Caros leitores,

Após 4 anos de muitos trabalhos e publicações realizadas pelo Portal Biossistemas aqui no WordPress sentimos que já era hora de mudarmos nossa aparência, conquistarmos novos parceiros e inovarmos o jeito de divulgar a Engenharia de Biossistemas. Para isso tivemos que mudar nosso endereço para uma plataforma que nos permita crescer e com todo o suporte necessário.

Convidamos a todos para continuarem a falar de Engenharia de Biossistemas em nosso novo espaço:

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Aconteceu na FZEA: Diálogos Biossistemáticos

Texto por: Lisiane Brichi e Matheus H. Paes.

Aconteceu na FZEA no último dia 26/08 mais uma edição dos Diálogos Biossistemáticos, contando com a presença dos professores convidados Murilo M. Baesso e Rubens A. Tabile para discussão do tema “Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento”.

Abertura dos diálogos. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

O evento teve início com rápidas apresentações pessoais de ambos os professores, seguidas de uma introdução ao tema do encontro. Em um breve histórico apresentado foi exposto que o sensoriamento remoto surgiu para fins militares, assim como grande parte das tecnologias às quais temos acesso hoje, principalmente com o caso mais popular – a crise dos mísseis em Cuba (1962), no período da guerra fria. Com o acesso a essa tecnologia pela sociedade seu uso teve uma grande expansão, sendo a mesma aplicável para monitoramento de desmatamentos em tempo real, rotas de fenômenos climáticos extremos – o que possibilita a remoção de pessoas de áreas de risco em tempo hábil – estratégias de ocupação de determinado local, localização de pessoas e veículos, dentre outros.

Na agricultura, seus usos mais frequêntes tem sido associados à Agricultura de Precisão (AP), de modo a indicar áreas com deficiências nutricionais, doenças e pragas, estresse hídrico e distinção de características do solo (pela reflectância das plantas ou vegetação de cobertura), além de se conseguir fazer levantamentos topográficos.

Contamos hoje com certa facilidade para executar o sensoriamento remoto. Algumas empresas enxergaram essa tendência no mercado e oferecem serviços de monitoramento/imagens aéreas. Mesmo através do Google é possível dar uma espiada em como está a propriedade ou adquirir imagens de alta resolução por satélite.

As dificuldades existentes

Para o professor Rubens A. Tabile, apesar de todo o avanço tecnológico, novos paradigmas no campo e de crédito rural com taxas convidativas para aquisição de sistemas sofisticados, a maior dificuldade ainda consiste em gerir todo o volume de dados gerados pelos sistemas e analisá-los corretamente em sua variabilidade, pois grande parte dos produtores não domina a tecnologia que o mercado oferece e ainda carecemos de especialistas para suporte nas propriedades rurais. Assim sendo, problemas a mais são gerados ao produtor, pois perde-se tempo tentando compreender o funcionamento do sistema e até o dinheiro investido – caso não se tenha sucesso na empreitada.

Muito se fala à respeito do conservadorismo dos pequenos e médios produtores rurais na adoção de novas técnicas e ferramentas. Um equívoco, pois estes no papel de empreendedores da terra assumem riscos moderados, procuram se informar sobre as tendências e experimentam tecnologias. Entretanto, por vezes este é um grande conhecedor de sua propriedade e da natureza, sabendo onde existe variabilidade da produção em sua área, do comportamento de seus animais apenas pelos barulhos emitidos, da infestação de pragas por talhão, sem que para isso seja necessário o uso de sensores ou de imagens para lhe dar essa informação, conforme destacou o professor Fabrício Rossi em sua fala.

"Convivemos com a cultura de supor que um recurso novo ou a mais poderá ser a solução para um problema", afirma o professor Rubens Nunes. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

“Convivemos com a cultura de supor que um recurso novo ou a mais poderá ser a solução para um problema”, afirma o professor Rubens Nunes. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

Para o professor Rubens Nunes (doutor em Economia), também presente nos Diálogos, deve-se, sobretudo entender qual o negócio – em outras palavras, onde interferir no processo. Se o produtor, com suas técnicas e conhecimentos, persiste na atividade há tanto tempo, é porque entende que os processos e a oferta de uma nova tecnologia (por vezes que faça algo que não podemos, substitua ou facilitem o trabalho humano) podem ser a solução para um problema marginal apenas, não sendo observados ganhos ou mudanças efetivas. Entretanto, o que ainda não percebemos é que o “agricultor tem aversão aos riscos, e por esta razão é necessário ter a dominância plena da tecnologia vendida”, com as palavras do professor.

Explorando novos caminhos

Na abertura de sua fala o professor Celso E. L. Oliveira exemplificou o caso da caneta da NASA, história a qual supõe que a agência espacial americana investiu milhões de dólares para desenvolver uma caneta que funcionasse no ambiente de gravidade zero. Simplificando a operação, os astronaltas Russos escreviam à lápis. O professor levantou também a seguinte questão: o Brasil precisa hoje de lápis ou de caneta?

Uma vez que os pequenos e médios produtores possuem conhecimento de sua propriedade, não seria mais interessante ensiná-los o porquê da variabilidade espacial em sua propriedade, ensinando-os a fazer manualmente os mapas de produtividade para gerar informações mais simples de se entender? Será que a transição direta entre as anotações de lápis e papél, com os conhecimentos empíricos adquiridos ao longo de anos de observação, para sistemas de aquisição de dados sofisticados é o caminho? Poderia haver ações de preparo visando o uso de novos sistemas?

Um exemplo muito interessante para o exposto é o da ação conjunta no monitoramento e combate ao psilídeo (praga que ataca o citrus) no Estado de São Paulo. Através da contagem do número deste inseto em armadilhas instaladas nas propriedades, define-se a necessidade de pulverização de pesticidas ou não, pela taxa de invasão do inseto. Em se fazendo necessário o controle, os produtores da região são avisados através de um sistema simples, em um site da internet. O monitoramento e coordenação das atividades ficam sob a responsabilidade de um único agente, a Fundecitrus.

"Drones são a bola da vez", afirma o professor Rubens A. Tabile. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.).

“Drones são a bola da vez”, afirma o professor Rubens Tabile. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.).

É certo que as tecnologias mudam com o tempo. Acredita-se que a atual onda de difusão de Vants, Drones e Quadcópteros (termos diferentes para dizer uma mesma coisa) seja apenas moda e que daqui alguns anos esta seja substituída outros meios, mais práticos e robustos. Os preços desses equipamentos oferecidos no mercado devem cair e a variedade de aplicações aumentará. Porém, de certo o que não muda nem se barateia é a inteligência aplicada à construção dessas tecnologias. Como o próprio professor Murilo M. Baesso disse, “Tecnologia agrícola existe para todos, mas nem sempre é adequada”.

 E você leitor, para onde acha que vai o georreferenciamento na agricultura? Queremos sua opinião!

A Batalha pela Soja: Alimentação x Energia

Grandes culturas como soja e milho estão muito bem posicionadas no mercado alimentício, como índices fornecidos pela FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) explicitam. Desde 2008, o mesmo órgão já previa que o Brasil mesmo ultrapassaria os Estados Unidos na produção desse insumo agrícola. A problemática básica apenas é que tanto o milho quanto a soja são utilizados atualmente também para produção de biocombustíveis, uma fonte energética que tem cada vez mais ganhado destaque mundial, isto pois as exigências quanto à utilização  de fontes renováveis na produção de combustíveis tem sido crescentes.

sojaNão é de destituir-se que fontes “verdes” sejam altamente recomendadas ao que se remete à diminuição de impactos ambientais, porém através dessas, consequências de cunho social são geradas; neste caso o aumento dos preços dessas fontes alimentícias no mercado. A soja, como a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) afirma, é utilizada na indústria alimentícia para produção de ração animal, extrato solúvel (leite de soja) e massas alimentícias. Logo, destinar boa parte da produção interna e externa para produção de biocombustíveis, significa a redução da incorporação da cultura em questão nos produtos citados anteriormente, e por assim dizer, ocasionar situações que prejudiquem o consumidor. Estima-se que atualmente 80% da produção de biodiesel no país seja realizada por meio da soja, o qual estes 80% representam 10% de toda a produção nacional do grão, segundo Améllio Dall’Agonol, pesquisador da EMBRAPA, o que querendo ou não atrapalha significativamente a exportação da mesma.

Em uma matéria divulgada no portal AgroDebate em 2013, é dito que a Índia, para dar conta do consumo, visa altamente importar a soja brasileira, isto devido a uma baixa na lavoura indiana. Portanto, aumentar o destino da soja para produção de biocombustíveis em território nacional, significa acarretar a falta deste produto num cenário exterior, e por consequência um possível aumento das crises alimentícias em países com alta densidade populacional como a China e a própria Índia. Além disso, acarreta o aumento do desmatamento de regiões como o Cerrado, onde se localiza o Mato Grosso, maior produtor do país, já que para equilibrar a produção de maneira a suprir as necessidades dos dois setores de aplicação é necessário o aumento de área cultivada, como afirma uma matéria divulgada no portal G1 também em 2013.

Sabe-se que a qualidade do biodiesel produzido através da oleaginosa em questão é de muito boa qualidade, o que pesa na hora da escolha da matéria prima verde. Sendo assim, é necessário que se encontre, através de pesquisas, alternativas tão eficazes quanto a utilização da soja na produção de biocombustíveis, e isto já vem sendo realizado. Em 2011, a revista Globo Rural publicou em seu portal a utilização de borra de café para produção de biodiesel, afirmando que através de cerca de 1kg da  mesma é possível extrair até 100 mililitros de óleo, o que geraria cerca de 12 mililitros de biodiesel.

 

USP de Pirassununga forma 1° Turma de Engenharia de Biossistemas

Por José Arthur Z. de Paula e Keylla Guiguer – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2013/14). Orientada pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

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Plantio da árvore: Ipê Rosa da I turma de Engenharia de Biossistemas

No dia 8 de fevereiro de 2014, aconteceu a cerimônia de colação de grau dos alunos das primeiras turmas dos cursos de Engenharia de Biossistemas e Medicina Veterinária da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), localizada no campus da USP de Pirassununga. Ambas as turmas ingressaram na FZEA no ano de 2009, ano de implementação de ambos os cursos. A solenidade ocorreu no Centro de Convenções Prof. Fausto Victorelli, localizado também em Pirassununga-SP.

O curso de Engenharia de Biossistemas localizado na FZEA é oferecido em período integral, com duração mínima de 10 semestres, carga horária de 4275 horas e tem 60 novas vagas por ano. Foi o primeiro da América Latina, mas hoje já é oferecido também na Universidade Federal de Campina Grande, no campus de Sumé na Paraíba e mais recentemente na Unesp – Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita Filho” – Campus de Tupã, iniciado em março deste ano. Também é oferecida pela Universidade Federal de São João Del Rei em Minas Gerais, com o nome de Biossistemas.

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Formatura da I Turma de Engenharia de Biossistemas

O Engenheiro de Biossistemas vivenciou nestes cinco anos de caminhada ao longo da vida universitária experiências indescritíveis para serem colocadas apenas em palavras, porém, sem dúvida, memoráveis para o resto da vida de cada colega que assim a viveu. A resposta para todas as perguntas dos familiares e amigos, de porque a escolha da Engenharia de Biossistemas não é facilmente respondida em alguns simples meses após o inicio do curso em 2009 e ainda não se faz após o ingresso no mercado de trabalho. A combinação perfeita entre tecnologia e agronegócio ainda não foi totalmente difundida entre as empresas e até mesmo nos meios acadêmicos, se tornando um dos principais aspectos da missão deste portal e dos alunos do curso.

A formatura de um aluno de graduação possui diversos pontos de vista que variam entre àqueles amigos que querem apenas mais uma festa para curtir com a turma toda; a família, que fica emocionada com o evento e empolgada com o fato de o filho estar se formando na universidade; os professores, que enxergam o acontecimento como mais um ciclo que está terminando e os próprios formandos que percebem que uma nova etapa esta só começando, que todos os problemas enfrentados foram vencidos, superados ou então serão recordados para que não se repitam. As vitórias foram inúmeras e diversificadas, resultando em um crescimento pessoal com experiências acadêmicas e profissionais levadas ao extremo que carregarão seu peso e sua importância para o resto de nossas vidas.

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O brinde

A primeira turma de Engenharia de Biossistemas da América Latina se formou com louvor, com direito a musica temática: “We Are The Champions”, sugerida pelo Diretor em exercício da Faculdade. Foi feita assim história baseando-se em vivências diversas, experiências incríveis de tristeza, ódio e acima de tudo satisfações e felicidades, fechando apenas um período de muitos que ainda estão por vir, de cabeças e pluralidades que compõem a imagem da Engenharia de Biossistemas.

E a formatura da primeira turma de Engenharia de Biossistemas trouxe também boas notícias aos demais alunos do curso, pois no mês de abril alunos, professores e funcionários da FZEA, receberam com muita alegria a notícia do reconhecimento do Curso de Engenharia de Biossistemas.

Abaixo, na íntegra, é reproduzida a nota do Diretor da FZEA Prof. Dr. Paulo José do Amaral Sobral, para toda a comunidade da FZEA-USP:

Parecer CEE 02/2014 – Reconhecimento – Engenharia de Biossistemas

Senhores docentes e alunos de graduação da FZEA:

O Diretor da FZEA, Prof. Dr. Paulo José do Amaral Sobral, tem a satisfação de comunicar o Reconhecimento do nosso Curso de Engenharia de Biossistemas, agradecendo e parabenizando toda a Comunidade desta Unidade, principalmente a equipe que trabalhou para que esta conquista fosse alcançada.

O Portal Biossistemas deseja sucesso a todos os formandos da I turma de Engenharia de Biossistemas da América Latina!

A Embrapa e suas novas tecnologias

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), visando a produção de conhecimento científico e desenvolvimento de técnicas de produção para a agricultura e a pecuária brasileira, desenvolveu um Veículo Aéreo não Tripulado (VANT), os chamados drones, a mais nova ferramenta tecnológica desenvolvida pela Embrapa Instrumentação, para levar para a agricultura os avanços da engenharia espacial.

O chefe geral da Embrapa Instrumentação, Luiz Mattoso, conta que, além dos drones, a entidade também desenvolve softwares para a nova tecnologia. Mattoso explica que os drones poderão prever, por exemplo, o aparecimento de pragas.

Imagem– Os drones são o avanço dos aeromodelos, que são a evolução para mapeamento das propriedades rurais. Os softwares farão a interpretação das fotos dos mapas das propriedades, que ajudam a prever produtividade. Os drones sensores podem analisar a fertilidade, podendo ajudar a agricultura de precisão, além de prever pragas. Isso ajudará a monitorar e antecipar problemas da produção – acrescenta.

Segundo o pesquisador da Embrapa, Lúcio André de Castro Jorge, as imagens captadas pelo vant, aliadas a uma boa técnica de geoprocessamento, são capazes de identificar com precisão a existência de pragas e falhas em lavouras, problemas de solo, além de áreas atingidas por erosão e assoreamento de rios.

As imagens coletadas pelos drones são de resolução superior às de satélites e podem ser analisadas com a ajuda de um programa de computador, que indica através de cores específicas os problemas que provocam prejuízos nas lavouras. As imagens mostram doenças, falhas, áreas atacadas com nematóides, plantas daninhas, deficiências hídricas, zoneamento de sítios homogêneos, monitoramento de culturas e estudos de conservação do solo.

A Embrapa também desenvolveu, junto ao Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura, da Universidade Estadual de Campinas (Cepagri/Unicamp), uma nova versão do Sistema Agritempo.

O Agritempo é um sistema de monitoramento agrometeorológico disponível na internet que permite o acesso gratuito às informações meteorológicas e agrometeorológicas de todos os municípios brasileiros. Resultado da parceria entre várias instituições nacionais, é um consórcio que organiza e administra dados de um conjunto de mais de 1.400 estações meteorológicas espalhadas pelo país. Criado em 2003, o sistema está sendo aperfeiçoado para uma versão mais interativa e com funcionalidades que buscam atender aos interesses dos diversos públicos da Embrapa.

Embrapa Informática Agropecuária.

Embrapa Informática Agropecuária.

A pesquisadora da Embrapa Informática Agropecuária Luciana Alvim Santos Romani, líder do projeto, explica que a equipe está desenvolvendo uma plataforma computacional atualizada, aliada a uma interface baseada no conceito de web 2.0, que permite mais flexibilidade no uso dos recursos tecnológicos.

– Além de recursos que vão permitir visualizar melhor o sistema em celulares e tablets, ele será apresentado nos idiomas português, inglês, francês e espanhol, já que também é consultado por usuários internacionais – conta Luciana. Entre os novos recursos tecnológicos, destaca-se o uso de ferramentas de WebGis, que permitem a geração personalizada de uma série de mapas de previsão e monitoramento, além de gráficos de dados históricos, de acordo com critérios selecionados pelo usuário, como período e região desejada. A tecnologia foi avaliada por representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Meio Ambiente, Casas da Agricultura, universidades, institutos de pesquisa e instituições de assistência técnica e extensão rural.

Buscando um volume de produção agrícola que atenda às necessidades da população, o engenheiro de biossistemas se encaixa no desenvolvimento e atuação desses tipos de tecnologias, que envolvem o sistema produtivo do agronegócio. Esse profissional é responsável pela inovação e criação de sistemas que beneficiam e otimizam a produção no campo.

Fonte: Embrapa

Tempo de bons ventos para a agricultura irrigada nacional

Desde os primórdios da humanidade, é possível constatar que a irrigação sempre que utilizada de maneira racional torna-se basicamente um dos meios mais efetivos de se potencializar a produtividade de determinada cultura agrícola. Isto pois, toda vez que bem gerida, a mesma reduz os riscos de quebra de safras pela escassez hídrica, aumentando assim a disponibilidade de produtos e atraindo futuros investimentos ao agricultor que adere este sistema de melhoria. Por este fato então, o governo tem aderido a cada vez mais as técnicas efetivas de zoneamento agrícola, que consiste basicamente num instrumento de gestão de riscos na agricultura, conjuntamente à irrigação.

Interface do CLIMWAT 2.0 para o CROPWAT

Interface do CLIMWAT 2.0 para o CROPWAT

Sendo assim, o Ministério da Integração Nacional, anunciou dia 15 deste mês o lançamento de um sistema de armazenamento de dados com o objetivo de fornecer suporte ao setor discutido então. O nome de tal ferramenta é Sinir, e estará dividida em módulos de maneira a facilitar a implantação da mesma. A proposta é que o Sinir contenha em si informações à cerca da área a ser irrigada, como por exemplo índices de precipitação,  ferramentas de dimensionamento do sistema, informações à cerca da quantidade de energia elétrica disponível e informações econômicas, em auxílio ao produtor que estará a utilizar a técnica irrigante. Dessa forma, O gerenciamento das informações dentro do sistema ficará sobre a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, da Secretaria Nacional de Irrigação e das entidades vinculadas, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).

O mais interessante é que ferramentas para unificar informações a cerca de setores irrigados já existem ao redor do  mundo, e uma delas muito usual foi criada pela FAO (Food and Agriculture Organization) no ano de 2000, e é conhecida como CLIMWAT, utilizada em combinação com o programa de computador CROPWAT. A mesma permite o cálculo das necessidades de água da cultura, abastecimento de irrigação e manejo da irrigação em diversas culturas para uma série de estações climatológicas em todo o mundo.

Logo, vemos então o quão importante é o desenvolvimento de bases como essa, e o quão importante é a qualificação do profissional que cria tais ferramentas. Tendo isto mente, é possível chegar à conclusão que o engenheiro de biossistemas é um dos profissionais mais indicados para projetos como este, uma vez que o mesmo exerce constante contato com o ambiente virtual e com o ambiente vegetal, combinando de maneira efetiva observação, coleta e armazenamento de dados.

Empreendedorismo na Engenharia de Biossistemas

“Para o empreendedor, o ser é mais importante que o saber.” (O segredo de Luísa, Fernando Dolabela). Dessa forma começamos um assunto que é de extrema importância, empreendedorismo, o qual se tornou o melhor meio para gerar novos empregos e para se conseguir um emprego.

ImageNessa publicação a equipe do Portal Biossistemas traz uma entrevista com o professor doutor Celso da Costa Carrer, o qual tem experiência como empresário e gestor de vários empreendimentos na área do agronegócio. Atualmente é professor associado, na área de especialização de Empreendedorismo, pelo Departamento de Engenharia de Biossistemas. 

O Empreendedor hoje pode ser definido como o “motor da economia”, uma pessoa responsável por mudanças.  Filion (1991) dizia que “Um empreendedor é a pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões”.

De acordo com o prof. Celso Carrer a melhor forma de empreender envolve estratégia para a mitigação de riscos do negócio. Sendo preciso que o candidato a empreender passe por duas principais fases, segundo referenciais teóricos: conceitual e racional. Na primeira ele identifica ou cria uma oportunidade, na segunda ele estrutura um plano de negócios (o Engenheiro de Biossistemas aprende a fazer o plano de negócios). Em cada etapa existe uma demanda específica em termos de formação para empreender.

Ainda existe uma fase chamada pré-conceitual e que envolve características diferentes das outras duas fases. Se na fase conceitual a pergunta que o empreendedor responde é sobre “o que fazer” e na fase racional é sobre o “como fazer”, na fase pré-conceitual ele precisa responder afirmativamente a pergunta “fazer ou não fazer”. Para se conseguir responder é necessário buscar conhecimento aprofundado sobre o mercado em que se pretende ingressar, fazendo assim uma análise e verificando se o negócio é viável ou não, após isso se estrutura um plano, o qual tem como objetivo simular o funcionamento da empresa antes da decisão de constituí-la. A partir dessas respostas, diminui-se os riscos de uma decisão de “fazer” quando o desejável seria “não empreender”.

Uma boa tática para o empreendedor é utilizar a inovação como diferencial competitivo, assim como que seu empreendimento fiquei alocado em uma incubadora, de preferência de natureza universitária. As incubadoras de empresas são espaços que permitem o aprimoramento do perfil empreendedor através de contínua assistência de especialistas em negócios, além de proporcionar oportunidades de geração de spin-offs no ambiente científico/tecnológico.

E o Engenheiro de Biossistemas tem potencial para ser um empreendedor? O professor Carrer diz que sempre acreditou que o Engenheiro de Biossistemas deveria possuir em um dos seus principais eixos de formação uma visão elaborada, para saber transformar conhecimento em sua área de especialização, para atendimento de demandas inovadoras no mercado em que atuará.  A formação tecnicista recebida durante os 5 anos de faculdade pode abrir um potencial enorme para que sejam produzidas soluções de mercado para diversas áreas do agronegócio. Há também implícito a inovação recebida, que precisa ser complementada com uma visão de negócios.

E mesmo para o profissional formado que não venha a abrir o seu próprio negócio é de extrema importância que tenha um comportamento empreendedor bem desenvolvido, visto que as empresas hoje estão recrutando esse tipo de profissional, pois essa postura faz toda a diferença para que o colaborador tenha sucesso em sua futura carreira, sendo o foco de seleção das empresas. O professor diz que em sua opinião este aprendizado deveria vir permeado durante todo o programa de disciplinas do curso da Engenharia de Biossistemas, além de disciplinas aplicadas mais no final do período.

Vendo a grande importância do empreendedorismo, o governo gera alguns incentivos para quem quer começar um negócio, que passam hoje pela priorização de políticas que objetivam a adoção da inovação pelos empreendedores. Ficou constatado através dos resultados alcançados nos centros econômicos, historicamente mais dinâmicos que o surgimento de empreendimentos inovadores apresentam maiores chances de sobrevivência e sucesso para seus projetos. Tais empreendimentos são de grande base tecnológica, conhecimento e mão de obra especializada, gerando assim maior chance de competição para empresas que iniciam suas atividades.

Existem vários programas que financiam a inovação para empresas nascentes que podem ser encontrados nos Editais das principais financiadoras tais como a FAPESP (PIPE), CNPq (RHAE), FINEP e BNDES (FUNTEC). Cada um destes programas possui um objetivo de incentivo à geração de empresas inovadoras, e para quem tenha foco na inovação, podem injetar recursos não reembolsáveis. E esse auxílio público tem como proposição gerar investimentos/empregos/renda/consumo.

Outro foco dos programas de incentivo à inovação é diminuir os riscos originados de uma competição desigual de mercado, em função das grandes diferenças de escala entre empresas já consolidadas e as nascentes.

Uma recomendação que o professor Celso Carrer propõe é que cada uma das linhas de apoio existentes sejam cuidadosamente analisadas nos Editais das páginas financiadoras, para que os Engenheiros de Biossistemas pratiquem a ação de capturar oportunidades. Independentemente da intenção (empreender ou não), este é um exercício que pode abrir portas importantes no mercado de trabalho para os futuros engenheiros.