação. O estudante deve estar preocupado em aprender à fundo as coisas, para que seja capaz de inovar” afirma.

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Homeopatia na Agricultura – Sustentabilidade aos Biossistemas

Keylla Guiguer – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2013/14). Orientada pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

Aconteceu em Maringá-PR, durante os dias 7 e 8 de setembro de 2013, a II Conferência Internacional de Homeopatia na Agricultura (II CHA).

A I Conferência Internacional de Homeopatia na Agricultura foi realizada no período de 07 a 09 de Outubro de 2011 na pequena vila de Newnham, em Gloucestershire na Inglaterra. Este evento reuniu participantes de 13 países (Inglaterra, Irlanda, Alemanha, Holanda, Itália, Suíça, Grécia, Espanha, África do Sul, Hungria, Paquistão, Índia e Brasil) entre eles, pesquisadores, técnicos, produtores e demais interessados na ciência homeopática aplicada a agricultura. Foram proferidas diversas palestras apresentando resultados de pesquisas, experiências práticas, discussões e debates sobre o uso de homeopatia em plantas.

O segundo evento, desta vez realizado no Brasil, teve como principais objetivos: Conscientizar da importância da homeopatia como meio científico e alternativo na redução do impacto ambiental; Disseminar  resultados de pesquisas científicas acadêmicas e práticas; Difundir o conhecimento da ciência homeopática como ferramenta a ser utilizada em todos os segmentos da agricultura; Trocar experiências e informações entre os participantes (estudantes, profissionais, professores, produtores e interessados) propiciando o desenvolvimento e divulgação de novas tecnologias desenvolvidas nas diversas áreas de atuação da homeopatia.

O tema tem recebido grande atenção no Brasil e no mundo, devido à necessidade de alternativas a crescente utilização de agrotóxicos e suas consequências tanto para saúde humana quanto para o meio ambiente. Desde 2009, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Nos últimos 40 anos, o consumo de pesticidas aumentou 700%, enquanto que a área agrícola aumentou apenas 78%. Deste ponto de vista, a substituição de agrotóxicos convencionais por alternativas menos tóxicas e a adoção de sistemas de produção orgânica mais saudável têm sido bem aceito pela sociedade. No entanto, apesar do crescimento do sistema orgânico no Brasil e no mundo, existem muitas limitações nesse sistema de produção. Atualmente, segundo o Professor Carlos Moacir Bonato (Coordenador da Segunda Conferência), a homeopatia é uma das tecnologias sociais indispensáveis ​​na produção orgânica. Neste artigo você entenderá um pouco mais sobre o tema e sobre alguns dos trabalhos apresentados durante a conferência.

A homeopatia surgiu há mais de 200 anos, inicialmente como técnica terapêutica destinada a tratamento de seres humanos.

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