A revolução dos bichos, plantas que falam e os tratores de James Cameron

Assisti dias atrás na internet uma palestra de um cara chamado Neil Harbisson, artista audiovisual inglês que nasceu com a síndrome da acromatopsia, o que só lhe permite enchergar o mundo em preto e branco. Ele esteve presente em uma conferência da TEDGlobal em 2012 – sigla para Tecnologia, Entretenimento e Design – evento reconhecido pela exposição de grandes ideias, já tendo recebido celebridades como Bill Clinton, Al Gore, os fundadores do Google e diversos ganhadores do prêmio nobel, só para citar alguns.

Sua invenção é um tanto peculiar e nos chama a atenção logo de cara. Já que ele não encherga as cores, por que não então ouví-las? Assim, desenvolveu um aparato chamado de “Eyeborg”, capaz de traduzir as frequências eletromagnéticas da luz que está em sua frente e enviá-las para um chip implantado atrás de sua cabeça. O chip converte as cores em ondas sonoras com base em uma escala, na qual cada cor (frequência de vibração da luz) está associada à uma nota musical. As ondas sonoras produzidas são conduzidas até os nervos auditivos de Neil através dos ossos, o que lhe permite perceber até mesmo o que não conseguimos naturalmente, como a luz infravermelha e ultravioleta.

Neil Harbisson e seu invento na TEDGlobal em 2012. Foto: James Duncan Davidson.

Neil Harbisson e seu invento na TEDGlobal em 2012. Foto: James Duncan Davidson.

Comecei a pensar se o cara é maluco ou se está vendo algo que ainda não enchergamos – literalmente. Segundo o artista inglês, deveríamos parar de criar aplicativos para dispositivos móveis, como celulares e tablets, e começarmos a desenvolver aplicativos para nossos próprios corpos, ampliando nossos sentidos. “Essa é uma das grandes mudanças que presenciaremos neste século”, afirma.

Ligando um pouco os fatos, começo a imaginar que talvez ele não seja tão alienado assim…

O que a Engenharia de Biossistemas tem a ver com isso?

A ideia contida nisso tudo se traduz na forma totalmente diferente a qual podemos interagir com o ambiente, nos tornando melhores naquilo que fazemos, ou ainda, autossuficientes em certas atividades. Acredito que no futuro da produção agropecuária, adotando-se tal inovação pode-se mudar a autonomia e relação entre os agentes.

Eis aqui algumas aplicações do conceito apresentado na TED – a tecnologia servindo como ponte para a tradução de sentidos e necessidades:

1 – A revolução dos bichos

Com uma maior independência, o conforto térmico ficará por conta de si próprio. Foto: revista Plantar.

Para o professor Iran José Oliveira da Silva, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (NUPEA) da ESALQ/USP, uma tendência na produção animal está nos próprios animais controlando o ambiente onde estão inseridos. Isso significa, em suas palavras, que serão eles que darão o sinal para o sistema eletrônico automatizado agir, tal como o acionamento de nebulizadores, cortinas e ventiladores. Isso poderia ser feito através de colares, pulseiras ou outros tipos de sensores ligados ao animal, imagino, que coletem a temperatura da superfície corpórea, batimentos cardíacos, frequência respiratória de uma amostragem do lote e envie para o sistema de controle. Não está muito distante de acontecer, há muitas pesquisas sendo realizadas no mundo, afirma o professor.

2 – Plantas que falam

#medaumcopodagua. Foto: Botanicalls.

#Medáumcopodágua. Foto: Botanicalls.

Desbravando a fronteira do inanimado, publicamos há algum tempo uma notícia sobre plantas que “mandam” mensagens de texto para o celular de seu dono e até mesmo publicam mensagens no twitter, pedindo que as reguem quando necessário. O sistema se baseia na análise do déficit hídrico sentido pela planta para a tomada de decisões, que neste caso, cabe a um ser humano. Entretanto, a rega poderia ser automatizada e comandada pela própria planta, de acordo com a “sede” que está sentindo. O conceito já nos é conhecido, trata-se da Agricultura de Precisão – prática que utiliza tecnologia avançada no campo para ganhos de produtividade. A grande sacada dos cientistas foi a tradução das informações obtidas da planta para uma linguagem mais prática.

3 – Máquinas mais inteligentes

Falta pouco para que as máquinas agirem sozinhas. Ou já estão fazendo? Foto: Google.

Falta pouco para as máquinas agirem sozinhas. Ou já o estão fazendo? Foto: Google.

Indo além, outra possibilidade seria a de máquinas agrícolas integradas via rede sem fio a um sistema de gerenciamento e que, de acordo com o número de horas trabalhadas, automaticamente agendem suas manutenções periódicas, abastecimentos e trocas de óleo, facilitando a operação de gestão da frota agrícola. Um sistema de conceito parecido está em desenvolvimento no Laboratório de Máquinas Agrícolas e Agricultura de Precisão (LAMAP) da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP. Seria esse o cenário vislumbrado por James Cameron há 29 anos quando lançou o exterminador do futuro – máquinas que possuem algum tipo de autoconsciência?

As possibilidades de aplicação dessa ideia no campo são inúmeras, mas para que a inovação chegue até lá basta um agente de transformação. Imagino que em breve teremos que encontrar um termo que substitua a ficção científica de nosso vocabulário, pois quase todas nossas ideias hoje já podem ser materializadas. A tecnologia atual pode nos ajudar tanto à realizar atividades de uma nova maneira, quanto para Neil Harbisson perceber se é um bom dia para se tomar sol.

E aí, curtiu? Veja mais

Neil Harbisson – “Eu ouço as cores”. Palestra na Ted 2012 (legendado em português).

Entrevista com o professor Iran José Oliveira da Silva – revista Avicultura Industrial, out/2012.

Plantas conectadas à internet com acesso a twitter e redes sociais

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Como as impressoras 3D podem mudar o agronegócio (e nossas vidas)

Impressora 3D

The Form 1: Impressora desktop 3D de alta resolução (Foto: FormLabs).

Mini-fábricas portáteis – é como podemos chamar as impressoras 3D, invenção que toma corpo e ganha cada vez mais adeptos pelo mundo. Segundo alguns visionários, dentro de 5 anos será comum termos um modelo delas em casa, nas escolas, comércio e na indústria, tornando possível a confecção dos mais variados tipos de objetos que possamos imaginar.

Não existe um limite quando se trata de impressoras 3D. Enquanto muitos se contentam em produzir brinquedos e pequenas miniaturas, chefes de cozinha já trabalham com modelos que imprimem massas personalizadas ou até mesmo chocolate. Cientistas da Universidade de Heriot-Watt, na Escócia (naquele mesmo país onde clonaram a ovelha Dolly), foram um pouco além e desenvolveram um mecanismo que utiliza células tronco como “tinta”, podendo ser impressa pelo equipamento. Os cientistas acreditam que este seja o primeiro passo rumo à criação de órgãos.

Para que um objeto seja impresso é preciso que ele tenha sido, antes de tudo, construído num software de edição 3D, como o AutoCAD ou o SolidWorks. Para criar algo diferente, o único jeito é aprender a modelar do zero. Para isso existem inúmeras alternativas na internet, inclusive softwares e cursos gratuitos que ensinam a fazer tudo desde o início. Se quiser se aventurar, a MakerBot – uma das maiores fabricantes de impressoras 3D do mercado atualmente – disponibiliza uma vasta documentação a respeito, além de desenhos para impressão de mais de 40 mil objetos. A empresa comercializa também o Digitizer Desktop 3D Scanner, que utiliza uma combinação de câmeras e lasers, capaz de escanear praticamente qualquer objeto e gerar um arquivo digital.

Mas, quais as possibilidades que a impressora 3D pode trazer ao agronegócio? Confira algumas idéias mirabolantes (outras nem tanto).

1. Energias renováveis mais acessíveis

A aplicação de materiais de baixo custo para geração de energia a pequenos produtores pode ser uma solução para a ampliação de negócios e maior rentabilidade. Inovações a respeito de painéis fotovoltaicos surgem com certa frequência na internet e, assim como já estamos perto da impressão de tecidos humanos, a impressão de células fotovoltaicas a nível molecular, bem como suas estruturas de suporte, pode ser uma das possibilidades das impressoras 3D no futuro. Se preferir gerar energia pelo vento, protótipos de pequenos geradores eólicos já podem ser encontrados no site “Instructables” para impressão.

Para alguns donos de impressoras 3D, produzir determinados objetos em casa sai mais em conta do que comprar numa loja. A impressão de algumas peças ou mesmo equipamentos para geração de energia não apenas facilitaria o seu acesso, como descentralizaria sua produção, podendo afetar, em longo prazo, até mesmo as relações de compra e venda de energia.

2. Produzindo edifícios inteiros

Hoje, na construção civil, já é possível encontrar certos elementos e estruturas prediais pré-moldadas, como paredes, painéis, escadas, lajes, etc. Sua vantagem está na uniformidade dos materiais produzidos, maior controle sobre a qualidade e o design, como também um menor tempo de execução da obra, menor perda de materiais e menores custos operacionais. Com o avanço da tecnologia da impressão em 3D, aliado à nanotecnologia, será possível imprimir materiais mais eficientes que os já existentes, sendo projetados em geometrias pré-definidas, mais complexas e com melhores propriedades mecânicas, concebidos especialmente para cada tipo de ambiente e atividade agroindustrial. As impressoras 3D poderão um dia imprimir (em escala industrial) estufas inteiras, instalações de criação animal, de armazenagem de alimentos e insumos, mais eficientes que os atuais.

3. Maiores ganhos na produção de alimentos

No futuro haverá uma tendência para a produção de alimentos em casa. Não tem nada a ver com uma horta no quintal ou criar algumas galinhas. A empresa americana Modern Meadow desenvolve lá no Vale do Silício (EUA) um audacioso projeto para impressão de carne a partir de células e tecidos cultivados em laboratório. A ideia é fornecer uma alternativa à criação, abate e transporte de bovinos em massa, pois segundo os pesquisadores, a criação de gado é tida como uma das atividades agroindustriais mais impactantes que existe sobre o meio ambiente – demanda grandes quantidades de alimento, água, espaço e produz altas taxas de metano e efluentes.

Se não gostou da ideia, fique tranquilo! Ainda continuará existindo o sistema de criação convencional e as impressoras 3D poderão ser utilizadas para outros fins. Imagine só poder produzir de vacinas específicas na própria fazenda, desenvolver próteses para animais, objetos diversos como: comedouros e bebedouros, caixas para transporte de aves, pisos plásticos para a suinocultura, dentre muitas outras possibilidades.

E não para por ai! Planos recentes do governo Japonês para agricultura em áreas devastadas pelo tsunami preveem o uso da impressão em 3D para certos elementos do sistema de automação. Interessante, não?

E os Engenheiros de Biossistemas, como podem participar dessa revolução?

No curso oferecido pela Universidade de São Paulo os alunos adquirem conhecimentos específicos como desenho técnico, elementos de máquinas, resistência, ciência e tecnologia dos materiais, eletrônica, robótica, circuitos elétricos, dentre outros. As possibilidades de criação são imensas e, segundo especialistas, será possível a impressão de quase tudo que se possa imaginar, o quão logo a compatibilidade com diversos tipos de materiais nessas impressoras consiga aumentar.

Partes de bicos de pulverização, de aspersores, circuitos eletrônicos, objetos para uso na produção animal são alguns dos elementos que, em curto prazo, já poderiam ser fabricados em casa para suporte às atividades do agronegócio, tanto para reposição de peças, quanto para um início de uma atividade agropecuária, o que poderia reduzir o custo de um projeto ao produtor. O desafio está em tornar essa tecnologia (ainda emergente) mais acessível, com soluções adequadas aos interesses da produção agropecuária e, sobretudo, com geração de produtos de qualidade.

E você, como acha que essa tecnologia pode mudar as coisas? Deixe-nos um comentário.

Embrapa testa extrato vegetal em couro para evitar poluição do solo

ReduceReuseRecyclePesquisador de São Carlos, SP, começou o estudo há dez anos. Objetivo da técnica é retirar o metal cromo dos processos de curtimento

Uma tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em São Carlos (SP) pode resolver o problema de curtumes do Brasil. A pesquisa usa extratos vegetais para tratar o couro e não poluir a natureza. O objetivo é retirar o metal cromo dos processos de curtimento e ainda aproveitar a água nos tratamentos.

Os estudos começaram há dez anos. A ideia é produzir um material sustentável, substituindo o uso do sulfato de cromo. O material deixa o couro mais bonito, porém é altamente poluente. “Ele pode atingir os lençóis freáticos no subsolo e contaminar as fontes. Esse resíduo não pode ser queimado, porque transforma o cromo e ele vira cancerígeno”, explicou o pesquisador Manoel Antonio Chagas Jacinto.

 No processo de curtimento, a Embrapa aposta em extratos vegetais, como acácia negra (encontrada no sul do país) e o quebracho (encontrado no Brasil, Argentina e Paraguai). “O ganho ambiental é muito grande. Já existe essa tecnologia há algum tempo, mas os industriais ainda resistem devido ao cromo ser mais barato”, disse o pesquisador. Nessa hora entra a figura do profissional formado em Engenharia de Biossistemas, que seria capaz de viabilizar economicamente esse produto.

Reuso da água

A água que sobra do processo que usa extratos vegetais vai para uma estação de tratamento. Após três dias, ocorre a separação do lodo, que pode ser usado na agricultura. A água pode ser reaproveitada no curtume e pode até ser jogada em córregos.

Com métodos assim, situações como a de Boa Esperança do Sul (SP) poderiam ser evitadas. Quase 500 mil quilos de resíduos com cromo foram encontrados em terrenos da cidade. A Prefeitura se comprometeu a liberar R$ 50 mil dos cofres públicos para retirar restos de couro descartados de forma irregular. Os retalhos despejados causam mau cheiro e trazem transtornos aos moradores há pelo menos cinco anos.

Couro amigo

Com os estudos feitos na Embrapa, o couro ‘ecofriendly’(amigavelmente ecológico) fica macio, resistente e pode ser usado para fazer calçados, bolsas, cintos e até mesmo na indústria automobilística. Esse tipo de material tem sido uma exigência de países europeus.

Segundo o pesquisador, consumidores mais atentos fazem questão de pensar no meio ambiente e o Brasil tem condições de abastecer esse mercado. “Apesar da nossa pele não ter boa qualidade, nós temos tecnologia e condições para melhorar o couro e podemos abastecer o mercado tanto nacional quanto internacional”, afirmou Jacinto.

Fonte: 

 http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2013/03/embrapa-testa-extrato-vegetal-em-couro-para-evitar-poluicao-do-solo.html

http://www.cppse.embrapa.br/embrapa-pecu-ria-sudeste-desenvolve-tecnologias-para-sustentabilidade-do-couro

Desafios para a Engenharia do século XXI que a Engenharia de Biossistemas pode resolver

Em 15 de Fevereiro de 2008 a Academia Nacional de Engenharia dos EUA divulgou os grandes desafios para a Engenharia no século XXI. Uma comissão composta por especialistas de diversas áreas do conhecimento e de diferentes partes do Mundo listou 14 problemas que se resolvidos melhorariam a nossa forma de viver. Os desafios são:

* Tornar energia solar acessível;

* Fornecer energia a partir da fusão;

* Desenvolver métodos de seqüestro de carbono;

* Gerenciar o ciclo do nitrogênio;

* Proporcionar o acesso à água potável;

* Restaurar e melhorar a infra-estrutura urbana;

* Avançar o desenvolvimento da Informática na Saúde;

* Melhores medicamentos;

* Engenharia reversa do cérebro;

* Evitar terror nuclear;

* Ciberespaço seguro;

* Melhorar a realidade virtual;

* Avançar o desenvolvimento da aprendizagem personalizada;

* Desenvolver as ferramentas para a descoberta científica;

Uma das áreas de atuação do Engenheiro de Biossistemas: aumentar a produtividade da agricultura, utilizando-se tecnologias inovadoras.

Uma das áreas de atuação do Engenheiro de Biossistemas: aumentar a produtividade da agricultura, utilizando-se tecnologias inovadoras.

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Biocombustíveis para aviação

biocombustíveis_aviação_060912Mais uma promissora oportunidade se apresenta para o Brasil: a produção de biocombustíveis para uso em aviões a jato. O esforço mundial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) é também compartilhado pela indústria aeronáutica (responsável por cerca de 2% do total emitido no mundo), que pretende implantar metas ambiciosas para minimizar o impacto.

Parte da redução de emissões pode ser conseguida com o desenvolvimento de aviões e turbinas mais eficientes, mas o grande potencial de queda está no combustível utilizado. Nesse sentido, o uso de biocombustíveis pela indústria aeronáutica, diferentemente da automotiva, tem que obedecer a duas exigências: ser biocombustível líquido e drop-in, ou seja, adequado para uso direto sem modificações nas turbinas.

Os biocombustíveis são vistos como a melhor maneira de mitigar os GEE, pois podem, dependendo da matéria-prima e do processo utilizados na produção, emitir menos GEE do que o querosene de origem fóssil. Com esse objetivo, as companhias de aviação, assim como os fabricantes de aviões de todo o mundo, estão há alguns anos fazendo voos de demonstração usando vários bioquerosenes (como são chamados os biocombustíveis que substituirão o querosene na aviação).

Na Rio+20 foram realizados voos da Lufthansa com bioquerosene produzido a partir do reúso de óleo de fritura; da Gol, com bioquerosene produzido por algas convertendo açúcar em óleos; e da Azul, com bioquerosene produzido por leveduras que convertem açúcar de cana-de-açúcar em farneseno.

Há uma grande gama de matérias-primas e processos de conversão que potencialmente podem ser aproveitados para a produção de bioquerosene de aviação. O importante é que o bioquerosene seja economicamente competitivo, apresente potencial de redução de emissões e tenha outros indicadores socioambientais positivos, tais como não competir com alimentos, nem ameaçar a biodiversidade. Para ter noção das possibilidades, quase todas as matérias-primas agrícolas e resíduos podem se candidatar para a produção de bioquerosenes aeronáuticos sustentáveis.

O Brasil é visto mundialmente como “o país dos biocombustíveis”. A reputação, muito merecida, foi resultado de muito esforço em pesquisa que permitiu a construção de indicadores de sustentabilidade sem paralelo no mundo. Exemplo são os investimentos do Programa Bioen, criado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para estimular pesquisas e parcerias no campo dos biocombustíveis.

Foi então concebido um consórcio entre Embraer e Boeing, cofinanciado pela Fapesp, para estudar as opções matéria-prima/tecnologia sob os pontos de vista de custo, potencial de redução de GEE e outros indicadores de sustentabilidade. O projeto tem por objetivo identificar as lacunas e potencialidades de cada opção de bioquerosene.

Como parte do processo de debates, está sendo realizado um roadmap, executado em oito workshops em diferentes cidades no país, cobrindo os aspectos relevantes dessas opções, desde a matéria-prima, passando pelas tecnologias de refino, questão logística, sustentabilidade, necessidade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e adoção de políticas públicas para construir a nova indústria no país.

Para o Brasil, a indústria que agora surge representa nova e grande oportunidade. O volume de querosene utilizado no mundo é de cerca de 250 bilhões de litros, 10 vezes o volume de etanol produzido no país. Essa é também uma indústria que nasce diferente do etanol e do biodiesel, pois será parte de um esforço global. O Brasil é, de partida, o país mais credenciado a atender à futura demanda.

Desnecessário dizer que bons empregos e divisas externas são sempre importantes. Além disso, o envolvimento de um órgão oficial de fomento à pesquisa demonstra o compromisso do país com a inovação e com a geração de riqueza a partir do conhecimento.

Fonte: Biodieselbr

Das 4 bilhões de toneladas de alimentos produzidas anualmente em todo planeta, cerca de 50% são desperdiçadas

" Alimentos Globais; Não Desperdice, Não Queira. "

” Alimentos Globais; Não Desperdice, Não Queira. “

“Global Food; Waste Not, Want Not.” Um relatório produzido pelo Institution of Mechanical Engineers, em janeiro de 2013, mostra que hoje são produzidas 4 bilhões de toneladas de alimentos por ano, só que devido à práticas precárias de coleta, armazenamento e transporte, bem como o desperdício dos mercados e dos consumidores, estima-se que 30-50% de todo o alimento produzido nem sequer atinge o estômago humano. Além disso esse número não reflete a realidade de grandes quantidades de terra, energia, fertilizantes e água que também têm sido perdidos na produção de gêneros alimentícios, que simplesmente acabam como lixo. Este nível de desperdício é uma tragédia que não pode continuar se quisermos ter sucesso no desafio de sustentavelmente atender nossas demandas de alimentos no futuro.

Estima-se que em 2075 a população mundial chegue a 9,5 bilhões de pessoas, e com isso a humanidade precisa garantir que haja recursos alimentares disponíveis para alimentar toda essa gente. Nesse sentido, desperdiçar comida não significa perder apenas alimentos para nutrição, mas também recursos naturais finitos como terra, água e energia.

Um outro grande problema que aumenta as perdas de alimentos é a preferência do mercado consumidor pela estética de certos alimentos. Muitas vezes os consumidores rejeitam culturas inteiras de frutas perfeitamente comestível e legumes, porque eles não atendem os padrões de comercialização exigidas  para as suas características físicas, tais como o tamanho e aparência. Por exemplo, até 30% da cultura vegetal do Reino Unido nunca é colhida por causa deste comportamento.

Mega promoções de produtos perecíveis também geram desperdícios, pois os consumidores aproveitam os preços reduzidos para levarem uma grande quantidade de alimentos para casa, porém estes produtos devem ser consumidos rapidamente devido a sua reduzida data de validade. Com isso, diversos alimentos são perdidos dentro das casas dos consumidores.

Essas perdas serão agravadas pelo futuro crescimento populacional e pela mudança das tendências dietéticas, que estão diminuindo o consumo de grãos e aumentando o consumo de  produtos de origem animal. Como as nações se tornarão mais ricas nas próximas décadas, a preferência por carne irá subir 40% até metade do século. Estes produtos requerem significativamente mais recursos para serem produzidos. Um grande desafio é produzir animais em pequenas quantidades de terra, visto que um hectare de terra pode, por exemplo, produzir arroz ou batatas para 19-22 pessoas por ano. Já a mesma área será o suficiente para produzir carne para apenas uma ou duas pessoas.

” Mais de 2,5 trilhões de m³ de água é consumida pelo setor agrícola global a cada ano. “

O consumo de água não fica atrás. Ao longo do século passado, a captação de água fresca para utilização humana aumentou mais do que o dobro da taxa de crescimento da população. Atualmente, cerca de 3.8 trilhões de m³ de água é usado pelas pessoas anualmente. Cerca de 70% deste volume é consumido pelo setor agrícola global, e o nível de uso continuará a aumentar nas próximas décadas.  Dependendo de como o alimento é produzido e  as estimativas demográficas, a demanda por água na produção de alimentos pode chegar a 10 – 13 trilhões de m³ anualmente na metade do século. Isto é 2,5 – 3,5 vezes maior do que o uso total humano de água doce hoje.

” Nos países do Sudeste Asiático, as perdas de arroz podem variar de 37 – 80% da produção. “

" Na Índia, 21 milhões de toneladas de trigo são desperdiçadas a cada ano devido à práticas inadequadas de armazenamento e distribuição."

” Na Índia, 21 milhões de toneladas de trigo são desperdiçadas a cada ano devido à práticas inadequadas de armazenamento e distribuição.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  • O que precisamos fazer para ter uma realidade mais sustentável e o menos impactante possível?

Atualmente, grandes quantidades de alimentos, estima-se que 30 – 50 % da produção global, são perdidos ou desperdiçados entre o campo e o consumidor. A principal causa deste desperdício é devido à práticas inadequadas na produção, como: deficiência na gestão, falta de habilidades na infra-estrutura, projetos mal feitos para captação de água e uso de energia, instalações de armazenamento e transportes precários. Outras causas de desperdício são as práticas comerciais modernas que incentivam a demanda por alimentos esteticamente perfeitos e formam consumidores sedentos por comprar quantidades excessivas.

A fim de reduzir os níveis atuais de desperdício de alimentos, as melhorias devem ser feitas em todas as fases da cadeia de produção, distribuição e de armazenamento, a partir do produtor /agricultor até chegar a casa do consumidor.

É imprescindível que o governo  crie medidas para  ajudar a diminuir os esbanjamentos, e desenvolva ações através da política alimentar para conscientizar os consumidores da necessidade da mudança de hábito na hora das compras.

Engenheiros, cientistas e agricultores têm os conhecimentos, ferramentas e sistemas que irão auxiliar na obtenção de ganhos de produtividade. Os estudos e desenvolvimentos tecnológicos por parte de pesquisadores, engenheiros e técnicos de múltiplas disciplinas serão necessários para conceber, instalar e manter instalações e equipamentos que melhoram os métodos atuais de produção de alimentos e  o manuseio do produto, desde o plantio inicial até o consumo humano.

Todas essas melhorias precisam ser apoiadas pela educação, treinamento e sistemas de gestão, a fim de melhorar o conhecimento prático da engenharia, evitar erros já cometidos pelas nações desenvolvidas, e garantir que os recursos sejam explorados  mantendo os mais altos níveis de eficácia.

Quer saber mais sobre o relatório produzido pela Institution of Mechanical Engineers? Acesse: 

http://www.imeche.org/Libraries/News/Global_Food_Waste_Not_Want_Not.sflb.ashx

Agricultura moderna : The Vertical Farm

Considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, os Jardins Suspensos da Babilônia, atual região do Iraque, foi construído no século VI A.C a mando do rei Nabucodonosor em homenagem a sua esposa Amitis. Os Jardins eram compostos por cerca de seis terraços estruturados em pavimentos sobrepostos, apresentando desta forma a ideia de serem suspensos. Segundo os historiadores era possível encontrar nele arvores frutíferas, plantas exóticas, flores e inclusive animais.

Onde o Engenheiro de Biossistemas se encaixa nisto tudo?

Pyramid Farm by Eric Ellingsen and Dickson Despommier
Devido as constantes instabilidades climáticas, o mundo vem adotando sistemas de produção que utilize cada vez mais ferramentas tecnológicas, por exemplo, as Greenhouse ou estufas de produção em ambiente controlado que além da possibilidade de produzir alimento fora de época pode ser implantado em diferentes lugares, visto que as variáveis responsáveis pelo desenvolvimento das plantas são monitoradas e controladas. Entre outras vantagem do cultivo em    ambiente The Living Skyscraper Farming the Urban Skyline by Blake Kurasek.protegido pode ser citado a produção próxima ao mercado consumidor, reduzindo desta forma os custos com transporte, armazenagem e perdas devido a deterioração durante o transporte e armazenagem.

 Chegamos ao tema do texto: fazendas verticais!

                       E o que são elas?

Segundo o Professor Dickson Despommier da Universidade da Columbia, é uma tecnologia que faz uso dos conceitos e práticas adotadas em sistema de estufas, porém no formato de edifício de vários andares que se transforma em campos agrícolas verticais.

Seu sistema de produção conta com iluminação gerada por LED’s como substituto da luz solar para realização da fotossíntese, sistema de controle via computadores com capacidade capturar mais de 160 mil informações por segundo determinando a quantidade exata de ciclo e espectro Imagem internetde cor da luz que seja ideal para a planta, assim como a água, de modo que nenhum recurso seja desperdiçado e a planta não seja subnutrida nem super exposta, coloca John Van Gemert, engenheiro do PlantLab, laboratório de alta tecnologia que apresenta este conceito como revolucionário no cultivo de frutas, verduras e flores.

Segundo o gerente da PlantLab, o engenheiro Michel Kers, com o uso dessa tecnologia, é possível economizar energia e água, melhorando o desempenho e a produtividade das plantas, no qual para cada cultura é estabelecida uma receita onde a exposição à luz, a temperatura e a quantidade de água variam, outra vantagem é que como as unidades têm variáveis interna controlada, as fazendas verticais podem ser instaladas em qualquer lugar do planeta, The Living Skyscraper Farming the Urban Skyline by Blake Kurasek independente do clima. Dr. Despommier adiciona em uma entrevista dada à ABC News que fazendas verticais climatizadas com LED’s e sistemas de controle precisos não apenas consume menos energia, menos água e menos espaço do que a agricultura tradicional, mas também reduzir a imprevisibilidade da nossa alimentação, cultivos realizados neste ambiente não estão à mercê das secas, chuvas torrenciais, geadas inesperadas, e pragas, reduzindo desta forma o perigo de escassez de alimentos e a geração de resíduos.

Dickson Despommier é Professor Emérito da escola Colúmbia de Saúde Pública e Professor adjunto de estudos urbanos na Fordham University. Ele foi pioneiro no conceito de agricultura vertical começando com uma aula de graduação que lecionou em 1999. Ele ajudou a desenvolver o conceito através de palestras em várias Universidades e tem aparecido com destaque na imprensa devido seu trabalho e a publicação de um livro sobre o assunto, intitulado a fazenda vertical.
Professor Despommier acredita que as fazendas verticais podem ser a solução para produção de alimento saudável e passível de maior distribuição no futuro e ele afirma ainda que esta forma de agricultura moderna poderia salvar o mundo visto que o crescimento da população global começa a dominar a oferta de alimentos. PlantLab .
“Um agricultor de ambiente protegido e controlado não reza pela chuva”, disse Despommier, pois algumas das técnicas são baseadas em aeroponia, que usa o ar ou vapor de água sem solo para nutri a planta, hidroponia, onde as plantas PlantLab ..absorvem os nutrientes da solução nutritiva, também sem a utilização de solo.

Para melhor discutir o assunto foi realizado no dia 26 de Setembro de 2012 no campus Hyattsville da Universidade de Maryland a “Challenges in Vertical Farming”, conferencia sobre os conceitos envolvidos nas fazendas verticais, tais como cultivo de plantas submetidas à luz de LED, sistema de manejo robotizado, aeroponia e hidroponia, cobertura para cultivo em estufa, economia agrícola e também questões de regulamentação para comercialização.

Em breve retornaremos com este tema.

[1] http://www.verticalfarm.com/designs

[2] http://www.plantlab.nl/4.0/

[3] http://abcnews.go.com/US/vertical-farming-solution-growing-global-food-insecurity/story?id=13463122#.UM5jzuQ716i