Aconteceu na FZEA: Diálogos Biossistemáticos

Texto por: Lisiane Brichi e Matheus H. Paes.

Aconteceu na FZEA no último dia 26/08 mais uma edição dos Diálogos Biossistemáticos, contando com a presença dos professores convidados Murilo M. Baesso e Rubens A. Tabile para discussão do tema “Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento”.

Abertura dos diálogos. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

O evento teve início com rápidas apresentações pessoais de ambos os professores, seguidas de uma introdução ao tema do encontro. Em um breve histórico apresentado foi exposto que o sensoriamento remoto surgiu para fins militares, assim como grande parte das tecnologias às quais temos acesso hoje, principalmente com o caso mais popular – a crise dos mísseis em Cuba (1962), no período da guerra fria. Com o acesso a essa tecnologia pela sociedade seu uso teve uma grande expansão, sendo a mesma aplicável para monitoramento de desmatamentos em tempo real, rotas de fenômenos climáticos extremos – o que possibilita a remoção de pessoas de áreas de risco em tempo hábil – estratégias de ocupação de determinado local, localização de pessoas e veículos, dentre outros.

Na agricultura, seus usos mais frequêntes tem sido associados à Agricultura de Precisão (AP), de modo a indicar áreas com deficiências nutricionais, doenças e pragas, estresse hídrico e distinção de características do solo (pela reflectância das plantas ou vegetação de cobertura), além de se conseguir fazer levantamentos topográficos.

Contamos hoje com certa facilidade para executar o sensoriamento remoto. Algumas empresas enxergaram essa tendência no mercado e oferecem serviços de monitoramento/imagens aéreas. Mesmo através do Google é possível dar uma espiada em como está a propriedade ou adquirir imagens de alta resolução por satélite.

As dificuldades existentes

Para o professor Rubens A. Tabile, apesar de todo o avanço tecnológico, novos paradigmas no campo e de crédito rural com taxas convidativas para aquisição de sistemas sofisticados, a maior dificuldade ainda consiste em gerir todo o volume de dados gerados pelos sistemas e analisá-los corretamente em sua variabilidade, pois grande parte dos produtores não domina a tecnologia que o mercado oferece e ainda carecemos de especialistas para suporte nas propriedades rurais. Assim sendo, problemas a mais são gerados ao produtor, pois perde-se tempo tentando compreender o funcionamento do sistema e até o dinheiro investido – caso não se tenha sucesso na empreitada.

Muito se fala à respeito do conservadorismo dos pequenos e médios produtores rurais na adoção de novas técnicas e ferramentas. Um equívoco, pois estes no papel de empreendedores da terra assumem riscos moderados, procuram se informar sobre as tendências e experimentam tecnologias. Entretanto, por vezes este é um grande conhecedor de sua propriedade e da natureza, sabendo onde existe variabilidade da produção em sua área, do comportamento de seus animais apenas pelos barulhos emitidos, da infestação de pragas por talhão, sem que para isso seja necessário o uso de sensores ou de imagens para lhe dar essa informação, conforme destacou o professor Fabrício Rossi em sua fala.

"Convivemos com a cultura de supor que um recurso novo ou a mais poderá ser a solução para um problema", afirma o professor Rubens Nunes. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

“Convivemos com a cultura de supor que um recurso novo ou a mais poderá ser a solução para um problema”, afirma o professor Rubens Nunes. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

Para o professor Rubens Nunes (doutor em Economia), também presente nos Diálogos, deve-se, sobretudo entender qual o negócio – em outras palavras, onde interferir no processo. Se o produtor, com suas técnicas e conhecimentos, persiste na atividade há tanto tempo, é porque entende que os processos e a oferta de uma nova tecnologia (por vezes que faça algo que não podemos, substitua ou facilitem o trabalho humano) podem ser a solução para um problema marginal apenas, não sendo observados ganhos ou mudanças efetivas. Entretanto, o que ainda não percebemos é que o “agricultor tem aversão aos riscos, e por esta razão é necessário ter a dominância plena da tecnologia vendida”, com as palavras do professor.

Explorando novos caminhos

Na abertura de sua fala o professor Celso E. L. Oliveira exemplificou o caso da caneta da NASA, história a qual supõe que a agência espacial americana investiu milhões de dólares para desenvolver uma caneta que funcionasse no ambiente de gravidade zero. Simplificando a operação, os astronaltas Russos escreviam à lápis. O professor levantou também a seguinte questão: o Brasil precisa hoje de lápis ou de caneta?

Uma vez que os pequenos e médios produtores possuem conhecimento de sua propriedade, não seria mais interessante ensiná-los o porquê da variabilidade espacial em sua propriedade, ensinando-os a fazer manualmente os mapas de produtividade para gerar informações mais simples de se entender? Será que a transição direta entre as anotações de lápis e papél, com os conhecimentos empíricos adquiridos ao longo de anos de observação, para sistemas de aquisição de dados sofisticados é o caminho? Poderia haver ações de preparo visando o uso de novos sistemas?

Um exemplo muito interessante para o exposto é o da ação conjunta no monitoramento e combate ao psilídeo (praga que ataca o citrus) no Estado de São Paulo. Através da contagem do número deste inseto em armadilhas instaladas nas propriedades, define-se a necessidade de pulverização de pesticidas ou não, pela taxa de invasão do inseto. Em se fazendo necessário o controle, os produtores da região são avisados através de um sistema simples, em um site da internet. O monitoramento e coordenação das atividades ficam sob a responsabilidade de um único agente, a Fundecitrus.

"Drones são a bola da vez", afirma o professor Rubens A. Tabile. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.).

“Drones são a bola da vez”, afirma o professor Rubens Tabile. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.).

É certo que as tecnologias mudam com o tempo. Acredita-se que a atual onda de difusão de Vants, Drones e Quadcópteros (termos diferentes para dizer uma mesma coisa) seja apenas moda e que daqui alguns anos esta seja substituída outros meios, mais práticos e robustos. Os preços desses equipamentos oferecidos no mercado devem cair e a variedade de aplicações aumentará. Porém, de certo o que não muda nem se barateia é a inteligência aplicada à construção dessas tecnologias. Como o próprio professor Murilo M. Baesso disse, “Tecnologia agrícola existe para todos, mas nem sempre é adequada”.

 E você leitor, para onde acha que vai o georreferenciamento na agricultura? Queremos sua opinião!

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Integração Lavoura-pecuária-floresta e os Engenheiros de Biossistemas

Integração lavoura-pecuária-floresta

Leonardo Magalhães – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2014/15). Orientado pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

Nos últimos anos o Brasil vem recebendo cada vez mais destaque como produtor mundial de alimentos.  Além de liderar a produção em diversos setores, a agricultura brasileira destaca-se também por seus aspectos sustentáveis e ambientais. Ainda que sejam necessários avanços em diversos aspectos, em relação a outros países o Brasil destoa em seu aumento de produção ao mesmo tempo em que avança na proteção ambiental.
Em artigo publicado no site da revista Carta Capital, o economista e ex-ministro Delfim Neto destaca sobre o progresso da agropecuária brasileira: “É importante mostrar que esse imenso progresso tem sido feito com respeito às terras indígenas (584 reservas, que ocupam cerca de 14% do território nacional) e à conservação do meio ambiente (1.098 unidades, ocupando em torno de 17% do território). Quando se descontam algumas coincidências entre os dois conjuntos, chega-se a 247 milhões de hectares, ou seja, 29% do território nacional, sem levar em conta a legislação ambiental que atinge a atividade agrícola privada! Numa imperdível entrevista na Agroanalysis, o doutor Evaristo Miranda, da Embrapa, referiu-se ao registro da International Union for Conservation of Nature (IUCN), segundo o qual “os 11 países com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados existentes no mundo – China, EUA, Rússia etc. (tirando o Brasil) – dedicam apenas 9%, em média, dos seus territórios às áreas protegidas”.

Outro ponto a se destacar nesse processo de produção com conservação brasileiro, é o avanço da utilização da Integração Lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Essa estratégia, desenvolvida pela EMBRAPA e por diversos setores de pesquisa, procura recuperar antigas áreas devastadas de florestas sem perder a motivação e a produção econômica. E como funciona? A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) promove a recuperação de áreas de pastagens degradadas agregando, na mesma propriedade, diferentes sistemas produtivos, como os de grãos, fibras, carne, leite e agroenergia (Fonte: Ministério da Agricultura).
A integração também reduz o uso de agroquímicos, a abertura de novas áreas para fins agropecuários e o passivo ambiental. Possibilita, ao mesmo tempo, o aumento da biodiversidade e do controle dos processos erosivos com a manutenção da cobertura do solo.  Aliada a práticas conservacionistas, como o plantio direto, se constitui em uma alternativa econômica e sustentável para elevar a produtividade de áreas degradadas. No Brasil, segundo dados da Embrapa, 80% da área de pastagem está abaixo de sua produtividade ideal. “O que não pode mais é diminuir a produtividade ou produzir ignorando as consequências para o ambiente”, adverte Luiz Carlos Balbino, pesquisador da unidade de Cerrados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “O Brasil está conseguindo mudar sua imagem com isso. Você desmata e acaba esgotando o solo, deixando a terra improdutiva. O mais importante é que o Brasil tem uma poupança de área para usar sem desmatar”.

O sistema tem sido adotado em todo o Brasil, com maior representatividade nas regiões Centro-Oeste e Sul. Para fomentar a prática, a Embrapa fornece assistência técnica em parceria com entidades locais, como parte da Rede de Fomento da integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Aproximadamente 1,6 a 2 milhões de hectares já utilizam os diferentes formatos da estratégia. Até 2020, o governo pretende que a integração seja adotada em 4 milhões de hectares.

Cabe a profissionais, como os Engenheiros de Biossistemas, desenvolver inovações e aplica-las a esse tipo de produção. Produzir alimentos aliado a outros produtos (como madeira, energia, borracha etc.) necessita utilizar-se de equipamentos multiuso, afinal o produtor precisa manejar os diferentes tipos de produção utilizando-se da menor quantidade de equipamentos possível não apenas para reduzir custos como para otimizar a produção, uma das aplicações por exemplo são dos chamados VANT’s que podem servir ao produtor tanto para monitorar as florestas quanto para observação e controle das lavouras (Conheça mais aqui). Outro ponto necessário a esse tipo de produção são softwares de gestão e análise, para que o produtor consiga controlar as especificidades de cada tipo de produção (como exemplo os softwares de manejo florestal). O Engenheiro de Biossistemas em sua formação possui a capacidade de desenvolver esses equipamentos e softwares além de outras inovações necessárias.

E aí, gostaram do tema? Gostariam de saber mais sobre isso? Leiam abaixo, comentem e voltem sempre ao nosso blog.

SAIBA MAIS: Artigo Delfim Neto na Carta Capital
Conheça as pesquisas da Embrapa sobre esse tema
Site do Ministério da Agricultura sobre a integração Lavoura-pecuária-floresta
Integração aumenta produtividade 

Espaço do leitor:

Folha artificial

A notícia a seguir foi enviada pelo leitor Rodolfo Galo, ela trata do desenvolvimento de uma folha artificial que transforma gás carbônico em oxigênio. Desenvolvida no Royal College of Art em Londres, essa folha pode ajudar a melhorar a qualidade do ar em diversas partes do planeta e contribuir também na exploração espacial. Leia a notícia completa aqui.

A Embrapa e suas novas tecnologias

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), visando a produção de conhecimento científico e desenvolvimento de técnicas de produção para a agricultura e a pecuária brasileira, desenvolveu um Veículo Aéreo não Tripulado (VANT), os chamados drones, a mais nova ferramenta tecnológica desenvolvida pela Embrapa Instrumentação, para levar para a agricultura os avanços da engenharia espacial.

O chefe geral da Embrapa Instrumentação, Luiz Mattoso, conta que, além dos drones, a entidade também desenvolve softwares para a nova tecnologia. Mattoso explica que os drones poderão prever, por exemplo, o aparecimento de pragas.

Imagem– Os drones são o avanço dos aeromodelos, que são a evolução para mapeamento das propriedades rurais. Os softwares farão a interpretação das fotos dos mapas das propriedades, que ajudam a prever produtividade. Os drones sensores podem analisar a fertilidade, podendo ajudar a agricultura de precisão, além de prever pragas. Isso ajudará a monitorar e antecipar problemas da produção – acrescenta.

Segundo o pesquisador da Embrapa, Lúcio André de Castro Jorge, as imagens captadas pelo vant, aliadas a uma boa técnica de geoprocessamento, são capazes de identificar com precisão a existência de pragas e falhas em lavouras, problemas de solo, além de áreas atingidas por erosão e assoreamento de rios.

As imagens coletadas pelos drones são de resolução superior às de satélites e podem ser analisadas com a ajuda de um programa de computador, que indica através de cores específicas os problemas que provocam prejuízos nas lavouras. As imagens mostram doenças, falhas, áreas atacadas com nematóides, plantas daninhas, deficiências hídricas, zoneamento de sítios homogêneos, monitoramento de culturas e estudos de conservação do solo.

A Embrapa também desenvolveu, junto ao Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura, da Universidade Estadual de Campinas (Cepagri/Unicamp), uma nova versão do Sistema Agritempo.

O Agritempo é um sistema de monitoramento agrometeorológico disponível na internet que permite o acesso gratuito às informações meteorológicas e agrometeorológicas de todos os municípios brasileiros. Resultado da parceria entre várias instituições nacionais, é um consórcio que organiza e administra dados de um conjunto de mais de 1.400 estações meteorológicas espalhadas pelo país. Criado em 2003, o sistema está sendo aperfeiçoado para uma versão mais interativa e com funcionalidades que buscam atender aos interesses dos diversos públicos da Embrapa.

Embrapa Informática Agropecuária.

Embrapa Informática Agropecuária.

A pesquisadora da Embrapa Informática Agropecuária Luciana Alvim Santos Romani, líder do projeto, explica que a equipe está desenvolvendo uma plataforma computacional atualizada, aliada a uma interface baseada no conceito de web 2.0, que permite mais flexibilidade no uso dos recursos tecnológicos.

– Além de recursos que vão permitir visualizar melhor o sistema em celulares e tablets, ele será apresentado nos idiomas português, inglês, francês e espanhol, já que também é consultado por usuários internacionais – conta Luciana. Entre os novos recursos tecnológicos, destaca-se o uso de ferramentas de WebGis, que permitem a geração personalizada de uma série de mapas de previsão e monitoramento, além de gráficos de dados históricos, de acordo com critérios selecionados pelo usuário, como período e região desejada. A tecnologia foi avaliada por representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Meio Ambiente, Casas da Agricultura, universidades, institutos de pesquisa e instituições de assistência técnica e extensão rural.

Buscando um volume de produção agrícola que atenda às necessidades da população, o engenheiro de biossistemas se encaixa no desenvolvimento e atuação desses tipos de tecnologias, que envolvem o sistema produtivo do agronegócio. Esse profissional é responsável pela inovação e criação de sistemas que beneficiam e otimizam a produção no campo.

Fonte: Embrapa

Tempo de bons ventos para a agricultura irrigada nacional

Desde os primórdios da humanidade, é possível constatar que a irrigação sempre que utilizada de maneira racional torna-se basicamente um dos meios mais efetivos de se potencializar a produtividade de determinada cultura agrícola. Isto pois, toda vez que bem gerida, a mesma reduz os riscos de quebra de safras pela escassez hídrica, aumentando assim a disponibilidade de produtos e atraindo futuros investimentos ao agricultor que adere este sistema de melhoria. Por este fato então, o governo tem aderido a cada vez mais as técnicas efetivas de zoneamento agrícola, que consiste basicamente num instrumento de gestão de riscos na agricultura, conjuntamente à irrigação.

Interface do CLIMWAT 2.0 para o CROPWAT

Interface do CLIMWAT 2.0 para o CROPWAT

Sendo assim, o Ministério da Integração Nacional, anunciou dia 15 deste mês o lançamento de um sistema de armazenamento de dados com o objetivo de fornecer suporte ao setor discutido então. O nome de tal ferramenta é Sinir, e estará dividida em módulos de maneira a facilitar a implantação da mesma. A proposta é que o Sinir contenha em si informações à cerca da área a ser irrigada, como por exemplo índices de precipitação,  ferramentas de dimensionamento do sistema, informações à cerca da quantidade de energia elétrica disponível e informações econômicas, em auxílio ao produtor que estará a utilizar a técnica irrigante. Dessa forma, O gerenciamento das informações dentro do sistema ficará sobre a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, da Secretaria Nacional de Irrigação e das entidades vinculadas, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).

O mais interessante é que ferramentas para unificar informações a cerca de setores irrigados já existem ao redor do  mundo, e uma delas muito usual foi criada pela FAO (Food and Agriculture Organization) no ano de 2000, e é conhecida como CLIMWAT, utilizada em combinação com o programa de computador CROPWAT. A mesma permite o cálculo das necessidades de água da cultura, abastecimento de irrigação e manejo da irrigação em diversas culturas para uma série de estações climatológicas em todo o mundo.

Logo, vemos então o quão importante é o desenvolvimento de bases como essa, e o quão importante é a qualificação do profissional que cria tais ferramentas. Tendo isto mente, é possível chegar à conclusão que o engenheiro de biossistemas é um dos profissionais mais indicados para projetos como este, uma vez que o mesmo exerce constante contato com o ambiente virtual e com o ambiente vegetal, combinando de maneira efetiva observação, coleta e armazenamento de dados.

Engenheiro(a) de Biossistemas tem mercado para atuar no Brasil?

Estudando Engenharia de Biossistemas na Universidade de São Paulo, na cidade de Pirassununga-SP, e morando em outra cidade, costumo viajar de ônibus no trajeto casa-faculdade, aos finais de semana. Durante essas viagens já escutei alguns graduandos em Engenharia de Biossistemas explicando mais sobre o curso para os passageiros ao seu redor, visto que a palavra Biossistemas causa bastante interesse nas pessoas, por geralmente desconhecerem o seu significado.

Engenharia de Biossistemas.

Explicar o que é o curso de Engenharia de Biossistemas é sempre um grande desafio, pois muitas vezes as pessoas confundem o significado com outros cursos semelhantes, como Engenharia Agrícola, Agronômica, Ambiental, Química, além de Biotecnologia, Zootecnia, Biomedicina e Ciências Ambientais. Vale destacar o seguinte texto que visa expôr formas de se explicar o que é a Engenharia de Biossistemas: Como explicar o que é a Engenharia de Biossistemas.

A outra pergunta que geralmente é feita é sobre a possibilidade de conseguir emprego na área, visto que o curso é relativamente novo, considerando-se outras graduações, como a Engenharia Agrícola e a Zootecnia, por exemplo.  Essa pergunta é também muito importante, e por isso o objetivo do presente texto é sugerir uma abordagem para nortear possíveis respostas sobre empregabilidade para Engenheiros de Biossistemas.

O curso de Engenharia de Biossistemas possui enfoque principal nas quatro seguintes áreas: Agricultura de Precisão, Zootecnia de Precisão, Bioenergia e Biomateriais. Visto que o curso é de Engenharia, a abordagem feita visa o desenvolvimento e manutenção de tecnologias dessas áreas, incluindo a parte de inovação e empreendedorismo. Sobre a empregabilidade, basta destacar as seguintes informações:

  1. Agricultura de Precisão: O Brasil foi o maior exportador mundial de soja, milho, açúcar, café e suco de laranja, na safra 2012/2013.
  2. Zootecnia de Precisão: O Brasil foi o maior exportador mundial de carne de bovinos e carne de aves, no período 2012/2013.
  3. Bioenergia: O Brasil é o maior produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar.
  4. Biomateriais: Apesar de não haver um ranking público sobre produção e exportação de biomateriais, o potencial do Brasil em produzí-los é enorme, visto a grande quantia de resíduos gerados pelas atividades agropecuárias.

O Brasil se destaca pela representatividade mundial em todas as possíveis áreas de atuação dos Engenheiros de Biossistemas, com imenso potencial de crescimento.

Apesar de ocupar a posição de liderança na exportação de muitos produtos agrícolas, sabe-se que a produtividade – isto é, a produção por unidade de área – ainda é muito reduzida para algumas culturas, e portanto existe grande potencial para otimização destas, através da tecnificação dos processos, desenvolvida e implementada por Engenheiros de Biossistemas. Além da produtividade, sabe-se que a qualidade de muitos produtos, como da carne bovina, pode ser elevada através de melhores manejos, certificações e tecnificação dos processos, que também podem ser desenvolvidas por este profissional. Óbviamente o Engenheiro de Biossistemas não atuará sozinho no desenvolvimento do seu trabalho, pelo contrário, espera-se que ele possa participar de um grupo multidisciplinar, conciliando o conhecimento dos diversos profissionais e viabilizando que novas tecnologias possam ser desenvolvidas ou aprimoradas com sustentabilidade.

Da próxima vez que lhe perguntarem sobre a empregabilidade, ou sobre o que o Engenheiro de Biossistemas faz, não se esqueça das quatro áreas de atuação: Agricultura de Precisão, Zootecnia de Precisão, Bioenergia e Biomateriais, assim como da representatividade brasileira nessas áreas, seguida pelo imenso potencial de otimização que ainda carece de profissionais: os Engenheiros de Biossistemas.

A Semana Acadêmica da FZEA/USP e a Engenharia de Biossistemas

Os estudantes da graduação de Engenharia de Biossistemas da Universidade de São Paulo, mais uma vez terão a oportunidade de conhecer empresas e centros de pesquisa  em que poderão trabalhar, através da II Semana Acadêmica da FZEA/USP.

II Semana Acadêmica da FZEA/USP

II Semana Acadêmica da FZEA/USP

A Semana Acadêmica (SEMAC) da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) possui como título Integração Acadêmica no Agronegócio e é um evento desenvolvido especialmente para os alunos de graduação, os quais poderão conhecer um pouco mais sobre as áreas de interesse de seu curso, por meio de palestras de empresários, professores e representantes comerciais, assim como visitas a faculdades e empresas. A SEMAC também é uma ótima oportunidade para o contato com empresas de interesse dos próprios alunos, pois muitas vezes o palestrante é um recrutador ou até mesmo um Diretor Geral da empresa.

Para os alunos de Engenharia de Biossistemas, foram definidos os seguintes blocos: Construções e Ambiência, Energia, Instrumentação Agropecuária e Sustentabilidade. Cada estudante poderá escolher apenas 1 (um) bloco, e o cronograma completo com o detalhamento de cada bloco pode ser acessado em SEMAC – Eng. de Biossistemas. Foram convidadas empresas de diferentes portes para o evento, de forma a enriquecer o aprendizado dos alunos. Citam-se as seguintes empresas: Associação Brasileira de Energia Eólica, para o bloco de Energia; CASE IH, líder no setor de equipamentos agrícolas, para o bloco de Instrumentação Agropecuária; Big Dutchman, maior empresa de fabricação e comercialização de equipamentos para criação de aves e suínos do mundo, para o bloco de Construções e Ambiência; e Rain Bird Brasil, maior fabricante de equipamentos de irrigação no mundo, para o bloco de Sustentabilidade.

O evento ocorrerá entre os dias 21 e 25 de Outubro de 2013, na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, da Universidade de São Paulo, no campus de Pirassununga/SP. As inscrições ocorrerão de 14 a 17 de Outubro, no saguão do Prédio Central da Faculdade, das 11 às 13:30 hrs. Os cursos de graduação envolvidos, além da Engenharia de Biossistemas, são: Engenharia de Alimentos, Medicina Veterinária e Zootecnia. Dada a dimensão e importância do evento, não serão ministradas aulas para a graduação durante esse período.

Engenharia Agrícola e Biológica na University of Illinois at Urbana Champaign

A Engenharia de Biossistemas é um curso ministrado no Brasil a partir do ano de 2009, sendo a Universidade de São Paulo a primeira instituição Sul Americana a oferecê-la como curso de graduação. Apesar do caráter de pioneirismo na América latina, a graduação em Engenharia de Biossistemas já é considerada um curso tradicional em outros países do mundo, como nos EUA, onde localizam-se as Universidades consideradas expoentes na área. De acordo com o ranking da U.S.News & World Report (disponível aqui), as melhores universidades norte americanas que oferecem essa graduação são: Purdue University–​West Lafayette, University of Illinois–​Urbana-​ChampaignTexas A&M University–​College StationIowa State University, North Carolina State University–​Raleigh, entre outras.

A análise da grade curricular do curso de Engenharia de Biossistemas permite entender melhor quais as capacidades do profissional formado, e dessa forma concluir com maior precisão quais as possíveis áreas de atuação dos Engenheiros de Biossistemas no mercado de trabalho. Com a finalidade de expor as capacidades do profissional formado, será analisada a grade curricular desse curso, para a University of Illinois at Urbana Champaign, rankeada como a TOP 2 para o curso de Engenharia de Biossistemas, de acordo com o ranking da U.S.News & World Report. Leia mais deste post

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