Aconteceu na FZEA: Diálogos Biossistemáticos

Texto por: Lisiane Brichi e Matheus H. Paes.

Aconteceu na FZEA no último dia 26/08 mais uma edição dos Diálogos Biossistemáticos, contando com a presença dos professores convidados Murilo M. Baesso e Rubens A. Tabile para discussão do tema “Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento”.

Abertura dos diálogos. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

O evento teve início com rápidas apresentações pessoais de ambos os professores, seguidas de uma introdução ao tema do encontro. Em um breve histórico apresentado foi exposto que o sensoriamento remoto surgiu para fins militares, assim como grande parte das tecnologias às quais temos acesso hoje, principalmente com o caso mais popular – a crise dos mísseis em Cuba (1962), no período da guerra fria. Com o acesso a essa tecnologia pela sociedade seu uso teve uma grande expansão, sendo a mesma aplicável para monitoramento de desmatamentos em tempo real, rotas de fenômenos climáticos extremos – o que possibilita a remoção de pessoas de áreas de risco em tempo hábil – estratégias de ocupação de determinado local, localização de pessoas e veículos, dentre outros.

Na agricultura, seus usos mais frequêntes tem sido associados à Agricultura de Precisão (AP), de modo a indicar áreas com deficiências nutricionais, doenças e pragas, estresse hídrico e distinção de características do solo (pela reflectância das plantas ou vegetação de cobertura), além de se conseguir fazer levantamentos topográficos.

Contamos hoje com certa facilidade para executar o sensoriamento remoto. Algumas empresas enxergaram essa tendência no mercado e oferecem serviços de monitoramento/imagens aéreas. Mesmo através do Google é possível dar uma espiada em como está a propriedade ou adquirir imagens de alta resolução por satélite.

As dificuldades existentes

Para o professor Rubens A. Tabile, apesar de todo o avanço tecnológico, novos paradigmas no campo e de crédito rural com taxas convidativas para aquisição de sistemas sofisticados, a maior dificuldade ainda consiste em gerir todo o volume de dados gerados pelos sistemas e analisá-los corretamente em sua variabilidade, pois grande parte dos produtores não domina a tecnologia que o mercado oferece e ainda carecemos de especialistas para suporte nas propriedades rurais. Assim sendo, problemas a mais são gerados ao produtor, pois perde-se tempo tentando compreender o funcionamento do sistema e até o dinheiro investido – caso não se tenha sucesso na empreitada.

Muito se fala à respeito do conservadorismo dos pequenos e médios produtores rurais na adoção de novas técnicas e ferramentas. Um equívoco, pois estes no papel de empreendedores da terra assumem riscos moderados, procuram se informar sobre as tendências e experimentam tecnologias. Entretanto, por vezes este é um grande conhecedor de sua propriedade e da natureza, sabendo onde existe variabilidade da produção em sua área, do comportamento de seus animais apenas pelos barulhos emitidos, da infestação de pragas por talhão, sem que para isso seja necessário o uso de sensores ou de imagens para lhe dar essa informação, conforme destacou o professor Fabrício Rossi em sua fala.

"Convivemos com a cultura de supor que um recurso novo ou a mais poderá ser a solução para um problema", afirma o professor Rubens Nunes. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

“Convivemos com a cultura de supor que um recurso novo ou a mais poderá ser a solução para um problema”, afirma o professor Rubens Nunes. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

Para o professor Rubens Nunes (doutor em Economia), também presente nos Diálogos, deve-se, sobretudo entender qual o negócio – em outras palavras, onde interferir no processo. Se o produtor, com suas técnicas e conhecimentos, persiste na atividade há tanto tempo, é porque entende que os processos e a oferta de uma nova tecnologia (por vezes que faça algo que não podemos, substitua ou facilitem o trabalho humano) podem ser a solução para um problema marginal apenas, não sendo observados ganhos ou mudanças efetivas. Entretanto, o que ainda não percebemos é que o “agricultor tem aversão aos riscos, e por esta razão é necessário ter a dominância plena da tecnologia vendida”, com as palavras do professor.

Explorando novos caminhos

Na abertura de sua fala o professor Celso E. L. Oliveira exemplificou o caso da caneta da NASA, história a qual supõe que a agência espacial americana investiu milhões de dólares para desenvolver uma caneta que funcionasse no ambiente de gravidade zero. Simplificando a operação, os astronaltas Russos escreviam à lápis. O professor levantou também a seguinte questão: o Brasil precisa hoje de lápis ou de caneta?

Uma vez que os pequenos e médios produtores possuem conhecimento de sua propriedade, não seria mais interessante ensiná-los o porquê da variabilidade espacial em sua propriedade, ensinando-os a fazer manualmente os mapas de produtividade para gerar informações mais simples de se entender? Será que a transição direta entre as anotações de lápis e papél, com os conhecimentos empíricos adquiridos ao longo de anos de observação, para sistemas de aquisição de dados sofisticados é o caminho? Poderia haver ações de preparo visando o uso de novos sistemas?

Um exemplo muito interessante para o exposto é o da ação conjunta no monitoramento e combate ao psilídeo (praga que ataca o citrus) no Estado de São Paulo. Através da contagem do número deste inseto em armadilhas instaladas nas propriedades, define-se a necessidade de pulverização de pesticidas ou não, pela taxa de invasão do inseto. Em se fazendo necessário o controle, os produtores da região são avisados através de um sistema simples, em um site da internet. O monitoramento e coordenação das atividades ficam sob a responsabilidade de um único agente, a Fundecitrus.

"Drones são a bola da vez", afirma o professor Rubens A. Tabile. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.).

“Drones são a bola da vez”, afirma o professor Rubens Tabile. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.).

É certo que as tecnologias mudam com o tempo. Acredita-se que a atual onda de difusão de Vants, Drones e Quadcópteros (termos diferentes para dizer uma mesma coisa) seja apenas moda e que daqui alguns anos esta seja substituída outros meios, mais práticos e robustos. Os preços desses equipamentos oferecidos no mercado devem cair e a variedade de aplicações aumentará. Porém, de certo o que não muda nem se barateia é a inteligência aplicada à construção dessas tecnologias. Como o próprio professor Murilo M. Baesso disse, “Tecnologia agrícola existe para todos, mas nem sempre é adequada”.

 E você leitor, para onde acha que vai o georreferenciamento na agricultura? Queremos sua opinião!

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Uma visão sobre a produção animal – diálogos e dilemas

primitivoSe nossos ancestrais não tivessem um dia preferido o bife à alface você não estaria lendo este texto. Aliás, o Portal Biossistemas nem existiria, porque ainda seríamos muito primitivos. Foi o aumento no consumo de gordura e proteína animal, ocorrido há 2 milhões de anos, que possibilitou o crescimento do nosso cérebro até chegar ao tamanho atual, segundo Rui Murrieta, professor de antropologia biológica da Universidade de São Paulo.

A última edição dos Diálogos Biossistemáticos, ocorrido na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, abordou a questão do sistema de produção de proteína animal e a influência do meio sobre o processo, sob os diversos aspectos.

O século XXI trouxe consigo novos paradigmas para a produção animal, até o momento colocados sobre a qualidade do produto e o bem-estar. Há um claro antagonismo aí – aumentar a produção, nos moldes que a praticamos atualmente, implica em minimizar o conforto dos animais, na maioria das vezes criados sob confinamento.

Talvez esse não seja o melhor sistema e alguns podem contra-argumentar que novas políticas têm sido instituídas para que os animais cresçam em melhores condições, em ambientes livres, assim como se estivessem na natureza, gerando ganhos em produtividade. Entretanto, para alguns especialistas, como os animais são geneticamente modificados para produção de carne e ovos sob esse sistema, não possuem um bom desempenho quando em condições diferentes das que oferecemos. Por terem uma genética tão refinada estão suscetíveis à uma maior exposição à doenças (devido a um sistema imunológico menos adaptado), dificuldade para locomoção (com seu rápido desenvolvimento de carne, os membros não suportam seu peso), maior estresse ambiental, dentre outros, nas condições de ambiente aberto.

Para se ter uma ideia, o sistema de produção de aves e suínos só se tornou viável em grande escala através do modelo de produção hoje adotado – o intensivo – caso contrário não trariam uma remuneração ao produtor que justificasse a atividade.

Não podemos negar que a carne é um alimento extremamente necessário ao ser humano e o seu consumo só tem aumentado. Segundo estimativas da FAO, hoje são produzidas 270 milhões de toneladas no mundo e, para atender à demanda em 2050, a produção deve sofrer um aumento de 200 milhões de toneladas – caso contrário haverá uma escassez de proteína de origem animal.

Mudanças de hábito

Uma alternativa adotada por muitos é a dieta vegetariana. Mas, ao que se sabe, os vegetais carecem de alguns aminoácidos importantes para nosso organismo, como o triptofano e a metionina, e se não repostos, podem nos deixar bastante debilitados. Independente do valor nutricional que a carne nos oferece, o ser humano a mantém em sua alimentação por prazer sensorial – em outras palavras – gostamos de comê-la. Seu consumo está também ligado à uma melhoria da qualidade de vida. Em países emergentes, por exemplo, com a ascensão de uma nova classe média os gastos familiares se voltam para uma melhoria da qualidade alimentar, refletindo no aumento do consumo de proteína animal. Ou seja, com o crescimento da população a demanda por carne aumentará. 

E quanto às alternativas? Não seria possível adotar criações animais adaptadas às condições regionais, como o camarão, jacaré, capivara, avestruz, sem ter que brigar com o meio ambiente para se produzir um bicho que não está adaptado a um determinado local?

A princípio sim. Esbarramos hoje, sobretudo, numa questão cultural. Nossos antepassados, há algum tempo, restringiram nossa alimentação em poucos grupos de animais, tais como os bovinos, aves e suínos, principalmente. Mas nem sempre foi assim. Imagine que há alguns séculos qualquer animal estaria no banquete, bastasse ter o azar de cruzar nosso caminho.

Para o professor Júlio C. C. Balieiro, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, nos próximos anos veremos uma grande mudança na base da alimentação mundial. Em países asiáticos, por exemplo, é comum a ingestão de insetos como fonte de proteína e num futuro próximo a tendência é vermos um aumento desse consumo. Se sentiu náusea ao pensar nisso, não se desespere! Temos muitas outras opções, certo? Em partes…

Um grande problema encontrado hoje é que certos animais esbarram em limitações da sua própria espécie para que sejam produzidos em escala. Para isso seriam necessários altos investimentos em pesquisa e avanço de gerações, incluindo seleção genética, estudo de ambiência, tecnologias de suporte, dentre outros, que poderiam esgotar a capacidade de exploração de uma empresa antes mesmo de acostumarmos nosso paladar.

A solução, portanto, pode estar espécies já conhecidas, como os peixes, cuja produção vem ganho força no mercado nacional (e que há pouco tempo ganhou até um Ministério).

Produção que alimenta a economia

No modelo de produção de carnes europeu encontram-se propriedades rurais em que o governo oferecia subsídios para a atividade. Devido à crise que abalou a economia mundial, os governos do velho continente não estão mais bancando a produção dos criadores e estes, por não terem mais como produzir e competir, têm deixado o campo.

Nenhum país do mundo consegue produzir proteína animal mais barata do que a nossa – mesmo com subsídios. Por que? O agronegócio brasileiro é altamente eficiente e tecnológico. Grande parte da tecnologia e soluções desenvolvidas por aqui hoje é exportada para outros países. E mesmo com poucos subsídios e alta carga tributária conseguimos dar conta do consumo interno, ganhar o mercado internacional e gerar quase metade do PIB brasileiro. Se repararmos, isso não ocorre em outros setores da economia. É claro que dois grandes aliados ao sucesso estão na escala de produção e nos desafios a serem superados, pois sem subsídios governamentais a busca por soluções surge como questão de sobrevivência dos produtores.

Será que para atender à demanda por proteína animal, num futuro próximo, teremos que aumentar nossos rebanhos? E os impactos ambientais gerados pela expansão destas atividades? O sistema produtivo comporta um aumento exponencial no número de animais? No futuro iremos nos alimentar de hambúrgueres produzidos em laboratório?

Karl Marx já dizia no século XIX que a Humanidade nunca se coloca problemas que já não tenha condições de resolver, pois as mesmas condições que geraram a consciência do problema são as que ajudarão a gerar soluções.

O que você pensa à respeito? Deixe sua opinião!

II SEMAC FZEA – CONSTRUÇÕES E AMBIÊNCIA

Por Matheus Hansen Paes e Keylla Guiguer – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2013/14), orientada pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

Foto por: Biossistec Jr.

Foto por: José Pedro M. Coelho e Marco Aurélio S. Salazar.

O bloco de Construções e Ambiência foi um dos blocos com maior procura nesta II Semana Acadêmica (SEMAC) da FZEA. Durante 3 dias de atividades, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer empresas do setor e de se interarem sobre essa área de atuação, que tem ganho cada vez mais atenção e importância no meio agropecuário.

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“Reuso Agrícola no Campus de Pirassununga”

A busca por sustentabilidade nos sistemas produtivos e a temática da gestão dos resíduos tem despertado discussões no âmbito da Universidade e da sociedade em geral. Na Universidade de São Paulo a criação da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA) tem apoiado e fomentado iniciativas que contemplem educação ambiental e atividades engajadas dentro da política nacional de resíduos.  Em contrapartida, não tem como conceber a atuação do Engenheiro de Biossistemas sem considerar a geração de resíduos das atividades agropecuárias, e as soluções técnicas para  sustentabilidade do sistema produtivo. Diante deste cenário um grupo de docentes da FZEA, com apoio da Prefeitura do Campus (PUSP-P) e financiados pela SGA, Programa Aprender com Cultura e Extensão e pela FAPESP tem desenvolvido pesquisas e orientado alunos através do GEBio – Sistemas e Engenharia (Grupo de estudos em Biossistemas), na linha do “Reuso Agrícola”.
FZEA-CCPS-SGA

O aproveitamento integral e racional dos recursos da agricultura, assim como dos resíduos gerados pelos processos de produção, se torna cada vez mais necessário e real dentro das propriedades agrícolas. A variedade de resíduos orgânicos, no estado sólido e líquido, gerados dentro de um ambiente agrícola abrange uma grande diversidade de características, e quando manejados de maneira adequada, em muitos casos, são fontes potenciais de nutrientes e umidade aos cultivos, com capacidade de promover melhorias nas características físico-químicas do solo. Além de possibilitar a conservação dos recursos naturais, principalmente à qualidade dos corpos d’ água.

Reuso agricola - Estufa Profa Tamara

Estufa Reúso Agrícola – Profa. Tamara Maria Gomes

Foram aprovados e estão em andamento na FZEA/PUSP-P, dentro da linha de pesquisa “Reuso Agrícola”, três projetos intitulados: (i) Irrigação com águas residuárias de origem agroindústrial na cultura da beterraba (Foto 1); (ii) Reuso Agrícola: Irrigação com efluentes tratados de abatedouro no cultivo de pastagens; (iii) Integração das atividades agropecuárias do campus da USP de Pirassununga pela compostagem. Os projetos são coordenados pelo Prof. Fabrício Rossi e pela Profa. Tamara Maria Gomes e tem uma participação multidisciplinar, entre docentes e discentes dos cursos de Engenharia de Biossistemas, Zootecnia e Engenharia de Alimentos, além funcionários da FZEA e da Prefeitura do Campus.

Promover práticas sustentáveis em todas as atividades desenvolvidas visando à conservação dos recursos naturais é dever e obrigação de todas as pessoas, no caso da Universidade, torna-se uma responsabilidade ainda maior, pois é função dela criar o conhecimento e difundido-lo.

Autora: Profa. Dra. Tamara Maria Gomes
Colaboração: Prof. Fabrício Rossi
 
 
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ACONTECEU: Workshop “Internacionalização da graduação de Engenharia de Biossistemas”, na FZEA/USP

Texto por: Keylla Guiguer e Matheus H. Paes.

Aconteceu na segunda-feira (15/07) o workshop “Internacionalização de Graduação de Engenharia de Biossistemas”, na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP. O evento teve como objetivo aproximar alunos de graduação, docentes e funcionários ligados ao curso a um cenário global.

Abertura com o professor Celso E. L. Oliveira. Foto: divulgação.

Abertura com o professor Celso E. L. Oliveira. Foto: divulgação.

A abertura do evento ficou por conta do coordenador do curso na FZEA, professor doutor Celso E. Lins de Oliveira, que apresentou a estrutura curricular do curso e a Faculdade à qual estão inseridos. Em seu discurso o docente ressaltou o déficit na formação de profissionais na área de engenharia no Brasil (6 engenheiros para cada 1.000 pessoas economicamente ativas), sobretudo de mão de obra especializada em tecnologias para o campo, destacando a importância da criação e investimentos em cursos do gênero no país. Tomando como partida esse cenário, fez uma comparação entre as recentes medidas tomadas pelo Governo em relação contratação de médicos estrangeiros, sugerindo que a mesma internacionalização pode ocorrer na engenharia. Em sua visão, o profissional de Engenharia de Biossistemas é um agente que terá um forte contato com o meio internacional, devendo buscar ao longo de sua formação experiências externas, tanto para o aprimoramento de sua formação técnica, quanto para o desenvolvimento de um outro olhar sobre os problemas que estamos enfrentando e iremos enfrentar.

O professor doutor Raul Franzolin Neto, presidente da Comissão de Relações Internacionais da FZEA-USP, apresentou dados relevantes sobre a Faculdade e suas relações internacionais, como a 24ª colocação entre as melhores universidades do mundo das agrárias, além da marca de 160 alunos de nossa unidade que atualmente estão em universidades do exterior e 66 alunos estrangeiros que fazem intercâmbio por aqui.

O primeiro docente convidado a palestrar foi o professor Luis Manoel Navas, da Universidade de Valladolid, na Espanha. Em uma época em que o conhecimento era controlado pela Igreja, o então papa Inocêncio III autorizou, no ano de 1212, a fundação desta que é a mais antiga universidade da Espanha. Sua grandeza não está apenas no número de velas no último bolo de aniversário (800), mas também em números de pessoas, parcerias internacionais, pesquisas e publicações.

Palestra do professor Luiz Manoel Navas, da Espanha. Foto: divulgação.

Palestra do professor Luiz Manoel Navas, da Espanha. Foto: divulgação.

Navas abriu sua apresentação esclarecendo que a popularização da Engenharia de Biossistemas no mundo tem uma explicação – as mudanças na qual estamos vivendo. Segundo ele, num cenário em que a população mundial cresce a passos largos, precisamos encontrar formas mais eficientes de satisfazer nossas necessidades por alimentos, materiais e energia, através de um desenvolvimento sustentável. A título de curiosidade, citou que o termo “Engenharia de Biossistemas” teve origem nos EUA durante a década de 1960, época em que a Sociedade Americana de Engenharia Agrícola resolveu alterar o seu nome e dos cursos de graduação relacionados a fim de despertar o interesse decadente dos estudantes pelas tecnologias rurais. Na Europa, essa mesma mudança teve início durante a década de 1990 e segue lentamente até os dias atuais.

As áreas de estudos por lá não diferem das que temos por aqui – energias renováveis, agricultura de precisão, gestão de resíduos e conservação do meio ambiente são alguns dos temas citados durante a palestra. Uma diferença entre os currículos está no fato de que por lá os espanhóis distribuem de forma diferente sua formação – 4 anos de graduação, seguidos por um mestrado de duração de 1 ano. Ainda durante a graduação, os alunos podem optar por uma formação que os levem à um caminho de pesquisa ou outro mais profissionalizante, visando o mundo das empresas.

O docente resolveu bem a equação que define a formação do Engenheiro de Biossistemas. Em sua concepção, é tarefa das disciplinas de biossistemas resolverem os problemas dos sistemas biológicos, que englobam as ciências agrárias, biologia e o meio ambiente, enquanto a engenharia é responsável pela transformação de alimentos, gestão de desenvolvimento sustentável, produção de energias renováveis e de materiais baseados em produtos biológicos.

Encerrando seu discurso, Navas apresentou uma proposta de graduação com duplo diploma entre as duas Universidades (Valladolid e USP), como também na cooperação entre os docentes para formação de seus estudantes, através de aulas ministradas por videoconferência para ambas as Universidades.

Professora Diana Lopes (Universidade de Antioquia, Colômbia). Foto: divulgação.

Professora Diana Lopes (Universidade de Antioquia, Colômbia). Foto: divulgação.

A segunda palestra da tarde ficou por conta da professora Diana Lopez, que representou a Universidade de Antioquia, da Colômbia. O tema foi a “Química Verde”, conceito que define a busca pela redução a níveis mínimos da contaminação ambiental de uma determinada atividade. Dentre as pesquisas realizadas por seu grupo na Colômbia – o Quirema (Química de Recursos Energéticos e Meio Ambiente) – está o uso de substâncias com propriedades iônicas que capturam seletivamente os compostos indesejados no meio. Um exemplo disso é a retirada do fosfato da água (altamente poluente), presente no esgoto urbano lançado em rios. O mesmo fostato, após recuperado, é utilizado na agricultura como fertilizante. O grupo de Lopez também estuda a redução do impacto ambiental causado pelo uso se combustíveis fósseis, a recuperação de energia partir desses combustíveis, biomassa e resíduos, além da concepção, preparação e caracterização de catalisadores e materiais carbonáceos.

Em uma próxima edição a organização pretende convidar professores de Portugal para nos contar como está a Engenharia de Biossistemas por lá.

Acompanhe o Portal Biossistemas para maiores informações!

Ficção Científica e o Engenheiro de Biossistemas

Quem nunca assistiu a um filme e pensou: “Isso não existe, é pura ficção científica!”. Mas, será que nos dias de hoje, todos esses aparatos tecnológicos ainda não são realidade? Com o desenvolvimento cada vez mais rápido da tecnologia a grande maioria dos filmes não são mais fruto do imaginário humano e sim uma realidade incorporada ao nosso dia-a-dia e o que ainda não chegou ao mercado para ser vendido já é pesquisado em avançados laboratórios para que o mais rápido possível seja disponibilizado a humanidade.

Atualmente para nós, celulares, computadores, tabletes,  internet, são tecnologias intrínsecas ao nosso cotidiano, no entanto para que tudo isso fosse criado, demasiado estudo, pesquisa e trabalho foram necessários para conseguir desenvolver tantos bens.

No campo essa realidade não é diferente, cada vez mais se tem criado tecnologias voltadas à área agrícola, pecuária e de alimentos. Nesse âmbito, o uso de sensores e softwares configuram a tecnologia de ponta que é usada nesse meio juntamente com o desenvolvimento cada vez mais preciso de máquinas que aumentam a produtividade, reduzem gastos e agregam valor ao produto final.

Nesse contexto, a automação se torna não só um item a mais na produção, mas também uma necessidade para o melhor desenvolvimento da área agrícola, pecuária e de alimentos podendo, dessa maneira, ser uma garantia de rentabilidade para o produtor.

Demasiados exemplos de tecnologias implantadas na agropecuária podem ser citados: como a automação da produção leiteira, o uso de sensores em granjas de suínos, aves e solo, máquinas agrícolas cada vez mais sofisticadas. Tanta tecnologia não para por aí.  Há também o uso de sensores sem fio capazes de coletar dados de áreas rurais e transmiti-los para uma central que poderá acionar os sistemas de adubação e irrigação automatizados apenas por comando de softwares programados para tomar decisões.

Um equipamento que também é constantemente empregado na agricultura é o GPS, ou sistema de posicionamento global, que em tempos atuais já guia a maior parte do plantio e colheita nas fazendas. Esse recurso juntamente com o emprego de softwares faz com que as máquinas sigam rigorosamente o espaçamento entre as linhas de plantio impedindo, dessa maneira, o mau aproveitamento do espaço.

Outra tecnologia que vem sendo pesquisada e desenvolvida em laboratórios é o uso de robôs para diversas finalidades, inclusive para ser empregado na agricultura e pecuária, o que antes era apenas ficção científica já começa a se tornar realidade dentro de laboratórios de pesquisa dessa área.

As vantagens do uso da tecnologia na agricultura e pecuária são diversas, uma delas é que através de técnicas inovadoras é possível  ter maior produtividade usando o mesmo espaço, ou um espaço menor, de terra para produção. Com isso os desperdícios são minimizados o que acarreta em mais alimentos disponíveis para a população e melhor aproveitamento dos recursos naturais, preservando, desse modo, o meio ambiente. Nesse âmbito, devemos levar em conta que a população mundial cresce a cada dia, mas os recursos disponíveis na terra continuam os mesmos, por isso o uso de equipamentos inovadores contribui de maneira benéfica para a produção de alimentos no mundo.

Os sistemas de precisão configuram o que chamamos de agricultura e zootecnia de precisão. Esses sistemas resultam na otimização dos gastos da produção e no aumento da produtividade. Dessa maneira, é possível notar que o uso de recursos tecnológicos trazem diversos benefícios para a produção agropecuária e de alimentos.

 Mesmo sendo um grande exportador de produtos alimentícios o Brasil ainda importa grande parte da tecnologia empregada nesse meio. O país, até então, permanece atrás de muitas nações quando se fala de ciência. Essa situação é acentuada pela falta de investimentos, profissionais especializados, conhecimento, pesquisa e incentivos para o crescimento dessa área.

Ainda falta muito para ser criado e a demanda por produtos tecnológicos e automação cresce absurdamente. O que precisamos fazer é criar nossa própria tecnologia e transformar ficção científica em pura realidade. E é nesse meio que o Engenheiro de Biossistemas encontra um mercado de trabalho promissor, pois esse profissional apresenta grande potencial para criação e inovação tecnológica, podendo assim contribuir com o desenvolvimento dos setores agrícola, pecuário e de alimentos do nosso país.  

Calouros FZEA – USP

Caloura comemorando o ingresso FZEA - USP.

Caloura comemorando o ingresso na FZEA – USP.

Fevereiro teve uma das semanas mais esperadas do ano para muitos aspirantes a calouro. Nos dias 18 e 19 de fevereiro foi realizada na USP a matrícula dos futuros universitários que enfrentaram uma maratona de vestibulares para alcançar a vaga tão almejada em uma boa universidade. Esse ano a matrícula apresentou algumas novidades,  como  a matrícula online, a qual foi realizada antes da matrícula presencial.

Integração entre calouros e veteranos.

Na FZEA – Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos – Campus USP Pirassununga, a recepção dos calouros teve uma nova “cara” esse ano e contou com diversas novidades, dentre elas a apresentação da bateria da Atlética e a presença da recém-formada Associação de Repúblicas de Pirassununga.

Os novos alunos foram recebidos com muita disposição e houve toda uma preparação para que a recepção dos calouros fosse a melhor possível. Esteve presente também na matrícula a nova agremiação do campus, a AIESEC e as empresas juniores: Emvep Júnior, Qualimentos Júnior, Zoot Júnior e a Biossistec Júnior (Empresa do curso de Engenharia de Biossistemas, que está crescendo cada vez mais).

Os novos alunos chegaram com muita animação e, claro, com diversas dúvidas sobre o novo mundo em que irão viver. Várias perguntas sobre a faculdade, moradia, projetos de iniciação científica, estágios, matérias, professores, aulas, esportes, infra-estrutura (salas de aula, laboratórios, biblioteca) foram feitas, houve interesse também pela construção dos novos prédios no campus.

Existem também frequentes dúvidas acerca do curso de Engenharia de Biossistemas, o que é normal por ser um curso novo – criado em 2009 na FZEA, sendo esta a primeira faculdade na América Latina a apresentar essa nova área do conhecimento. Apesar disso, o profissional encontra forte campo de atuação em nosso país, pois a maior parte da tecnologia destinada ao agronegócio ainda é importada, mesmo o Brasil sendo reconhecido como grande produtor e exportador de alimentos. O Engenheiro de Biossistemas com certeza tem um futuro promissor e grandes desafios pela frente. Afinal, muito trabalho tem que ser feito para melhorar essa área, mas para que isso se torne realidade, profissionais competentes e capacitados devem ser formados. É preciso, portanto que existam alunos dedicados e que se interessem por essa formação. A Engenharia de Biossistemas, como toda engenharia, apresenta suas dificuldades, mas no futuro as recompensas valerão a pena. Por isso, não percam a chance de contribuir com o futuro do país e ser um profissional conhecido e requisitado.

Engenharia de Biossistemas.

Engenharia de Biossistemas.

Calouros, a universidade é um universo muito amplo. Aqui vocês terão acesso a todos os tipos de oportunidades, desde adquirir conhecimento até morar fora do país com tudo pago, passando por bolsas em projetos. Não encarem a faculdade apenas como uma forma de ganhar um diploma, não se acomodem e muito menos coloquem fronteiras no seu conhecimento e em seu crescimento pessoal. Aproveitem tudo que a FZEA pode oferecer, entrem para as empresas juniores, CA, atlética, pratiquem esportes, participem de workshops, palestras, façam iniciações científicas e estágios; essas são só algumas das infinitas possibilidades que estão à disposição de vocês. Não se limitem, se expandam. Fale do seu curso com orgulho, fale da FZEA com orgulho. Não tenham medo de lutar pelo seu curso e pela sua faculdade.

Calouros no Centro de Eventos durante a matícula

Calouros no Centro de Eventos durante a matrícula

Fotos disponíveis em:  http://www.facebook.com/TakeYourFlash?fref=ts