A Batalha pela Soja: Alimentação x Energia

Grandes culturas como soja e milho estão muito bem posicionadas no mercado alimentício, como índices fornecidos pela FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) explicitam. Desde 2008, o mesmo órgão já previa que o Brasil mesmo ultrapassaria os Estados Unidos na produção desse insumo agrícola. A problemática básica apenas é que tanto o milho quanto a soja são utilizados atualmente também para produção de biocombustíveis, uma fonte energética que tem cada vez mais ganhado destaque mundial, isto pois as exigências quanto à utilização  de fontes renováveis na produção de combustíveis tem sido crescentes.

sojaNão é de destituir-se que fontes “verdes” sejam altamente recomendadas ao que se remete à diminuição de impactos ambientais, porém através dessas, consequências de cunho social são geradas; neste caso o aumento dos preços dessas fontes alimentícias no mercado. A soja, como a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) afirma, é utilizada na indústria alimentícia para produção de ração animal, extrato solúvel (leite de soja) e massas alimentícias. Logo, destinar boa parte da produção interna e externa para produção de biocombustíveis, significa a redução da incorporação da cultura em questão nos produtos citados anteriormente, e por assim dizer, ocasionar situações que prejudiquem o consumidor. Estima-se que atualmente 80% da produção de biodiesel no país seja realizada por meio da soja, o qual estes 80% representam 10% de toda a produção nacional do grão, segundo Améllio Dall’Agonol, pesquisador da EMBRAPA, o que querendo ou não atrapalha significativamente a exportação da mesma.

Em uma matéria divulgada no portal AgroDebate em 2013, é dito que a Índia, para dar conta do consumo, visa altamente importar a soja brasileira, isto devido a uma baixa na lavoura indiana. Portanto, aumentar o destino da soja para produção de biocombustíveis em território nacional, significa acarretar a falta deste produto num cenário exterior, e por consequência um possível aumento das crises alimentícias em países com alta densidade populacional como a China e a própria Índia. Além disso, acarreta o aumento do desmatamento de regiões como o Cerrado, onde se localiza o Mato Grosso, maior produtor do país, já que para equilibrar a produção de maneira a suprir as necessidades dos dois setores de aplicação é necessário o aumento de área cultivada, como afirma uma matéria divulgada no portal G1 também em 2013.

Sabe-se que a qualidade do biodiesel produzido através da oleaginosa em questão é de muito boa qualidade, o que pesa na hora da escolha da matéria prima verde. Sendo assim, é necessário que se encontre, através de pesquisas, alternativas tão eficazes quanto a utilização da soja na produção de biocombustíveis, e isto já vem sendo realizado. Em 2011, a revista Globo Rural publicou em seu portal a utilização de borra de café para produção de biodiesel, afirmando que através de cerca de 1kg da  mesma é possível extrair até 100 mililitros de óleo, o que geraria cerca de 12 mililitros de biodiesel.

 

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Engenheiro(a) de Biossistemas tem mercado para atuar no Brasil?

Estudando Engenharia de Biossistemas na Universidade de São Paulo, na cidade de Pirassununga-SP, e morando em outra cidade, costumo viajar de ônibus no trajeto casa-faculdade, aos finais de semana. Durante essas viagens já escutei alguns graduandos em Engenharia de Biossistemas explicando mais sobre o curso para os passageiros ao seu redor, visto que a palavra Biossistemas causa bastante interesse nas pessoas, por geralmente desconhecerem o seu significado.

Engenharia de Biossistemas.

Explicar o que é o curso de Engenharia de Biossistemas é sempre um grande desafio, pois muitas vezes as pessoas confundem o significado com outros cursos semelhantes, como Engenharia Agrícola, Agronômica, Ambiental, Química, além de Biotecnologia, Zootecnia, Biomedicina e Ciências Ambientais. Vale destacar o seguinte texto que visa expôr formas de se explicar o que é a Engenharia de Biossistemas: Como explicar o que é a Engenharia de Biossistemas.

A outra pergunta que geralmente é feita é sobre a possibilidade de conseguir emprego na área, visto que o curso é relativamente novo, considerando-se outras graduações, como a Engenharia Agrícola e a Zootecnia, por exemplo.  Essa pergunta é também muito importante, e por isso o objetivo do presente texto é sugerir uma abordagem para nortear possíveis respostas sobre empregabilidade para Engenheiros de Biossistemas.

O curso de Engenharia de Biossistemas possui enfoque principal nas quatro seguintes áreas: Agricultura de Precisão, Zootecnia de Precisão, Bioenergia e Biomateriais. Visto que o curso é de Engenharia, a abordagem feita visa o desenvolvimento e manutenção de tecnologias dessas áreas, incluindo a parte de inovação e empreendedorismo. Sobre a empregabilidade, basta destacar as seguintes informações:

  1. Agricultura de Precisão: O Brasil foi o maior exportador mundial de soja, milho, açúcar, café e suco de laranja, na safra 2012/2013.
  2. Zootecnia de Precisão: O Brasil foi o maior exportador mundial de carne de bovinos e carne de aves, no período 2012/2013.
  3. Bioenergia: O Brasil é o maior produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar.
  4. Biomateriais: Apesar de não haver um ranking público sobre produção e exportação de biomateriais, o potencial do Brasil em produzí-los é enorme, visto a grande quantia de resíduos gerados pelas atividades agropecuárias.

O Brasil se destaca pela representatividade mundial em todas as possíveis áreas de atuação dos Engenheiros de Biossistemas, com imenso potencial de crescimento.

Apesar de ocupar a posição de liderança na exportação de muitos produtos agrícolas, sabe-se que a produtividade – isto é, a produção por unidade de área – ainda é muito reduzida para algumas culturas, e portanto existe grande potencial para otimização destas, através da tecnificação dos processos, desenvolvida e implementada por Engenheiros de Biossistemas. Além da produtividade, sabe-se que a qualidade de muitos produtos, como da carne bovina, pode ser elevada através de melhores manejos, certificações e tecnificação dos processos, que também podem ser desenvolvidas por este profissional. Óbviamente o Engenheiro de Biossistemas não atuará sozinho no desenvolvimento do seu trabalho, pelo contrário, espera-se que ele possa participar de um grupo multidisciplinar, conciliando o conhecimento dos diversos profissionais e viabilizando que novas tecnologias possam ser desenvolvidas ou aprimoradas com sustentabilidade.

Da próxima vez que lhe perguntarem sobre a empregabilidade, ou sobre o que o Engenheiro de Biossistemas faz, não se esqueça das quatro áreas de atuação: Agricultura de Precisão, Zootecnia de Precisão, Bioenergia e Biomateriais, assim como da representatividade brasileira nessas áreas, seguida pelo imenso potencial de otimização que ainda carece de profissionais: os Engenheiros de Biossistemas.

Precisando de consultoria? Procure um Engenheiro de Biossistemas

Dúvidas do seu negócio? Imagem retirada do Google.

Dúvidas do seu negócio?

Está passando por problemas na sua produção agropecuária?

Deseja aprimorar o projeto de energia da sua  propriedade?

Quer automatizar suas estufas ou galpões de criação?

Pretende aumentar a produtividade do seu negócio?

Você precisa de soluções inteligentes e comprometimento?

O que você precisa é de uma boa consultoria. Não sabe quem procurar?!

Não se preocupe! Procure um Engenheiro de Biossistemas e encontre a solução apropriada para maximizar sua produção e aumentar seu lucro.

A Engenharia de Biossistemas é uma engenharia multidisciplinar, que envolve principalmente as áreas de exatas e biológicas, passando por algumas matérias de humanas que são importantes para o desenvolvimento profissional e pessoal de qualquer engenheiro. Com tanto conteúdo o Engenheiro de Biossistemas é preparado para buscar soluções eficientes para produção agropecuária integrando conhecimento e tecnologia. Dentre todas as atuações do profissional, ele encontra também na consultoria, um ótimo mercado de trabalho.

Dinheiro pode dar em árvore! É só plantar direito. Imagem retirada do google.

Dinheiro pode dar em árvore! É só plantar da maneira correta.

O Engenheiro de Biossistemas além de criar novas tecnologias também é capaz de identificar problemas e propor soluções inovadoras para o sistema produtivo pensando sempre na sustentabilidade, redução de gastos e perdas durante o processo produtivo e claro maximizar a produção visando o aproveitamento máximo dos recursos disponíveis.

A consultoria é um serviço que está crescendo a cada dia tanto no setor empresarial quanto no agropecuário. Tomar decisões e escolher a melhor estratégia para o sucesso do negócio é uma atividade complexa que exige diversas habilidades do profissional envolvido, pois uma escolha pode trazer o sucesso ou fracasso de qualquer empreendimento.

Consultoria é a atividade profissional de transferência de conhecimentos contratada para formulação de diagnósticos ou soluções para necessidades específicas do cliente. Dessa maneira o consultor contratado tem grande responsabilidade sobre suas atitudes perante o serviço prestado.  Nesse sentido, características como competência, compromisso e conhecimento devem ser inerentes a um bom consultor.

Quer aumentar sua produtividade? Consulte um Engenheiro de Biossistemas.

Quer aumentar sua produtividade? Consulte um Engenheiro de Biossistemas.

O cliente que deseja contratar esse serviço encontra no Engenheiro de Biossistemas um profissional completo que é capaz de resolver problemas complexos juntando todas as características indispensáveis de um bom consultor sendo, deste modo, o responsável pelo sucesso do negócio. Como a Engenharia de Biossistemas oferece forte base nas áreas de exatas e biológicas, o profissional consegue usar combinações matemáticas para aprimorar sistemas biológicos, conseguindo dessa maneira aumentar a produtividade e reduzir gastos. Essa combinação é desejo de qualquer empreendedor, pois garante resultados positivos ao negócio.

Dentre as áreas de atuação do Engenheiro de Biossistemas estão: Agricultura de Precisão, Georreferenciamento, Biocombustíveis e Energia, Construções Rurais e Ambiência, Desenvolvimento rural, Mecanização, Tecnologia Pós-Colheita, Zootecnia de Precisão,  Automação, ResíduosO profissional apresenta habilidades para criar e desenvolver produtos para serem usados nessas áreas, mas ele também é qualificado para prestar consultoria nesses meios fornecendo ao cliente a melhor solução para o desenvolvimento do negócio.

O Engenheiro do Biossistemas é um profissional completo preparado para prestar consultoria ao agronegócio oferecendo as melhores soluções para cada empreendimento, possibilitando, dessa maneira, o sucesso da produção.

Consulte sempre um Engenheiro de Biossistemas.

Consulte sempre um Engenheiro de Biossistemas.

Leia também: Entenda a profissão. Disponível em: https://portalbiossistemas.wordpress.com/entenda-a-profissao/

Biorrefinarias: Realidade em 2014

Qual as duas mais importantes cadeias produtivas de agroenergia hoje no Brasil?download (4)

De acordo com o chefe geral da Embrapa Agroenergia , Manoel Teixeira Souza Jr., as principais vertentes são: produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e produção de biodiesel, principalmente da cultura de soja. Cadeias estas as quais já encontram, em biorrefinarias, um destino nobre para suas inúmeras pilhas de resíduos oriundos da produção. Estamos muito longe desta realidade?

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“Os conceitos de biorrefinaria e química verde enfocam este aproveitamento de modo que se tenham cadeias de valor similares àquelas dos derivados do petróleo, porém com menor impacto ao meio ambiente, contemplando sistemas integrados (matérias-primas, processos, produtos e resíduos) sustentáveis, de acordo com parâmetros técnicos que levam em consideração, entre outros aspectos, os balanços de energia e de massa, o ciclo de vida e a redução de gases do efeito estufa. Uma biorrefinaria pode integrar, em um mesmo espaço físico, processos de obtenção de biocombustíveis, produtos químicos, energia elétrica e calor.”(Silvio Vaz Jr.)

O que é uma biorrefinaria?

Podemos pensar que, quando comparados os valores agregados de um produto de 1ª geração e um produto de 2ª geração, a diferença encontrada é muito grande devido a valores de insumos e matérias primas elevados se pensarmos na participação estratégica da industria química para o fornecimento de tais insumos, de modo que tais produtos de 2ª geração (atualmente no mercado chamados de 2G), cujo matéria prima é residual de produção, podem ter um diferencial quando em questão os valores agregados e potenciais consumidores dos produtos das biorrefinarias, como industria química, concessionárias de energia, além da geração de calor (que é utilizado em processo de indústrias sucroalcooleiras, por exemplo) e destinação das grandes quantidades de resíduos oriundos da produção de açúcar e etanol. Estes produtos de 2ª geração, quando passados pelos processos adequados de pré-tratamento, podem dar origem a inúmeras fontes de investimento, como é o caso da lignina, que pode ser precursora de produtos químicos, com intuito de substituição principalmente dos de origem petrolífera, os quais são utilizados como antioxidantes, resinas fenólicas, preservantes de madeira, estabilizantes enzimáticos (UNITED STATES DEPARTMENT OF ENERGY, 2007), além de salientar que, segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos (U.S. Department of Energy), os derivados dos principais açucares obtidos da celulose e hemicelulose (hexose e pentose) que tem maior potencial industrial  são os ácidos carboxílicos (acido lático e succínico), assim como etanol  e sorbitol, de maneira que estes podem ser utilizados como solventes, combustível, monômeros para produção de plástico além da industria farmacêutica e química fina.imagem2

A matéria-prima de uma biorrefinaria pode ser a mais variável possível, tendo um maior enfoque para a importante substituição do petróleo por biomassa. Tal biomassa pode ser oriunda de diversas fontes, indica Embrapa Agroenergia, como as culturas de milho e mandioca, que são fontes ricas em amiláceas; cana-de-açúcar e sorgo sacarino que são ricos em sacarina; resíduos agrícolas e florestais ricos em biomassa lignocelulósica, entre outros, diferenciando entre si na maneira de acesso a tais açucares, sendo as sacarinas e amiláceas as mais simples e a biomassa lignocelulósica mais complexa. Segundo Vivian Chies (jornalista da Embrapa agroenergia), com a glicose (hexose), é possível produzir etanol, polímeros e produtos químicos de alto valor agregado conhecidos como blocos construtores ou intermediários, que dão origem a insumos para as industrias química, farmacêutica e alimentícia, produtos quais também podem ser obtidos da xilose.

A realidade chegou, segundo o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol. A tecnologia de biorrefinarias para a industria de etanol, ou seja, a produção de bioetanol de 2ª geração, terá seu inicio em escala industrial em 2014. De acordo com o instituto, esta tecnologia irá incrementar em 50% a produção atual de 20 milhões de etanol combustível no país.images3

Como qualquer outra nova tecnologia no mercado, a implementação exige um empenho no estudo de custos e principalmente neste caso competitividade com o etanol de 1ª geração, que tem seu custo de produção girando em torno de R$1,10 por litro, de modo que o almejado para o etanol de 2ª geração é de cerca de R$0,40 por litro. Segundo a noticia publicada pelo INCT Bioetanol, o custo do etanol de 2ª geração tende a cair devido os gastos que estão embutidos em terra e matéria-prima, que não são contabilizados para este tipo de produção, porém o investimento realizado para a montagem da fabrica é cerca de 30% maior que para a industria  tradicional produtora de etanol, pelo fato de o processo de produção ser mais sofisticado que tal tradicional. Os investimento vem e virão de vários lados e vertentes, as quais já visualizaram os benefícios os quais uma biorrefinaria trará para sua industria, como é o caso do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que anunciou uma planta de etanol celulósico. De acordo com o diretor de negócios e novas tecnologias do CTC, a fase pré-comercial tem inicio em 2014 e os equipamentos utilizados serão desenvolvidos por empresa austríaca; a Raizen prevê para o ano de 2014 a inauguração de sua primeira unidade industrial de etanol de 2ª geração no Brasil.

Acrescentando ainda como suporte para esta tecnologia o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) desenvolveu uma ferramenta de simulação computacional chamada Biorrefinaria Virtual de Cana-de-açúcar (BVC). De acordo com o diretor de programação e avaliação tecnológica do CTBE, Antonio Bonomi, tal ferramenta “foi concebida para avaliar, do ponto de vista de sustentabilidade, diferentes configurações de processos em uma biorrefinaria que opera com cana-de-açúcar como matéria-prima”. A BVC simula processos que facilitem a obtenção dos balanços de massas e energia, modelagem, otimização e avaliações socioeconômicas e ambientais. Esta biorrefinaria virtual baseia-se na elaboração de 3 estruturas básicas: plataforma de simulação da etapa agrícola, de processos industriais e de comercialização e uso; um software para calculo de impactos de sustentabilidade; um banco de dados com informações agrícolas e de processos, equipamentos e custos (CTBE,2012).

O futuro está em nossas mãos.

Saiba mais em:

http://www.cnpae.embrapa.br/imprensa/agroenergia-em-revista/AgroenergiaEmRevista_ed04.pdf

http://www.inctdobioetanol.com.br/not-art/7/Brasil%20vai%20produzir%20etanol%20de%20segunda%20gera%C3%A7%C3%A3o%20em%202014

http://www.cnpae.embrapa.br/publicacoes/livros-1/Biorrefinarias_CenariosPerspectiva.pdf

Biocombustíveis para aviação

biocombustíveis_aviação_060912Mais uma promissora oportunidade se apresenta para o Brasil: a produção de biocombustíveis para uso em aviões a jato. O esforço mundial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) é também compartilhado pela indústria aeronáutica (responsável por cerca de 2% do total emitido no mundo), que pretende implantar metas ambiciosas para minimizar o impacto.

Parte da redução de emissões pode ser conseguida com o desenvolvimento de aviões e turbinas mais eficientes, mas o grande potencial de queda está no combustível utilizado. Nesse sentido, o uso de biocombustíveis pela indústria aeronáutica, diferentemente da automotiva, tem que obedecer a duas exigências: ser biocombustível líquido e drop-in, ou seja, adequado para uso direto sem modificações nas turbinas.

Os biocombustíveis são vistos como a melhor maneira de mitigar os GEE, pois podem, dependendo da matéria-prima e do processo utilizados na produção, emitir menos GEE do que o querosene de origem fóssil. Com esse objetivo, as companhias de aviação, assim como os fabricantes de aviões de todo o mundo, estão há alguns anos fazendo voos de demonstração usando vários bioquerosenes (como são chamados os biocombustíveis que substituirão o querosene na aviação).

Na Rio+20 foram realizados voos da Lufthansa com bioquerosene produzido a partir do reúso de óleo de fritura; da Gol, com bioquerosene produzido por algas convertendo açúcar em óleos; e da Azul, com bioquerosene produzido por leveduras que convertem açúcar de cana-de-açúcar em farneseno.

Há uma grande gama de matérias-primas e processos de conversão que potencialmente podem ser aproveitados para a produção de bioquerosene de aviação. O importante é que o bioquerosene seja economicamente competitivo, apresente potencial de redução de emissões e tenha outros indicadores socioambientais positivos, tais como não competir com alimentos, nem ameaçar a biodiversidade. Para ter noção das possibilidades, quase todas as matérias-primas agrícolas e resíduos podem se candidatar para a produção de bioquerosenes aeronáuticos sustentáveis.

O Brasil é visto mundialmente como “o país dos biocombustíveis”. A reputação, muito merecida, foi resultado de muito esforço em pesquisa que permitiu a construção de indicadores de sustentabilidade sem paralelo no mundo. Exemplo são os investimentos do Programa Bioen, criado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para estimular pesquisas e parcerias no campo dos biocombustíveis.

Foi então concebido um consórcio entre Embraer e Boeing, cofinanciado pela Fapesp, para estudar as opções matéria-prima/tecnologia sob os pontos de vista de custo, potencial de redução de GEE e outros indicadores de sustentabilidade. O projeto tem por objetivo identificar as lacunas e potencialidades de cada opção de bioquerosene.

Como parte do processo de debates, está sendo realizado um roadmap, executado em oito workshops em diferentes cidades no país, cobrindo os aspectos relevantes dessas opções, desde a matéria-prima, passando pelas tecnologias de refino, questão logística, sustentabilidade, necessidade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e adoção de políticas públicas para construir a nova indústria no país.

Para o Brasil, a indústria que agora surge representa nova e grande oportunidade. O volume de querosene utilizado no mundo é de cerca de 250 bilhões de litros, 10 vezes o volume de etanol produzido no país. Essa é também uma indústria que nasce diferente do etanol e do biodiesel, pois será parte de um esforço global. O Brasil é, de partida, o país mais credenciado a atender à futura demanda.

Desnecessário dizer que bons empregos e divisas externas são sempre importantes. Além disso, o envolvimento de um órgão oficial de fomento à pesquisa demonstra o compromisso do país com a inovação e com a geração de riqueza a partir do conhecimento.

Fonte: Biodieselbr

Laboratório produz etanol a partir de soro de leite

0,,69786682,00

Líquido pode ser aproveitado pela indústria de alimentos, mas custos são elevados para pequenos produtores.

O soro de leite, resultante da produção de queijos, pode ser uma nova fonte de matéria-prima para a produção de etanol igual ao que é feito a partir da cana-de-açúcar. A possibilidade foi demonstrada por uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Ciência e Tencologia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

De cada quilo de queijo produzido sobram, em média, nove litros de soro, um líquido esbranquiçado formado por 95% de água, 4% de lactose e 1% de proteína. O soro pode ser aproveitado pela indústria alimentícia na composição de bebidas lácteas e recheios de biscoitos. No entanto, por ser muito poluente, é preciso transformá-lo em pó, o que gera custos altos principalmente para o pequeno produtor. Se não for usado para alimentação, o soro precisa ser tratado como um efluente industrial para não contaminar o meio ambiente ao ser descartado.

De acordo com o professor Marco Antônio Ayub, responsável pelos experimentos, apesar de ainda não haver estudos de viabilidade econômica, a pesquisa abre possibilidades para o uso do líquido, além de sugerir novas alternativas de matéria-prima para a produção do biocombustível. “Estamos tentando fazer parceiras com ouros grupos dessa área e ver se a gente consegue propor às indústrias viabilizarem pelo menos um teste industrial para ver se vale a pena produzir comercialmente”, explica.

Processo

A obtenção do etanol de soro de leite é feita por biorreatores com leveduras do gênero Kluyveromyces, que fazem a transformação do material lácteo em biocombustível. Setenta gramas por litro de lactose é convertido em torno de 35 g por litro de etanol, enquanto são necessários 200 g de litros de açúcar para obter 90 gramas por litro de etanol. Depois, em ambos os processos, os líquidos são destilados para dar origem ao biocombustível.

“Conseguimos obter o mesmo rendimento (50% de conversão) do caldo de cana. Estamos propondo uma tecnologia contínua, porque a nossa concentração de açúcar é muito menor (que o da cana-de-açúcar)”, explica o professor.

Fonte: Revista Globo Rural

Laboratório produz etanol a partir de soro de leite

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Líquido pode ser aproveitado pela indústria de alimentos, mas custos são elevados para pequenos produtores.

O soro de leite, resultante da produção de queijos, pode ser uma nova fonte de matéria-prima para a produção de etanol igual ao que é feito a partir da cana-de-açúcar. A possibilidade foi demonstrada por uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Ciência e Tencologia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

De cada quilo de queijo produzido sobram, em média, nove litros de soro, um líquido esbranquiçado formado por 95% de água, 4% de lactose e 1% de proteína. O soro pode ser aproveitado pela indústria alimentícia na composição de bebidas lácteas e recheios de biscoitos. No entanto, por ser muito poluente, é preciso transformá-lo em pó, o que gera custos altos principalmente para o pequeno produtor. Se não for usado para alimentação, o soro precisa ser tratado como um efluente industrial para não contaminar o meio ambiente ao ser descartado.

De acordo com o professor Marco Antônio Ayub, responsável pelos experimentos, apesar de ainda não haver estudos de viabilidade econômica, a pesquisa abre possibilidades para o uso do líquido, além de sugerir novas alternativas de matéria-prima para a produção do biocombustível. “Estamos tentando fazer parceiras com ouros grupos dessa área e ver se a gente consegue propor às indústrias viabilizarem pelo menos um teste industrial para ver se vale a pena produzir comercialmente”, explica.

Processo

A obtenção do etanol de soro de leite é feita por biorreatores com leveduras do gênero Kluyveromyces, que fazem a transformação do material lácteo em biocombustível. Setenta gramas por litro de lactose é convertido em torno de 35 g por litro de etanol, enquanto são necessários 200 g de litros de açúcar para obter 90 gramas por litro de etanol. Depois, em ambos os processos, os líquidos são destilados para dar origem ao biocombustível.

“Conseguimos obter o mesmo rendimento (50% de conversão) do caldo de cana. Estamos propondo uma tecnologia contínua, porque a nossa concentração de açúcar é muito menor (que o da cana-de-açúcar)”, explica o professor.

Fonte: Revista Globo Rural