Entenda a profissão

A Engenharia de Biossistemas é um novo ramo da Engenharia no Brasil, que lida com a produção agropecuária, de certos materiais, alimentos, energia limpa e biomassa, buscando o aumento da produção agropecuária e de sua qualidade, assegurando sobretudo a sustentabilidade do sistema através da incorporação de uma infra-estrutura tecnológica, gerando assim um volume de produção que atenda às necessidades da população sem prejudicar o ambiente e a sociedade como um todo.

Embora seja nova no Brasil, a Engenharia de Biossistemas já é um curso tradicional em países como Austrália, Estados Unidos e Irlanda. Na Iowa State University, por exemplo, o curso de Biological Systems Engineering passou a ser oferecido pelo Departamento de Engenharia Agrícola e Biológica (ABE) desde 1905 e, antes mesmo disso, o departamento já tinha conhecimento na área de engenharia agrícola.

MAS AFINAL, O QUE FAZ O ENGENHEIRO DE BIOSSISTEMAS?

O papel deste profissional é buscar soluções eficientes para a produção agropecuária, através da integração de tecnologia e novas ideias nos sistemas produtivos para apoio à produção sustentável, visando maximizá-la enquanto reduz os gastos e perdas durante o processo. 

Por ter uma formação diversificada este profissional é capaz de compreender os aspectos da engenharia de um projeto e trabalhar excepcionalmente bem em equipes multidisciplinares.

QUAIS SÃO AS ÁREAS DE ATUAÇÃO?

O profissional da Engenharia de Biossistemas pode trabalhar junto ao agronegócio em qualquer tipo de sistema de produção, seja ele agrícola ou pecuário e em qualquer uma de suas etapas – da produção propriamente dita à comercialização e distribuição de produtos destas atividades. 

O mercado de trabalho para esse profissional é bastante amplo, visto que sua atuação se divide em inúmeras possibilidades. Verifica-se que este profissional é bastante desejado no mercado devido à sua formação e visão diferenciada sobre a produção agropecuária. 

Veja alguns exemplos das áreas de atuação[1]:

Agricultura de Precisão e Georreferenciamento: desenvolvimento de mapas de produtividade através da aquisição de imagens por satélite (imagens orbitais) ou por sobrevoo (imagens aéreas); análise de imagens; desenvolvimento de sistemas automatizados para o monitoramento e atuação em tempo real do campo, de acordo com as condições do cultivo, disponibilidade de nutrientes e as condições ambientais (temperatura, umidade, índice de radiação solar, estresse hídrico, dentre outros); desenvolvimento de sensores, bancos de dados, redes de transmissão de sinais; agrometeorologia; determinação de zoneamento agrícola em propriedades; aplicação de conhecimentos avançados da robótica e da tecnologia da informação para a maximização da produtividade agrícola.

Biocombustíveis e Energia: Pesquisa de novas fontes de energias; desenvolvimento de sistemas de co-geração de energia elétrica ou calor (energia térmica) a partir de resíduos de atividades florestais, madeireiras, pecuaristas ou agrícolas; geração distribuída de energia elétrica; geração termo-solar ou foto-voltaica; desenvolvimento e melhoria de processos e/ou equipamentos para produção de biocombustíveis avançados; projeto de instalações elétricas de baixa tensão; engenharia de sistemas; métodos de conversão e conservação de energia; diagnóstico e impacto energético; dentre outros.

Construções Rurais e Ambiência: planejamento de edificações que atendam às condições de conforto térmico, manejo, uso de equipamentos e de sustentabilidade; pesquisa e desenvolvimento de diferentes tipos de materiais que possam ser utilizados nas construções; optimização das condições das instalações, visando o aumento da produtividade agrícola (estufas) e/ou animal (granjas, currais, salas de ordenha, etc); projetar edificações para o armazenamento de insumos e produtos da atividade agrícola, garantindo um bom ambiente para sua conservação e máxima eficiência nas trocas térmicas, rotinas de operação, etc.

Desenvolvimento rural: proteção do meio ambiente e sustentabilidade; infra-estrutura e paisagismo; pesquisa operacional; modelagem de biossistemas; análise de riscos e tributação ambiental; saúde operacional, segurança e ciências no trabalho; planejamento estratégico e gestão; normalização e certificação; agronegócios, administração e empreendimentos agroindustriais; controle estatístico e metrológico de processos e produtos.

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Mecanização: projetar e desenvolver máquinas agrícolas, florestais e industriais mais inteligentes ou os elementos que as compõem; projetar equipamentos de colheita, transporte, fertilização, mapeamento; desenvolvimento de sistemas integrados com GPS e/ou comunicação wireless; sistemas inteligentes; melhora da interface humana com os equipamentos e o meio (ergonomia); sistemas de suporte à decisão; desenvolvimento de bombas e sistemas de distribuição para irrigação, de refrigeração;  etc.

Tecnologia Pós-Colheita: tratamento, separação, classificação, beneficiamento e armazenagem dos produtos agrícolas; secagem de grãos; desenvolvimento de algoritmos de análise de imagens para classificação automática dos produtos; análise de qualidade; sistemas de distribuição, transporte e armazenagem; implementação de bancos de dados na cadeia logística.

Zootecnia de Precisão: individualização dos animais (gado, por exemplo); melhoramento e precisão na distribuição de ração, nutrientes e água nos sistemas produtivos; desenvolvimento de equipamentos não invasivos para identificação dos animais; monitoramento do bem estar animal; desenvolvimento de novos equipamentos para aquisição de imagens termográficas, sinais sonoros, a fim de se traduzir as condições de saúde de determinado animal, dentre outros.

ONDE ENCONTRAR O CURSO?

logoA Engenharia de Biossistemas é oferecida como graduação em período integral, com duração de 5 anos, na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, da Universidade de São Paulo (FZEA/USP), no campus de Pirassununga – SP e também na Universidade Federal de Campina Grande – no campus de Sumé – Paraíba.

Uma formação parecida é também oferecida pela Universidade Federal de São João Del-Rei/MG, com o nome de Biossistemas. Este curso tem duração inicial de 3 anos, com posterior possibilidade de especialização nas áreas de Zootecnia, Engenharia Agronômica ou Engenharia de Alimentos, com duração de mais 2 anos.

A nível de pós-graduação Stricto sensu, a Universidade Federal do ABC – UFABC, em Santo André – SP, iniciou em 2010 cursos de pós-graduação com Mestrado e Doutorado em Biossistemas. O curso foi recomendado pela CAPES com nível 4. Também foram disponibilizadas vagas para estágio de Pós-Doutorado em Biossistemas na mesma instituição.

A nível de pós-graduação Lato sensu, a Universidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, oferece desde 2008 o Curso de Especialização em Engenharia de Biossistemas.

Também é oferecido pela Universidade Federal Fluminense um programa de Pós-Graduação em Engenharia de Biossistemas com Área de Concentração em Recursos Naturais e Ambiente, e tem por objetivo desenvolver pesquisas enfocando três linhas de pesquisa, à saber: Sistemas Agrícolas e Ambientais; Recursos Hídricos e Meio Ambiente; Energia e Meio Ambiente (http://www.pgeb.uff.br/).

Em 2012 foi aprovada pela reitoria da UNESP (Universidade Estadual Paulista) a criação do curso de graduação em Engenharia de Biossistemas no campus de Tupã. A previsão de início do curso é o ano de 2014.

Segundo as últimas informações o curso será oferecido também na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS, no campus de Chapadão do Sul. 

QUER SABER MAIS?

ACESSE OS VÍDEOS RELACIONADOS: clique aqui.

GRADE CURRICULAR: curso oferecido na USP (clique aqui), curso oferecido na UFCG (clique aqui), curso oferecido na Universidade Federal de São João Del-Rei (clique aqui).

Obs.: se alguma Faculdade não foi citada ou for constatada alguma incoerência no texto, entrem em contato conosco.

Referências: Brasil Profissões; Blog Biossistemas; Guia do Estudante; Portfólio para os calouros da USP/FZEA  – 2011;
UFABC; Universidade de Évora; Universidade de Illinois; UFPel; USP.

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