Caros leitores,

Após 4 anos de muitos trabalhos e publicações realizadas pelo Portal Biossistemas aqui no WordPress sentimos que já era hora de mudarmos nossa aparência, conquistarmos novos parceiros e inovarmos o jeito de divulgar a Engenharia de Biossistemas. Para isso tivemos que mudar nosso endereço para uma plataforma que nos permita crescer e com todo o suporte necessário.

Convidamos a todos para continuarem a falar de Engenharia de Biossistemas em nosso novo espaço:

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Acesse: www.usp.br/portalbiossistemas

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Aconteceu na FZEA: Diálogos Biossistemáticos

Texto por: Lisiane Brichi e Matheus H. Paes.

Aconteceu na FZEA no último dia 26/08 mais uma edição dos Diálogos Biossistemáticos, contando com a presença dos professores convidados Murilo M. Baesso e Rubens A. Tabile para discussão do tema “Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento”.

Abertura dos diálogos. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

O evento teve início com rápidas apresentações pessoais de ambos os professores, seguidas de uma introdução ao tema do encontro. Em um breve histórico apresentado foi exposto que o sensoriamento remoto surgiu para fins militares, assim como grande parte das tecnologias às quais temos acesso hoje, principalmente com o caso mais popular – a crise dos mísseis em Cuba (1962), no período da guerra fria. Com o acesso a essa tecnologia pela sociedade seu uso teve uma grande expansão, sendo a mesma aplicável para monitoramento de desmatamentos em tempo real, rotas de fenômenos climáticos extremos – o que possibilita a remoção de pessoas de áreas de risco em tempo hábil – estratégias de ocupação de determinado local, localização de pessoas e veículos, dentre outros.

Na agricultura, seus usos mais frequêntes tem sido associados à Agricultura de Precisão (AP), de modo a indicar áreas com deficiências nutricionais, doenças e pragas, estresse hídrico e distinção de características do solo (pela reflectância das plantas ou vegetação de cobertura), além de se conseguir fazer levantamentos topográficos.

Contamos hoje com certa facilidade para executar o sensoriamento remoto. Algumas empresas enxergaram essa tendência no mercado e oferecem serviços de monitoramento/imagens aéreas. Mesmo através do Google é possível dar uma espiada em como está a propriedade ou adquirir imagens de alta resolução por satélite.

As dificuldades existentes

Para o professor Rubens A. Tabile, apesar de todo o avanço tecnológico, novos paradigmas no campo e de crédito rural com taxas convidativas para aquisição de sistemas sofisticados, a maior dificuldade ainda consiste em gerir todo o volume de dados gerados pelos sistemas e analisá-los corretamente em sua variabilidade, pois grande parte dos produtores não domina a tecnologia que o mercado oferece e ainda carecemos de especialistas para suporte nas propriedades rurais. Assim sendo, problemas a mais são gerados ao produtor, pois perde-se tempo tentando compreender o funcionamento do sistema e até o dinheiro investido – caso não se tenha sucesso na empreitada.

Muito se fala à respeito do conservadorismo dos pequenos e médios produtores rurais na adoção de novas técnicas e ferramentas. Um equívoco, pois estes no papel de empreendedores da terra assumem riscos moderados, procuram se informar sobre as tendências e experimentam tecnologias. Entretanto, por vezes este é um grande conhecedor de sua propriedade e da natureza, sabendo onde existe variabilidade da produção em sua área, do comportamento de seus animais apenas pelos barulhos emitidos, da infestação de pragas por talhão, sem que para isso seja necessário o uso de sensores ou de imagens para lhe dar essa informação, conforme destacou o professor Fabrício Rossi em sua fala.

"Convivemos com a cultura de supor que um recurso novo ou a mais poderá ser a solução para um problema", afirma o professor Rubens Nunes. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

“Convivemos com a cultura de supor que um recurso novo ou a mais poderá ser a solução para um problema”, afirma o professor Rubens Nunes. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.)

Para o professor Rubens Nunes (doutor em Economia), também presente nos Diálogos, deve-se, sobretudo entender qual o negócio – em outras palavras, onde interferir no processo. Se o produtor, com suas técnicas e conhecimentos, persiste na atividade há tanto tempo, é porque entende que os processos e a oferta de uma nova tecnologia (por vezes que faça algo que não podemos, substitua ou facilitem o trabalho humano) podem ser a solução para um problema marginal apenas, não sendo observados ganhos ou mudanças efetivas. Entretanto, o que ainda não percebemos é que o “agricultor tem aversão aos riscos, e por esta razão é necessário ter a dominância plena da tecnologia vendida”, com as palavras do professor.

Explorando novos caminhos

Na abertura de sua fala o professor Celso E. L. Oliveira exemplificou o caso da caneta da NASA, história a qual supõe que a agência espacial americana investiu milhões de dólares para desenvolver uma caneta que funcionasse no ambiente de gravidade zero. Simplificando a operação, os astronaltas Russos escreviam à lápis. O professor levantou também a seguinte questão: o Brasil precisa hoje de lápis ou de caneta?

Uma vez que os pequenos e médios produtores possuem conhecimento de sua propriedade, não seria mais interessante ensiná-los o porquê da variabilidade espacial em sua propriedade, ensinando-os a fazer manualmente os mapas de produtividade para gerar informações mais simples de se entender? Será que a transição direta entre as anotações de lápis e papél, com os conhecimentos empíricos adquiridos ao longo de anos de observação, para sistemas de aquisição de dados sofisticados é o caminho? Poderia haver ações de preparo visando o uso de novos sistemas?

Um exemplo muito interessante para o exposto é o da ação conjunta no monitoramento e combate ao psilídeo (praga que ataca o citrus) no Estado de São Paulo. Através da contagem do número deste inseto em armadilhas instaladas nas propriedades, define-se a necessidade de pulverização de pesticidas ou não, pela taxa de invasão do inseto. Em se fazendo necessário o controle, os produtores da região são avisados através de um sistema simples, em um site da internet. O monitoramento e coordenação das atividades ficam sob a responsabilidade de um único agente, a Fundecitrus.

"Drones são a bola da vez", afirma o professor Rubens A. Tabile. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.).

“Drones são a bola da vez”, afirma o professor Rubens Tabile. Foto: Thaís Maurin (Biossistec Jr.).

É certo que as tecnologias mudam com o tempo. Acredita-se que a atual onda de difusão de Vants, Drones e Quadcópteros (termos diferentes para dizer uma mesma coisa) seja apenas moda e que daqui alguns anos esta seja substituída outros meios, mais práticos e robustos. Os preços desses equipamentos oferecidos no mercado devem cair e a variedade de aplicações aumentará. Porém, de certo o que não muda nem se barateia é a inteligência aplicada à construção dessas tecnologias. Como o próprio professor Murilo M. Baesso disse, “Tecnologia agrícola existe para todos, mas nem sempre é adequada”.

 E você leitor, para onde acha que vai o georreferenciamento na agricultura? Queremos sua opinião!

Uso de choques elétricos como controle de ervas daninhas

Por indicação de Fernando Henrique Garcia.

Novo implemento que promete exterminar plantas daninhas. Foto: Sayyou Brasil.

Virou atração em Santo Cristo/RS a máquina dessecadora elétrica que está senda usada por produtores de soja orgânica para acabar com o inço da lavoura. A curiosidade é pelo fato de que ervas daninhas, como a buva, são eliminadas por meio de descargas elétricas com este novo equipamento. Acoplado em um trator, o implemento passa sobre a terra um aplicador com eletrodos disparando choque elétrico de 5 mil volts, que paralisa a condução da seiva e causa a morte da planta em até uma semana, de acordo com a fabricante, a empresa Sayyou Brasil.

A buva é um erva daninha que está cada vez mais resistente aos herbicidas. Como é uma tecnologia nova, existe apenas sete no Brasil já nas lavouras, e Santo Cristo tem a única no Estado – diz secretário adjunto de Agricultura de Santo Cristo, Anencir Kerkhoff.

A novidade chama atenção pela eficiência no controle de ervas daninhas, que poucos dias após a aplicação já demonstra resultados satisfatórios. Com o uso da energia do próprio trator, a descarga elétrica da máquina Eletroherb interrompe a continuidade do processo de fotossíntese e, mesmo havendo períodos chuvosos, a planta daninha não terá condições de se recuperar. A máquina, que extermina todos os tipos de plantas invasoras, pode ser utilizada antes da implantação da cultura sem os eventuais riscos de contaminação oferecidos pelos herbicidas.

controle

O equipamento com 4,2 metros de largura é aliado no contexto de produção de base agroecológica, com alimentos mais saudáveis, livres de agrotóxicos. Neste sentido, os produtores orgânicos terão prioridade no uso da máquina, entretanto, o equipamento pode ser aproveitado também por agricultores com produção convencional que pretendam diminuir o uso de agrotóxicos. 

Veja um vídeo sobre o funcionamento dessa máquina.

Fontes: Sayyou Brasil, Zero Hora.

II SEMAC FZEA – CONSTRUÇÕES E AMBIÊNCIA

Por Matheus Hansen Paes e Keylla Guiguer – Bolsista do Programa Aprender com Cultura e Extensão (2013/14), orientada pelo Prof. Dr. Fabrício Rossi.

Foto por: Biossistec Jr.

Foto por: José Pedro M. Coelho e Marco Aurélio S. Salazar.

O bloco de Construções e Ambiência foi um dos blocos com maior procura nesta II Semana Acadêmica (SEMAC) da FZEA. Durante 3 dias de atividades, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer empresas do setor e de se interarem sobre essa área de atuação, que tem ganho cada vez mais atenção e importância no meio agropecuário.

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ACONTECEU: Workshop “Internacionalização da graduação de Engenharia de Biossistemas”, na FZEA/USP

Texto por: Keylla Guiguer e Matheus H. Paes.

Aconteceu na segunda-feira (15/07) o workshop “Internacionalização de Graduação de Engenharia de Biossistemas”, na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP. O evento teve como objetivo aproximar alunos de graduação, docentes e funcionários ligados ao curso a um cenário global.

Abertura com o professor Celso E. L. Oliveira. Foto: divulgação.

Abertura com o professor Celso E. L. Oliveira. Foto: divulgação.

A abertura do evento ficou por conta do coordenador do curso na FZEA, professor doutor Celso E. Lins de Oliveira, que apresentou a estrutura curricular do curso e a Faculdade à qual estão inseridos. Em seu discurso o docente ressaltou o déficit na formação de profissionais na área de engenharia no Brasil (6 engenheiros para cada 1.000 pessoas economicamente ativas), sobretudo de mão de obra especializada em tecnologias para o campo, destacando a importância da criação e investimentos em cursos do gênero no país. Tomando como partida esse cenário, fez uma comparação entre as recentes medidas tomadas pelo Governo em relação contratação de médicos estrangeiros, sugerindo que a mesma internacionalização pode ocorrer na engenharia. Em sua visão, o profissional de Engenharia de Biossistemas é um agente que terá um forte contato com o meio internacional, devendo buscar ao longo de sua formação experiências externas, tanto para o aprimoramento de sua formação técnica, quanto para o desenvolvimento de um outro olhar sobre os problemas que estamos enfrentando e iremos enfrentar.

O professor doutor Raul Franzolin Neto, presidente da Comissão de Relações Internacionais da FZEA-USP, apresentou dados relevantes sobre a Faculdade e suas relações internacionais, como a 24ª colocação entre as melhores universidades do mundo das agrárias, além da marca de 160 alunos de nossa unidade que atualmente estão em universidades do exterior e 66 alunos estrangeiros que fazem intercâmbio por aqui.

O primeiro docente convidado a palestrar foi o professor Luis Manoel Navas, da Universidade de Valladolid, na Espanha. Em uma época em que o conhecimento era controlado pela Igreja, o então papa Inocêncio III autorizou, no ano de 1212, a fundação desta que é a mais antiga universidade da Espanha. Sua grandeza não está apenas no número de velas no último bolo de aniversário (800), mas também em números de pessoas, parcerias internacionais, pesquisas e publicações.

Palestra do professor Luiz Manoel Navas, da Espanha. Foto: divulgação.

Palestra do professor Luiz Manoel Navas, da Espanha. Foto: divulgação.

Navas abriu sua apresentação esclarecendo que a popularização da Engenharia de Biossistemas no mundo tem uma explicação – as mudanças na qual estamos vivendo. Segundo ele, num cenário em que a população mundial cresce a passos largos, precisamos encontrar formas mais eficientes de satisfazer nossas necessidades por alimentos, materiais e energia, através de um desenvolvimento sustentável. A título de curiosidade, citou que o termo “Engenharia de Biossistemas” teve origem nos EUA durante a década de 1960, época em que a Sociedade Americana de Engenharia Agrícola resolveu alterar o seu nome e dos cursos de graduação relacionados a fim de despertar o interesse decadente dos estudantes pelas tecnologias rurais. Na Europa, essa mesma mudança teve início durante a década de 1990 e segue lentamente até os dias atuais.

As áreas de estudos por lá não diferem das que temos por aqui – energias renováveis, agricultura de precisão, gestão de resíduos e conservação do meio ambiente são alguns dos temas citados durante a palestra. Uma diferença entre os currículos está no fato de que por lá os espanhóis distribuem de forma diferente sua formação – 4 anos de graduação, seguidos por um mestrado de duração de 1 ano. Ainda durante a graduação, os alunos podem optar por uma formação que os levem à um caminho de pesquisa ou outro mais profissionalizante, visando o mundo das empresas.

O docente resolveu bem a equação que define a formação do Engenheiro de Biossistemas. Em sua concepção, é tarefa das disciplinas de biossistemas resolverem os problemas dos sistemas biológicos, que englobam as ciências agrárias, biologia e o meio ambiente, enquanto a engenharia é responsável pela transformação de alimentos, gestão de desenvolvimento sustentável, produção de energias renováveis e de materiais baseados em produtos biológicos.

Encerrando seu discurso, Navas apresentou uma proposta de graduação com duplo diploma entre as duas Universidades (Valladolid e USP), como também na cooperação entre os docentes para formação de seus estudantes, através de aulas ministradas por videoconferência para ambas as Universidades.

Professora Diana Lopes (Universidade de Antioquia, Colômbia). Foto: divulgação.

Professora Diana Lopes (Universidade de Antioquia, Colômbia). Foto: divulgação.

A segunda palestra da tarde ficou por conta da professora Diana Lopez, que representou a Universidade de Antioquia, da Colômbia. O tema foi a “Química Verde”, conceito que define a busca pela redução a níveis mínimos da contaminação ambiental de uma determinada atividade. Dentre as pesquisas realizadas por seu grupo na Colômbia – o Quirema (Química de Recursos Energéticos e Meio Ambiente) – está o uso de substâncias com propriedades iônicas que capturam seletivamente os compostos indesejados no meio. Um exemplo disso é a retirada do fosfato da água (altamente poluente), presente no esgoto urbano lançado em rios. O mesmo fostato, após recuperado, é utilizado na agricultura como fertilizante. O grupo de Lopez também estuda a redução do impacto ambiental causado pelo uso se combustíveis fósseis, a recuperação de energia partir desses combustíveis, biomassa e resíduos, além da concepção, preparação e caracterização de catalisadores e materiais carbonáceos.

Em uma próxima edição a organização pretende convidar professores de Portugal para nos contar como está a Engenharia de Biossistemas por lá.

Acompanhe o Portal Biossistemas para maiores informações!

Como as impressoras 3D podem mudar o agronegócio (e nossas vidas)

Impressora 3D

The Form 1: Impressora desktop 3D de alta resolução (Foto: FormLabs).

Mini-fábricas portáteis – é como podemos chamar as impressoras 3D, invenção que toma corpo e ganha cada vez mais adeptos pelo mundo. Segundo alguns visionários, dentro de 5 anos será comum termos um modelo delas em casa, nas escolas, comércio e na indústria, tornando possível a confecção dos mais variados tipos de objetos que possamos imaginar.

Não existe um limite quando se trata de impressoras 3D. Enquanto muitos se contentam em produzir brinquedos e pequenas miniaturas, chefes de cozinha já trabalham com modelos que imprimem massas personalizadas ou até mesmo chocolate. Cientistas da Universidade de Heriot-Watt, na Escócia (naquele mesmo país onde clonaram a ovelha Dolly), foram um pouco além e desenvolveram um mecanismo que utiliza células tronco como “tinta”, podendo ser impressa pelo equipamento. Os cientistas acreditam que este seja o primeiro passo rumo à criação de órgãos.

Para que um objeto seja impresso é preciso que ele tenha sido, antes de tudo, construído num software de edição 3D, como o AutoCAD ou o SolidWorks. Para criar algo diferente, o único jeito é aprender a modelar do zero. Para isso existem inúmeras alternativas na internet, inclusive softwares e cursos gratuitos que ensinam a fazer tudo desde o início. Se quiser se aventurar, a MakerBot – uma das maiores fabricantes de impressoras 3D do mercado atualmente – disponibiliza uma vasta documentação a respeito, além de desenhos para impressão de mais de 40 mil objetos. A empresa comercializa também o Digitizer Desktop 3D Scanner, que utiliza uma combinação de câmeras e lasers, capaz de escanear praticamente qualquer objeto e gerar um arquivo digital.

Mas, quais as possibilidades que a impressora 3D pode trazer ao agronegócio? Confira algumas idéias mirabolantes (outras nem tanto).

1. Energias renováveis mais acessíveis

A aplicação de materiais de baixo custo para geração de energia a pequenos produtores pode ser uma solução para a ampliação de negócios e maior rentabilidade. Inovações a respeito de painéis fotovoltaicos surgem com certa frequência na internet e, assim como já estamos perto da impressão de tecidos humanos, a impressão de células fotovoltaicas a nível molecular, bem como suas estruturas de suporte, pode ser uma das possibilidades das impressoras 3D no futuro. Se preferir gerar energia pelo vento, protótipos de pequenos geradores eólicos já podem ser encontrados no site “Instructables” para impressão.

Para alguns donos de impressoras 3D, produzir determinados objetos em casa sai mais em conta do que comprar numa loja. A impressão de algumas peças ou mesmo equipamentos para geração de energia não apenas facilitaria o seu acesso, como descentralizaria sua produção, podendo afetar, em longo prazo, até mesmo as relações de compra e venda de energia.

2. Produzindo edifícios inteiros

Hoje, na construção civil, já é possível encontrar certos elementos e estruturas prediais pré-moldadas, como paredes, painéis, escadas, lajes, etc. Sua vantagem está na uniformidade dos materiais produzidos, maior controle sobre a qualidade e o design, como também um menor tempo de execução da obra, menor perda de materiais e menores custos operacionais. Com o avanço da tecnologia da impressão em 3D, aliado à nanotecnologia, será possível imprimir materiais mais eficientes que os já existentes, sendo projetados em geometrias pré-definidas, mais complexas e com melhores propriedades mecânicas, concebidos especialmente para cada tipo de ambiente e atividade agroindustrial. As impressoras 3D poderão um dia imprimir (em escala industrial) estufas inteiras, instalações de criação animal, de armazenagem de alimentos e insumos, mais eficientes que os atuais.

3. Maiores ganhos na produção de alimentos

No futuro haverá uma tendência para a produção de alimentos em casa. Não tem nada a ver com uma horta no quintal ou criar algumas galinhas. A empresa americana Modern Meadow desenvolve lá no Vale do Silício (EUA) um audacioso projeto para impressão de carne a partir de células e tecidos cultivados em laboratório. A ideia é fornecer uma alternativa à criação, abate e transporte de bovinos em massa, pois segundo os pesquisadores, a criação de gado é tida como uma das atividades agroindustriais mais impactantes que existe sobre o meio ambiente – demanda grandes quantidades de alimento, água, espaço e produz altas taxas de metano e efluentes.

Se não gostou da ideia, fique tranquilo! Ainda continuará existindo o sistema de criação convencional e as impressoras 3D poderão ser utilizadas para outros fins. Imagine só poder produzir de vacinas específicas na própria fazenda, desenvolver próteses para animais, objetos diversos como: comedouros e bebedouros, caixas para transporte de aves, pisos plásticos para a suinocultura, dentre muitas outras possibilidades.

E não para por ai! Planos recentes do governo Japonês para agricultura em áreas devastadas pelo tsunami preveem o uso da impressão em 3D para certos elementos do sistema de automação. Interessante, não?

E os Engenheiros de Biossistemas, como podem participar dessa revolução?

No curso oferecido pela Universidade de São Paulo os alunos adquirem conhecimentos específicos como desenho técnico, elementos de máquinas, resistência, ciência e tecnologia dos materiais, eletrônica, robótica, circuitos elétricos, dentre outros. As possibilidades de criação são imensas e, segundo especialistas, será possível a impressão de quase tudo que se possa imaginar, o quão logo a compatibilidade com diversos tipos de materiais nessas impressoras consiga aumentar.

Partes de bicos de pulverização, de aspersores, circuitos eletrônicos, objetos para uso na produção animal são alguns dos elementos que, em curto prazo, já poderiam ser fabricados em casa para suporte às atividades do agronegócio, tanto para reposição de peças, quanto para um início de uma atividade agropecuária, o que poderia reduzir o custo de um projeto ao produtor. O desafio está em tornar essa tecnologia (ainda emergente) mais acessível, com soluções adequadas aos interesses da produção agropecuária e, sobretudo, com geração de produtos de qualidade.

E você, como acha que essa tecnologia pode mudar as coisas? Deixe-nos um comentário.

As oportunidades que o Engenheiro de Biossistemas encontra: irrigação

Irrigação

O Governo Federal deu fim a uma espera de 17 anos e sancionou em janeiro deste ano a lei 12.787, que institui a Política Nacional de Irrigação. Com isso, pretende incentivar o aumento da área de agricultura irrigada, favorecendo um incremento substancial de produtividade, com o cuidado de conter prejuízos aos recursos hídricos e à qualidade do solo.

Na nova lei, o crédito rural será facilitado para compra de equipamentos eficientes, modernização tecnológica e implementação de sistemas necessários ao manejo da irrigação. Haverá ainda incentivo à contratação de seguro rural, tarifas especiais de energia elétrica e incentivos fiscais para projetos em regiões de baixos índices de desenvolvimento social e econômico. Para ter acesso aos incentivos, é preciso ter outorga de uso de recurso hídrico e licença ambiental (quando exigidos), a justificativa necessária para irrigar e um bom projeto de irrigação

Segundo Guilherme Orair, secretário nacional da Irrigação no Ministério da Integração Nacional, o crescimento da técnica no Brasil está abaixo do possível. Hoje, apenas 5,5 milhões de hectares são irrigados e há potencial para se chegar a 30 milhões. A produção de grãos pode crescer muito com a irrigação, sem que seja necessário abrir novas áreas de plantio. Por outro lado, a falta desse recurso pode impactar diretamente no cardápio dos brasileiros, como no caso da recente alta de preços do tomate. Um dos intuitos do incentivo à irrigação agora, diz o secretário, é reduzir a pressão para a abertura de novas fronteiras agrícolas por meio do desmatamento. “A tecnologia é o caminho”, diz.

Maior qualidade para o setor

A expectativa dos especialistas é que a nova política contribua para profissionalizar a irrigação, evitando amadorismos, que geram resultados aquém do que o país é capaz. Segundo Lineu Neiva Rodrigues, pesquisador da Embrapa Cerrados, a irrigação eficiente e sustentável não gera desperdício nem lixiviação, não causa erosão no solo nem perda de insumos ou energia.

Um sistema de irrigação deve ser projetado para: 1) distribuir água de maneira uniforme na área; 2) atender às demandas da planta; 3) ser feito de bons materiais; 4) ter boa montagem.

Um sistema de irrigação deve ser projetado para: 1) distribuir água de maneira uniforme na área; 2) atender às demandas da planta; 3) ser feito de bons materiais; 4) ter boa montagem.

O Censo Agropecuário de 2006 mostrou que em mais de 50% das propriedades com irrigação por aspersão o sistema foi instalado sem nenhum tipo de orientação técnica. Para Fernando Tangerino, engenheiro agrônomo e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Ilha Solteira, em nome da economia e devido à falta de conhecimento ainda se cometem muitos erros. 

Além de investir em especialistas e bons equipamentos, é preciso também buscar conhecimento, pois a irrigação correta requer cálculos e raciocínios precisos. Os especialistas são unânimes em dizer que não existe um sistema de irrigação que seja bom para todos: só existe um projeto perfeito para cada fazenda, pois as condições nunca são iguais.

Albano Araújo, coordenador da estratégia de água doce da organização internacional The Nature Conservancy (TNC), diz que a nova política será um grande avanço se não resultar em aumento de áreas irrigadas com sobrexplotação de recursos hídricos. “É necessário respeitar os limites ambientais para captação de água dos rios, lagos e do lençol freático”, afirma. Para isso, há programas de incentivo da Agência Nacional de Águas. Outras medidas incluem a proteção das margens de rios, nascentes e zonas de recarga de aquíferos, cujo uso deve ser limitado e disciplinado por planos de manejo adequados. “Caso contrário, poderemos ter de enfrentar impactos muito sérios sobre a disponibilidade de água para outros usos, como o abastecimento humano e o uso industrial”, diz Araújo. Na nova política, o uso múltiplo do recurso hídrico deve ser privilegiado. 

Se houver potencial para irrigação, o produtor deve encomendar um estudo técnico de sua propriedade e das condições de cultivo que leve em conta o tamanho da área de plantio, a topografia, os índices pluviométricos, as condições de armazenamento de água, a distância até a fonte hídrica e o reservatório, os demais usos e usuários da fonte hídrica, as previsões climáticas, as obras de infraestrutura necessárias, o fornecimento de energia, o tipo e as condições do solo, o tipo de cultura, a idade e o porte das plantas, o espaçamento entre elas e a evapotranspiração. Esta última, ressalta Fernando Tangerino, da Unesp, tem de ser uma das palavras mais importantes no vocabulário do irrigante. Depende dela o cálculo correto de quanta água aplicar, quando, por quanto tempo e em qual ritmo, a fim de que o aumento na produtividade seja o melhor possível e o impacto ambiental o menor. 

E o Engenheiro de Biossistemas?

O Engenheiro de Biossistemas encontra forte campo de atuação neste cenário. Através dos conhecimentos adquiridos ao longo de sua formação – dos fenômenos de transportes aos grandes cultivos – é capaz de desenvolver projetos de irrigação que atendam às demandas e gerem bons resultados, alinhados às normas vigentes e à sustentabilidade. Uma maior competitividade agroindustrial está ligada à eficiência dos processos e pela capacidade de investimentos. Cabe a este profissional, portanto, buscar soluções que não apenas garantam uma maior eficiência e uso racional da água em grandes sistemas de irrigação, mas que também sejam disponíveis aos pequenos e médios produtores.

Fonte: Globo Rural – adaptado, G1.